<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114</id><updated>2012-02-11T23:00:49.189Z</updated><category term='Centro Cultural'/><title type='text'>HISTÓRIAS À SOLTA</title><subtitle type='html'>A contadora de histórias deste blogue está a viver no Quénia e já passou por outros lugares em África. As histórias são muitas. Histórias sobre o que cá se passa, sobre o que vivo e o que sinto e de vez em quando, histórias mais sérias sobre a realidade do país e da região.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7273186068778733256</id><published>2010-01-18T08:58:00.000Z</published><updated>2010-01-18T08:58:39.817Z</updated><title type='text'>NOVO ENDEREÇO</title><content type='html'>ESTE BLOGUE MUDOU DE CASA. A CONTADORA DE HISTÓRIAS PEGOU NOS CONTEÚDOS TODOS, METEU-OS NA MALA E RUMOU A CASA NOVA. AGORA O MEU NOVO ENDEREÇO É:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.historiasasolta.wordpress.com/"&gt;WWW.HISTORIASASOLTA.WORDPRESS.COM&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESPERO QUE GOSTEM E CONTO COM OS VOSSOS COMENTÁRIOS E OPINIÕES PARA TORNAR ESTE BLOGUE AINDA MELHOR.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7273186068778733256?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7273186068778733256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7273186068778733256' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7273186068778733256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7273186068778733256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2010/01/novo-endereco.html' title='NOVO ENDEREÇO'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4820638428888292112</id><published>2010-01-14T17:17:00.003Z</published><updated>2010-01-14T18:13:25.729Z</updated><title type='text'>MZALENDO, O PATRIOTA</title><content type='html'>Quantas vezes nos perguntamos sobre o que podemos fazer para tornar as nossas sociedades mais justas e os nossos governos mais transparentes enquanto cidadãos comuns? Apenas para, na maioria das vezes, nos acomodarmos à frustração de não podermos fazer nada, ao sentimento de inferioridade de quem acha que não tem poder nem voz. É assim em Portugal. É assim quando os níveis de abstenção eleitoral são elevados, é assim quando não exigimos os nossos direitos e manifestamos os nossos descontentamentos, é assim quando os movimentos sociais são pobres e é assim quando confundimos política com partidarismo e nos demitimos daquele que eu acho que é o nosso primeiro dever e direito enquanto cidadãos: participar activamente na sociedade, a nível local e global. Mas é assim em muitos lugares. Chamam-lhe crise democrática, alienação social... enfim, é um sintoma grave de um mundo em agonia.&lt;br /&gt;Mas em muitos lugares do mundo a situação é ainda mais grave do que em Portugal, muito mais grave. Muitas democracias são artificias. outras tantas são jovens, outras ainda de democracia só têm o nome. Em muitos lugares falta consciência democrática, conhecimentos e instrumentos de participação social e de supervisão do Estado e falta sobretudo um certo nível de bem-estar social que permita às pessoas serem cidadãos de pleno direito. Não tenhamos ilusões. Enquanto a primeira preocupação do indivíduo for a sobrevivência até ao dia seguinte, seja por falta de comida, de água, de segurança, não podemos esperar que ele seja activo na defesa e no desenvolvimento dos seus concidadãos. E em muitos lugares este é o quotidiano da maior parte da população e a democracia apenas uma palavra estrangeira, imposta por estrangeiros para satisfação de alguns estrangeiros.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, de vez em quando, o solo mais árido pode produzir milagres, como as rosas efémeras do deserto de Atacama, da mesma forma que nas sociedades mais improváveis podem surgir fenómenos sociais extraordinários e inspiradores.&lt;br /&gt;O Quénia não é um exemplo de estabilidade e maturidade democrática e enfrenta os mesmos problemas de muitos outros países no mundo onde a democracia não foi conquistada pelo povo mas imposta pela comunidade internacional e onde a maior parte da população se preocupa mais com a sobrevivência quotidiana do que com a participação social. Também não é um exemplo de transparência e responsabilidade governativa. Mas foi aqui que nasceu, contra todas as probabilidades, o &lt;a href="http://www.mzalendo.com"&gt;MZALENDO&lt;/a&gt;: Eye on Kenyan Parliament e o &lt;a href="http://www.marsgroupkenya.org/"&gt;MARS&lt;/a&gt; Group Kenya, dois sites que têm por objectivo supervisionar e responsabilizar o Estado. Curiosamente, mzalendo, significa "patriota" em Swahili e, de facto, haverá maior acto de patriotismo (seja o nosso conceito patriótico associado a fronteiras, línguas, religiões ou pertença comum à humanidade) do que monitorizar, denunciar, comentar e participar para cuidar da nossa sociedade?