Para quem ainda não sabe, o Quénia é tecnicamente uma democracia, com um sistema híbrido meio parlamentar e meio presidencial desde os conflitos pós-eleitorais, no ano passado. Só este facto já é suficiente para tornar esquizofrénico o exercício da política neste país (hoje é preciso agradar ao PM, amanhã ao Presidente). Mas tudo piora se tivermos em consideração que apesar da roupagem democrática, o Quénia é na verdade governado por uma verdadeira Oligarquia. São meia dúzia de famílias poderosas, dos Moi (do antigo ditador) aos Kibaki (do actual Presidente), que na verdade governam o país sem concorrência, roubam o país descarada e impunemente e ditam as regras do jogo. No seio destas famílias ilustres (chegadas ao poder mais por chico-espertismo, do que por mérito ou herança) estão distribuídos os altos cargos públicos (e os médios e alguns baixos também) e a gestão de todas as empresas públicas e da maior parte das empresas privadas.
Ora estes sistemas são propícios a provocar nas suas elites comportamentos bastante anti-sociais e originam frequentemente sintomas de demência (excentricidades, claro!), na minha opinião porque estes infelizes vivem tão fora da realidade social e tão alheios a qualquer tipo de punição ou controlo, que perdem a noção das coisas e caem no ridículo de forma irreversível.
Os exemplos são muitos e preocupantes. A esposa do Presidente, por exemplo, foi recentemente notícia por esbofetear em público um Membro do Parlamento porque ele andava a dizer mal do marido, pois claro. Claro que ela deu a primeira estalada e depois os guarda-costas continuaram a dar no canastro ao senhor, não fosse ele responder à agressão e dar nas trombas da Primeira Dama. Mas há mais, um juíz do Supremo Tribunal foi parado na rua por um polícia (que coitado não conhece todos os membros das famílias reais) e ficou tão incomodado que tirou a arma a um dos guarda-costas e disparou sobre o polícia. E só para terminar com um exemplo que eu já presenciei, a esposa do Governador de Nairobi anda pela cidade como se fosse a rainha do Sabá, rodeada de seguranças armados, que não hesitam em sair do carro e apontar armas aos outros carros no meio do trânsito para abrir caminho para a senhora.
É lamentável um país com tanto potencial e tão maravilhoso ter uma élite tão necessitada de ajuda psiquiátrica. Eu sinto-me incomodada com o estado de saúde desta gente e além do mais, a prepotência é uma coisa muito feia.
30/07/09
26/07/09
INSÓLITOS DO DIA-A-DIA
Faço aqui uma pequena interrupção nas crónicas de viagem para partilhar dois momentos insólitos da semana.
O primeiro aconteceu na sala de massagem. A meio da minha massagem sueca, estava eu muito zen, quase a dormir, quando de repente ouvi um som estranho que me despertou. Fiz um esforço para me ligar novamente à terra e dei conta que a massagista tinha adormecido agarrada ao meu pé esquerdo.... e ressonava, de pé! Não contive uma gargalhada e a pobre lá voltou à vida, muito envergonhada. Tem uma criança pequena que não a deixa dormir de noite e o ambiente da sala de massagem, com pouca luz, velas e musica calminha dá-lhe sono.
O segundo aconteceu 2 vezes na minha cozinha. Comecei a achar estranho ficar com dores de estômago a seguir às refeições, até que percebi que andava a grelhar hamburgueres de frango com a películas de plástico. Eu bem que me parecia que os hamburgueres ficavam muito brilhantes depois de cozinhados, mas só à terceira, quando vi uma pequena película a descolar e resolvi puxar por ela é que percebi que aquilo era plástico. É no que dá congelar a comida, uma pessoa nem percebe o que está a comer!
O primeiro aconteceu na sala de massagem. A meio da minha massagem sueca, estava eu muito zen, quase a dormir, quando de repente ouvi um som estranho que me despertou. Fiz um esforço para me ligar novamente à terra e dei conta que a massagista tinha adormecido agarrada ao meu pé esquerdo.... e ressonava, de pé! Não contive uma gargalhada e a pobre lá voltou à vida, muito envergonhada. Tem uma criança pequena que não a deixa dormir de noite e o ambiente da sala de massagem, com pouca luz, velas e musica calminha dá-lhe sono.
O segundo aconteceu 2 vezes na minha cozinha. Comecei a achar estranho ficar com dores de estômago a seguir às refeições, até que percebi que andava a grelhar hamburgueres de frango com a películas de plástico. Eu bem que me parecia que os hamburgueres ficavam muito brilhantes depois de cozinhados, mas só à terceira, quando vi uma pequena película a descolar e resolvi puxar por ela é que percebi que aquilo era plástico. É no que dá congelar a comida, uma pessoa nem percebe o que está a comer!
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