É preciso dizer que a nossa viagem pela costa sofreu várias alterações desde o início. Primeiro era suposto ser a última paragem e acabou por ser a primeira e em segundo lugar tínhamos decido ir para Watamu, a seguir a Mombasa, com a certeza de aí encontrar uma bela praia tropical, muito sol e sossego, longe dos lugares mais dedicados ao turismo de massas como Diani ou Malindi. Acontece que ainda em Mombasa tivemos a oportunidade, um dia, de um passeio até Malindi com alguns amigos e aproveitamos para passar por Watamu, para ver se o hotel que tínhamos escolhido era simpático. Só aí percebemos que estávamos na época mais baixa da época baixa na costa e começamos a ver a nossa vida a andar para trás. Watamu, que é uma povoação pequena, estava deserta e a maior parte dos hotéis fechados, incluindo o nosso. A culpa foi minha. Parti do princípio que sendo época alta para os safaris, ninguém no seu perfeito juízo ia deixar de visitar a maravilhosa costa do Índico. Não é verdade. Quem quer ver animais selvagens não está interessado na praia e vice-versa. Eu, cá para mim, cada vez me convenço mais que há gente muito estranha.
Com os nossos planos empenados e a costa deserta, Malindi acabou por nos parecer uma possibilidade agradável. Sempre tinha um pouco mais de vida, o reboliço que me aborreceria na época alta não existia e um bom negócio para alugar uma casa quase em frente à praia a um familiar de um dos nossos amigos, acabou por nos convencer.
No dia da viagem, acordamos cedinho para apanhar o autocarro de Mombasa para Malindi, a cerca de uma hora de viagem, e a Zimbie sentia-se muito mal disposta. Comecei a ver a minha vida a andar cada vez mais para trás mas lá fomos, depois de um “vai de autocarro”, “vai de matatu”, muita conversa com os angariadores de clientes e a Zimbie encostadita à mala a dizer que estava mal disposta e que precisava de espaço, conforto e um lugar à janela. Acabamos por viajar no Malindi Shutle Service, o Matatu dos Matatus, na fila da frente, com todas as condições para a
O pior foi eu própria começar a sentir-me mal e a Zimbie continuar a piorar. A coisa acabou no consultório do Sr. Doutor, com as duas piores que o chapéu de um pobre e a Zimbie quase em estado de decomposição. Os nossos pobres estômagos e intestinos não gostaram da comidinha Swahili, apesar de nós termos gostado e querermos experimentar de tudo.
Entretanto, e para nosso espanto (eu fiquei para a minha vida com tanto azar), levamos com uma tempestade tropical em cima. Só nos restava a enorme capacidade de nos rirmos de nós próprias, num paraíso tropical, enfiadas na cama, com intoxicação alimentar e chuva e trovoada de bradar aos céus.
De Malindi ficamos com a ideia de ser um lugar aprazível fora da época mais turística (Dezembro), apesar de estar cheio de expatriados italianos, de os habitantes locais falarem em italia
Perante a falta de monumentalidade dos afamados lugares históricos, resta a Malindi e à costa em geral a monumentalidade da paisagem. A mesma paisagem encantadora da costa norte de Moçambique, com florestas de mangue e marés que fazem desaparecer o mar, palmeiras e vegetação luxuriante e areais brancos e macios onde apetece tudo menos estar doente em casa, comer esparguete de couve branca com caril (nem vou explicar!!!) e levar com chuva a torto e a direito.
Com este cenário, não nos restou mais nada senão desistir e regressar mais cedo a Nairobi para reorganizar o resto das férias. Não perdemos tempo e no dia em que decidimos partir, viajamos no autocarro da noite e tivemos uma experiência do outro mundo.