&lt;br /&gt;&lt;h1&gt;&lt;a href="http://www.mzalendo.com/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4820638428888292112?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4820638428888292112/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4820638428888292112' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4820638428888292112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4820638428888292112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2010/01/mzalendo-o-patriota.html' title='MZALENDO, O PATRIOTA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-794034212163778341</id><published>2010-01-12T12:19:00.003Z</published><updated>2010-01-12T12:33:04.519Z</updated><title type='text'>IMAGENS DO QUOTIDIANO</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptzPsxkI/AAAAAAAABHg/_I-Uf_T2YcE/s1600-h/DSC05081.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptzPsxkI/AAAAAAAABHg/_I-Uf_T2YcE/s200/DSC05081.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425827886645691970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xrkHT_GoI/AAAAAAAABIA/ZlZhKYuO1xE/s1600-h/017.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xrkHT_GoI/AAAAAAAABIA/ZlZhKYuO1xE/s200/017.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425829919256943234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xqoU8xN3I/AAAAAAAABHo/MRwIooez71k/s1600-h/DSC05091.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xqoU8xN3I/AAAAAAAABHo/MRwIooez71k/s200/DSC05091.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425828892125509490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptu36zBI/AAAAAAAABHY/FjLV0Dultio/s1600-h/DSC05068.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; 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float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xrktmH6bI/AAAAAAAABII/7rs327kuW0E/s200/022.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425829929533565362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptJK86MI/AAAAAAAABHQ/etZkgL5pXlM/s1600-h/DSC05080.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptJK86MI/AAAAAAAABHQ/etZkgL5pXlM/s200/DSC05080.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425827875351488706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xrk7ZQ5lI/AAAAAAAABIQ/OOPXrJlnWGk/s1600-h/030.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xrk7ZQ5lI/AAAAAAAABIQ/OOPXrJlnWGk/s200/030.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5425829933237724754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-794034212163778341?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/794034212163778341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=794034212163778341' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/794034212163778341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/794034212163778341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2010/01/imagens-do-quotidiano.html' title='IMAGENS DO QUOTIDIANO'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0xptzPsxkI/AAAAAAAABHg/_I-Uf_T2YcE/s72-c/DSC05081.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8980453312418767909</id><published>2010-01-06T16:21:00.005Z</published><updated>2010-01-06T16:47:14.196Z</updated><title type='text'>AMIGOS DO LAGO VITÓRIA</title><content type='html'>O Lago Vitória, com m&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S-JVd_NRI/AAAAAAAABHI/OWn6ewEvztY/s1600-h/vitoria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 190px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S-JVd_NRI/AAAAAAAABHI/OWn6ewEvztY/s200/vitoria.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423668918851941650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ais de 68 000 km2 é o maior lago africano, o maior lago tropical do mundo e é partilhado por três países: o Uganda, a Tanzânia e o Quénia. É uma fonte de vida incomparável na região, fundamental mas não infinita. Mais de 30 milhões de pessoas dependem dele para viver e muitas culturas e tradições estão a ele associadas. Infelizmente, como acontece um pouco por todo o mundo, os problemas ambientais que enfrenta são muitos e o lago está a morrer lentamente. Mas há também cada vez mais organizações envolvidas na protecção do Lago Vitória, com uma dinâmica impressionante. No Quénia, tenho a oportunidade de acompanhar de perto uma delas, a &lt;a href="http://www.osienala.org/"&gt;OSIENALA&lt;/a&gt;, onde alguns amigos trabalham e tenho aprendido imenso sobre preservação, sustentabilidade e educação ambiental. É um mundo novo para mim mas é um mundo cheio de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande lago sofre de vários males. Os mais óbvios talvez sejam a pesca excessiva (sobretudo a pesca desregulamentad&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8MAP0cII/AAAAAAAABGw/Ed6cfePWsF4/s1600-h/022.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8MAP0cII/AAAAAAAABGw/Ed6cfePWsF4/s200/022.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423666765671723138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a com recurso a redes demasiado apertadas que capturam peixes em crescimento) e a poluição de origem agro-química e falta de saneamento, tão visível na cidade de Kisumu onde a água é negra e densa. No entanto, há mais ameaças. O lago está infestado por jacintos de água que são alimentados basicamente pelos nitratos usados nos fertilizantes e muitas vezes quando olho para ele parece mais um enorme pasto verde do que um manto de água. O jacinto de água tal como a perca do Nilo são espécies exógenas, introduzidas no lago e que afectam seriamente todo o equilíbrio do ecossistema. Outra ameaça muito séria está relacionada com a destruição e/ou apropriação das zonas húmidas para o cultivo do arroz, uma vez que são estas terras que servem de filtro para o lago. E assiste-se também a um conflito recorrente entre seres humanos e a vida selvagem que culminam no abate de muitos hipopótamos e outras espécies. E a degradação do lago não é alheia às mudanças climáticas, com o nível da água a baixar devido à escassez de chuvas, a malária a aumentar (esta é uma das zonas com maior incidência de malária), intercalando com períodos de cheia que vitimam milhares de pessoas na região. O cenário é negro, a degradação visível a olho nú e o futuro preocupante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu não esperava, até porque a sociedade c&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8L8y3hyI/AAAAAAAABGo/8DDr-ai6rLo/s1600-h/045.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8L8y3hyI/AAAAAAAABGo/8DDr-ai6rLo/s200/045.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423666764744984354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ivil no Quénia parece-me pouco activa, era encontrar tantos projectos, tantas organizações e tanta dinâmica na região, com protagonistas locais que se fazem ouvir bem longe, a tentar contrariar esta história banal. A OSIENALA, que eu conheço melhor, é disso um excelente exemplo. Lá trabalham mais de 50 pessoas, na maioria jovens, quase todos formados e especializados, assim como vários voluntários, quase todos estudantes, mas que partilham a mesma  paixão pela sua terra, indissociável do lago Vitória. Entre todos desenvolvem diversas actividades que incluem a emissão da Radio Lake Vitoria com mais de 3 milhões de ouvintes, que aborda especialmente questões ligadas à sustentabilidade ambiental e à região e que emite também a partir da internet, vários programas de educação ambiental para vários tipos de públicos, programas comunitários para a gestão ambiental e de recursos do lago Vitória em rede e articulados com organizações  congéneres no Uganda, na Tanzania, no Burundi e &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S-JOVj63I/AAAAAAAABHA/vu5ksAqOvIw/s1600-h/DSC05051.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S-JOVj63I/AAAAAAAABHA/vu5ksAqOvIw/s200/DSC05051.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423668916937550706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;no Ruanda e ainda a promoção de latrinas ecológicas, de campanhas para prevenir o HIV/SIDA, de projectos de reabilitação da paisagem, micro-crédito e empreendedorismo, investigação e consultoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A própria OSIENALA que conta com vários doadores e tem uma dimensão apreciável, financia associações e grupos de jovens mais pequenos que desenvolvem projectos de cariz mais local, em toda a região. Um projecto que considero particularmente interessante é, por exemplo, o desenvolvimento da aquacultura como forma de combate à excessiva exploração de recursos piscatórios no lago, com tanques experimentais nas instalações da própria organização e com a criação de infra-estruturas na comunidade e com a comunidade para este tipo de actividade. O eco-turismo e o artesanato (com potencial para vir a obter uma futura certificação de produto do Comércio justo) são outras actividades complementares que tentam dar nova vida ao lago e aos seus &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8Mdce97I/AAAAAAAABG4/_L7qUPTfQxQ/s1600-h/DSC04863.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S8Mdce97I/AAAAAAAABG4/_L7qUPTfQxQ/s200/DSC04863.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423666773509470130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;habitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fazem-se ouvir longe e onde é preciso, com representantes em reuniões como a que serviu para preparar a participação do Quénia na Cimeira de Copenhaga e em outras estruturas governamentais onde têm uma forte actividade de advocacy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações como a OSIENALA e os jovens que as integram são uma luz de esperança e uma força de mudança poderosa, assim como uma fonte de inspiração para todos aqueles que querem mudar o mundo e torná-lo num lugar melhor para todos. Bem hajam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8980453312418767909?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8980453312418767909/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8980453312418767909' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8980453312418767909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8980453312418767909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2010/01/amigos-do-lago-vitoria.html' title='AMIGOS DO LAGO VITÓRIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0S-JVd_NRI/AAAAAAAABHI/OWn6ewEvztY/s72-c/vitoria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3168995236599183839</id><published>2010-01-03T19:25:00.006Z</published><updated>2010-01-03T20:19:30.735Z</updated><title type='text'>AFINAL NÃO ERA UM ROCHEDO COM BARRACOS</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4Dy39NrI/AAAAAAAABGY/5XiUQux21CQ/s1600-h/DSC04900.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4Dy39NrI/AAAAAAAABGY/5XiUQux21CQ/s200/DSC04900.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422606695433844402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu tinha contado a alguns amigos que ia passar o ano algures numa ilha do Lago Vitória e que não sabia mais nada sobre o lugar ou o programa de festas e que para mim até um rochedo com barracos no meio do lago estava bem, pois pelo menos era uma novidade e cheia de imprevistos.&lt;br /&gt;Na noite anterior dormi em casa das duas amigas alemãs que conhecia e que me convidaram e às 6h da manhã lá chegou o resto do pelotão com viaturas e mantimentos para ficarmos isolados na tal ilha até domingo. Ainda sem cumprimentos e apresentações que os alemães e eu estávamos em modo de recuperação do sistema, lá nos fizemos à estrada acompanhados por um nascer do Sol deslumbrante. Não sei se sabem, mas apenas 6% do Lago Vitória se encont&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxqGvT2zI/AAAAAAAABFY/bGttBsaK6lo/s1600-h/DSC04866.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxqGvT2zI/AAAAAAAABFY/bGttBsaK6lo/s200/DSC04866.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422599657019923250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ra em águas territoriais do Quénia, confinado a uma baía extensa e pontuado por algumas ilhas antes de se abrir para abraçar a Tanzânia e o Uganda e se perder no horizonte e foi aí que eu fui parar, finalmente e sem contar, àquela parte onde a água cresce e parece mar.&lt;br /&gt;Contornamos a baía de jipe até ao Ferry, depois de Bondo, e atravessamos para Mbita, no extremo Sul da baía. Aí, apanhamos outro barco, agora mais pequeno, deixamos o carro para trás e fizemo-nos ao lago e durante mais de uma hora fomos contornando ilhas até que no extremo, quando já só se via água e céu no horizonte contornamos a ilha à nossa esquerda e o que vimos deixou-nos boquiabertos. Takawiri, a nossa ilha, é um pequeno reduto de pescadores, verd&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxqvC8ewI/AAAAAAAABFg/99DUf9raQ4M/s1600-h/DSC04872.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxqvC8ewI/AAAAAAAABFg/99DUf9raQ4M/s200/DSC04872.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422599667839695618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;e e montanhosa, mas ao virarmos deparámo-nos com um braço de areia branca e palmeiras, emoldurado pelas montanhas a formar uma baía de água calma e transparente. Chegamos ao nosso destino e até podíamos muito bem ter dormido ao relento, cozinhado com fogueiras e tomado banho no lago, mas nem isso; à nossa espera estava um delicioso resort turístico, fechado hà um ano, propriedade da família de um indiano, namorado de uma das meninas alemãs e nosso anfitrião e todinho, todinho só para nós durante quatro dias.&lt;br /&gt;Desembarcamos boquiabertos e alguns só diziam “Eu nunca estive num lugar assim!” (um à parte rápido apenas para explicar que o grupo de alemães era composto por 10 voluntários, que integram várias or&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxrIzn5UI/AAAAAAAABFo/csdNLMmlb7c/s1600-h/DSC05035.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0DxrIzn5UI/AAAAAAAABFo/csdNLMmlb7c/s200/DSC05035.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422599674754753858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ganizações no Quénia e na Tanzânia, através de um programa do governo alemão, com idades entre os 19 e os 27 anos e para além deles só havia o indiano e eu, os dois mais crescidos). O nosso anfitrião, ainda na praia resolveu fazer um “briefing” (tal e qual!) para nos dar as boas vindas, explicar como ia funcionar a coisa, organizar a escala de cozinheiros (havia empregados à nossa espera mas a cozinha era connosco) e para nos alertar relativamente à vasta colónia de cobras e escorpiões da ilha. Cobras tudo bem…. mas escorpiões!? Comecei a ver o filme: 3 noites sem dormir, o coração a bater estupidamente de cada vez que abro a porta do quarto, a inspecção à cama e o sob&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4DJ7twTI/AAAAAAAABGI/AdweSsX5zhU/s1600-h/DSC05013.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4DJ7twTI/AAAAAAAABGI/AdweSsX5zhU/s200/DSC05013.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422606684443754802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ressalto a cada barulho mais estranho… sou medricas com a bicharada! Não tenho problema nenhum com animais de grande porte, mas os pequenos, na maioria das vezes dão-me conta dos nervos e agora ainda por cima tinha de encontrar um que nunca vi antes e que vivia na categoria dos mitos horrendos.&lt;br /&gt;Matei o meu primeiro escorpião, no chão do chuveiro do meu quarto, às 19.00 do dia 31 de Dezembro de 2009, na ilha de Takawiri. A electricidade, solar, era muito fraquinha e eu já a pressentir o pior entro na casa de banho também de lanterna em punho a inspeccionar todos os recantos e lá estava ele, preto (descobri depois que também há brancos e que são mais venenosos e matei-os sem qualquer descriminação), grande, feio e com aquele rabo venenoso no ar. Morreu esborra&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0E22opI/AAAAAAAABFw/VLsGLRtKE7I/s1600-h/DSC04908.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0E22opI/AAAAAAAABFw/VLsGLRtKE7I/s200/DSC04908.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422602027336639122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;chado pela minha havaina e foi pelo ralo abaixo. Como tudo na vida, a gente habitua-se e para o fim a coisa já não me impressionava e já nem pensava neles. Apareciam no meu horizonte visual, quinavam e eu continuava com a minha vidinha de banhos e sol e dança e muito rir.&lt;br /&gt;A passagem do ano propriamente dita foi indescritível… eu vou tentar, mas eu sei que não vou chegar nem perto do que realmente aconteceu. Jantamos principescamente, tudo acompanhado por um belíssimo tinto chileno e no final, preparamos cocktails e fomos para a praia em frente, onde uma enorme fogueira rodeada de cadeiras esperava por nós. No céu a lua cheia brilhava e, sem uma única nuvem no horizonte enchia de luz a última noite do ano. Era como se fosse dia mas com a luz banca intensa a pratear o mar e a areia branca. Nunca tinha visto nada assim! Como se não bastasse, &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0ZwRSbI/AAAAAAAABF4/PZy9cAbQJPs/s1600-h/DSC04913.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0ZwRSbI/AAAAAAAABF4/PZy9cAbQJPs/s200/DSC04913.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422602032946170290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a ilha é um verdadeiro santuário de pássaros e a sinfonia é absolutamente fantástica, misturada com os outros músicos da noite como os sapos e os morcegos. Parecia uma noite mágica, encantada, irreal e nós, à volta da fogueira cantávamos canções de Natal, entrecaladas aqui e ali por algumas dos Beatles (não me perguntem porquê). Não sei muito bem quando chegou a meia noite. Ninguém tinha relógios, nem telemóveis (não havia rede na ilha), nem interesse nesses pormenores e por isso quando achamos que era boa altura brindamos ao Ano Novo com uma bebida de cor radioactiva, abraçamo-nos e desejamos um mundo de coisas boas uns aos outros e continuamos a celebrar o novo ano quase até ao amanhecer. Não conseguíamos sair da praia e por lá ficamos, ao&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0y7HJLI/AAAAAAAABGA/gG5uqpBcGoM/s1600-h/DSC04950.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 168px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0Dz0y7HJLI/AAAAAAAABGA/gG5uqpBcGoM/s200/DSC04950.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422602039702529202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Luar, a rir, a brincar, outras vezes em silencio a ouvir os pássaros e a olhar a paisagem e houve até quem fosse a banhos, que a noite estava quente e a água convidativa. Foi uma noite linda!&lt;br /&gt;Os dias seguintes foram dias de preguiça, encantamento e boa disposição. Tivemos aulas de dança com especialistas em danças de salão, tivemos campeonatos de bilhar competitivos, tivemos até rabanadas nos trópicos numa das noites, dançamos as músicas mais pirosas das décadas de 80 e 90 e fizemos festas até de manhã, onde até os guardas e os empregados se juntavam a nós para dançar.&lt;br /&gt;Depois de um início de ano assim, eu estou serenamente à espera para ver o que o resto do ano me reserva. E estou o&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4Dpm8YLI/AAAAAAAABGQ/KLRN6ERTCyM/s1600-h/DSC04898.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4Dpm8YLI/AAAAAAAABGQ/KLRN6ERTCyM/s200/DSC04898.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422606692946567346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ptimista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. Hoje a minha irmã faz anos e eu muito gostava de poder partilhar estas e outras experiências com ela... jà falta pouco :). Não te preocupes que eu trato de exterminar a bicharada antes de chegares. Parabéns e um beijinho enorme cheio de saudades!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3168995236599183839?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3168995236599183839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3168995236599183839' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3168995236599183839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3168995236599183839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2010/01/afinal-nao-era-um-rochedo-com-barracos.html' title='AFINAL NÃO ERA UM ROCHEDO COM BARRACOS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/S0D4Dy39NrI/AAAAAAAABGY/5XiUQux21CQ/s72-c/DSC04900.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6079971759114474350</id><published>2009-12-28T08:39:00.003Z</published><updated>2009-12-28T08:46:29.686Z</updated><title type='text'>AINDA O NATAL... poucas coisas são o que parecem!</title><content type='html'>Eis uma grande lição. Aprendi há algum tempo que as aparências são pouco fiáveis mas por cá, esta máxima é quase uma regra de sobrevivência.&lt;br /&gt;Para comprar um bolo dou por mim num cibercafé, rodeada de computadores e no balcão improvisado alguém nos mostra um pequeno catálogo de bolos de festa para fazermos a encomenda. Uma farmácia moderna, pode ser também um posto de venda de galinhas e o negócio acontece no minúsculo gabinete de óptica e em vez de sairmos de lá com um novo par de óculos, saímos com uma saca de frangos depenados ou a cacarejar, conforme a nossa preferência. E é assim com quase tudo, inclusive com o Natal.&lt;br /&gt;No dia 24 de Dezembro não acontece nada, é um dia normal sem celebrações de qualquer espécie. O meu típico jantar de consoada este ano resumiu-se a pizza, cerveja e um bom filme, em casa, na companhia da Sharon e do Kayser (a empregada e o cão dos donos da casa).&lt;br /&gt;No dia 25, acontece a grande celebração, bem diferente daquilo a que estamos habituados. Parecia S. João, com toda a gente na rua e festas por todo o lado, nos hotéis, piscinas e clubes. Grandes churrascos, borga, os miúdos com pinturas na cara, uma animação.&lt;br /&gt;Ao jantar, as famílias juntam-se, o prato principal é galinha (uma iguaria que pode chegar a custar 5 euros nesta altura do ano), as prendas não são uma tradição e as compras resumem-se a roupa e sapatos novos, para quem pode.&lt;br /&gt;A minha amiga Julie (se bem se lembram, a primeira amiga que fiz no Quénia e que foi minha colega nas aulas de Swahili) tinha-me convidado para celebrar o Natal com as freiras na comunidade dela aqui em Kisumu. Ainda cheguei a pensar em continuar em Diani e festejar por lá, mas sabia que elas contavam comigo e não queria decepcioná-las, por isso cheguei a 24 a Kisumu e dia 25 ao fim da tarde lá estava eu, no “convento” das School Sisters of Notre Dame, preparada para o Natal mais cristão da minha vida e a contar com um serão de rezas e rituais religiosos. ERRADO! (Felizmente, porque a perspectiva não era das melhores para mim).&lt;br /&gt;Mal cheguei e entrei pela cozinha deparei-me com uma azáfama invulgar e uma excitação adorável. Havia música no ar, hip hop e Africana, e enquanto se ultimava o jantar dançava-se, ria-se e o ambiente era de festa e alegria. Vivem ali cerca de 20 mulheres religiosas e entre elas 12 são jovens de diferentes países africanos e de diferentes partes do Quénia que estão numa fase de preparação para a vida religiosa. São dois anos em que aprendem e experienciam a vida religiosa antes de decidirem se fazem os votos ou não.&lt;br /&gt;Resultado: O jantar integrou iguarias de várias tribos do Quénia e de outros países de África pois todas queriam mostrar as suas tradições. Foi um festim de doces e salgados, vinho tinto, vinho branco (adoro o facto de os católicos gostarem de vinho!) e Baileys (a minha contribuição, a pedido das irmãs). Na sala de convívio uma árvore de Natal gigante rodeada de presentes (cada uma comprou presentes simbólicos para se trocar depois do jantar) e cheia de chocolates que as mais novas iam subtraindo de cada vez que passavam por lá. A seguir ao jantar, houve uma pequena celebração religiosa e pela primeira vez juntei-me a elas (viva o espírito de Natal!) e surpreendentemente gostei. A coisa integrou mais cânticos de Natal do que rezas (e elas cantam extraordinariamente bem) e foi bonito. Depois, foi a festa. Quando dei conta a sala estava cheia de djambés, chocalhos, pandeiretas e violas e a comunidade sentada em circulo, nos sofás e no chão à volta da árvore. Cantou-se muito. Mais tarde, retiramos uns números à sorte e distribuiram-se os presentes no meio de uma imensa alegria (para muitas das raparigas mais novas era a primeira vez que estavam a receber presentes) e muitas gargalhadas. A seguir mais música e dança. Afastaram-se os sofás e a sala transformou-se numa pista. Um grupo de raparigas nigerianas presenteou-nos com uma dança tradicional deliciosa e entraram na sala cheias de chocalhos nos tornozelos e à cintura, ao som de gritos de festa e tambores… maravilhoso!&lt;br /&gt;Pela 1h da manhã, a minha amiga Julie, diz-me que bebeu um bocadinho de mais para pegar no carro e levar-me  a casa e convida-me para dormir lá. Grande ideia, que eu também não me queria ir embora. E quando a maioria se foi deitar, ficou na sala um pequeno grupo divertido e acabamos a noite a partilhar a vida, a falar de coisas sérias a brincar, a contar o que nos ia na alma. Senti-me em casa, senti-me querida e mais uma vez confirmei que só estamos sozinhos se fecharmos o coração.&lt;br /&gt;Foi um Natal memorável!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6079971759114474350?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6079971759114474350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6079971759114474350' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6079971759114474350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6079971759114474350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/12/ainda-o-natal.html' title='AINDA O NATAL... poucas coisas são o que parecem!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2605792194171573250</id><published>2009-12-24T13:06:00.017Z</published><updated>2009-12-24T14:25:38.299Z</updated><title type='text'>CHRISTMAS TIME</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNskK6EYsI/AAAAAAAABDk/vcO0j1ZEtPE/s1600-h/DSC04801.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNskK6EYsI/AAAAAAAABDk/vcO0j1ZEtPE/s200/DSC04801.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418794145315840706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNxdNIXeyI/AAAAAAAABEM/3tzkV-n8fVY/s1600-h/DSC04810.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNxdNIXeyI/AAAAAAAABEM/3tzkV-n8fVY/s200/DSC04810.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418799523211737890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A viagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNppQRk_5I/AAAAAAAABDE/Bgp9bcRHKes/s1600-h/DSC04655.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNppQRk_5I/AAAAAAAABDE/Bgp9bcRHKes/s200/DSC04655.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418790934121086866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNpqX9INzI/AAAAAAAABDc/1ib-aIFjDWU/s1600-h/DSC04681.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNpqX9INzI/AAAAAAAABDc/1ib-aIFjDWU/s200/DSC04681.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418790953362667314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não dermos demasiada  importância ao facto de ser quase impossível dormir com a trepidação e o ruído do comboio, de nos cruzarmos com uma barata aqui e ali e de sermos acordados e chamados para o restaurante com alguém a bater em textos, a viagem na mítica linha do Uganda que, ligando o Quénia a este país, foi em tempos uma das mais importantes do leste de África, pode ser absolutamente encantadora.&lt;br /&gt;Sete horas da tarde, Nairobi-Mombasa, 1ª classe. Basta entrar na estação para sentirmos uma certa nostalgia colonial e basta pôr o pé no comboio para começar a viajar mesmo ant&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN2o4LnSBI/AAAAAAAABFE/XBFP84G0c80/s1600-h/DSC04695.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN2o4LnSBI/AAAAAAAABFE/XBFP84G0c80/s200/DSC04695.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418805221304780818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;es de ele partir. Os compartimentos são confortáveis, o serviço cheio de mordomias, a carruagem restaurante é encantadora e por todo o lado nos saltam aos olhos pormenores deliciosos da estética e dos hábitos de outros tempos.&lt;br /&gt;A paisagem, essa, fica-nos para sempre na memória desde o bairro de lata de Kibera e a zona industrial à saída de Nairobi, às montanhas, à savana, ao parque nacional de Tsavo e à vida selvagem que passa diante dos nossos olhos, sem esquecer as aldeias, os mercados e as crianças que dizem adeus e correm atrás do comboio ao longo de todo o percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Diani Beach&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNsksYkOuI/AAAAAAAABDs/-eKQq-aX3K4/s1600-h/DSC04784.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNsksYkOuI/AAAAAAAABDs/-eKQq-aX3K4/s200/DSC04784.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418794154302126818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E lá se foi mais um dos meus preconceitos: Diani é um dos locais mais turísticos da costa e estamos na época alta e eu, apesar de entusiasmada com a possibilidade de sol e mar, esperava uma coisa tipo Quarteira em Agosto. Estava tola! A costa é suficientemente grande e diversificada para acolher toda a gente sem necessidade de congestionamentos. E o local escolhido para a estadia era perfeito, um oásis dito para “backpackers”, onde por menos de 10 euros por dia se pode usufruir do melhor que os trópicos nos podem oferecer. É um local com alma, onde nos sentimos quase em estado de graça por lá termos ido parar e que nos vicia. &lt;a href="http://www.dianibeachbar.com/eco_camp.html"&gt;Stilts-Tree top houses&lt;/a&gt;, é o nome do paraíso.&lt;br /&gt;A água é do mar, dessalini&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNuebHqkvI/AAAAAAAABD8/87q3RXyB8sY/s1600-h/DSC04736.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNuebHqkvI/AAAAAAAABD8/87q3RXyB8sY/s200/DSC04736.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418796245611877106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;zada, a energia é solar, a construção minimalista com materiais locais e quase imperceptível. Os macacos e os bush babies são as nossas companhias constantes, os pássaros a música de fundo e as borboletas, enormes e coloridas a dar cor ao verde completam um quadro fantástico que só é superado, do outro lado da rua pelos tons das flores, do céu e do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E foi assim que aconteceu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNxcw3dzKI/AAAAAAAABEE/hgM2FsIyXlE/s1600-h/DSC04770.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNxcw3dzKI/AAAAAAAABEE/hgM2FsIyXlE/s200/DSC04770.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418799515624656034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Era para ser um fim de semana prolongada na companhia de 2 amigas e aconteceu tudo de forma tão estranha que a estadia delas encolheu, a minha esticou e eu já mal me lembro de ter partilhado estes, que foram os melhores dias do meu ano, com elas.&lt;br /&gt;Mas vamos ao princípio. Quarta-feira à noite partimos eu e a amiga da minha amiga, que não era minha amiga ainda (a minha amiga ia ter connosco apenas na sexta à noite). Desde que nos conhecemos na entrada da estação que ela me pareceu adoentada, mas só ao jantar é que tive confirmação das minhas suspeitas. A moça vinha da Zambia (onde viveu uns meses a participar num projecto de investigação) e sentia-se doente há uns quinze dias, mas não achou importante ir ao médico antes de ir de férias. Aos vinte e dois anos fazem-se coisas um bocado estúpidas. Acontece aos melhores. Mas bolas, não estamos em casa, o ambiente é hostil à nossa mzunguisse delicada, cheio de vírus, bactérias e parasitas estranhos e o mínimo que se pode fazer é ir ao médico mal nos sentimos doentes. Comecei a ver a minha vida a andar para trás quando durante a noite a febre começou a subir, a diarreia a agudizar e as dores de cabeça a aumentar.&lt;br /&gt;Resumindo u&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNy2HuOFfI/AAAAAAAABEc/pF5nh2IcEA4/s1600-h/DSC04790.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNy2HuOFfI/AAAAAAAABEc/pF5nh2IcEA4/s200/DSC04790.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418801050768250354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ma longa história: mal chegamos ao Stilts para o nosso check in perguntei ao Andy, o dono, pelo melhor hospital das redondezas, levei lá a menina e mal ela foi vista pelo médico foi internada. Eu assegurei-me que ela estava em boas mãos, levei-lhe a mochila e fui para a praia.&lt;br /&gt;E estranhamente fiquei disponível para uma das minhas mais extraordinárias experiências humanas. Fiquei sozinha, num local desconhecido, cheio de gente. Devo dizer que o bar do Stilts é uma espécie de ponto de encontro de almas gémeas do mundo inteiro, onde se geram empatias instantâneas, sintonias improváveis e onde se constroem afectos. Deve ser o local do mundo com mais viajantes por metro quadrado, com mais gente que largou tudo e partiu um dia, sem destino, com mais gente que mudou de vida de forma radical e com mais gente disponível para os outros. Eu demorei 5 minutos a ultrapassar o meu inconfortável momento de solidão e a solidariedade demonstrada para com a minha amiga no hospital foi enternecedora. A coisa é de tal maneira que mais de metade das pessoas no Stilts, ou Stiltoers como lhes chama a Heidi, estava lá indefinidamente. Chegamos todos para ficar 2 ou 3 noites e depois vamos criando afectos, laços e vamos adiando a partida. O Adrian, que anda a viajar, sem parar quase há 3 anos está lá há meses e ainda não sabe quando parte, está à espera de “sentir” que é a hora.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNzaUoXk_I/AAAAAAAABEk/q1O9A14dosE/s1600-h/DSC04818.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNzaUoXk_I/AAAAAAAABEk/q1O9A14dosE/s200/DSC04818.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418801672708658162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A Heidi e a Cecília, duas norueguesas a fazer voluntariado em Mafia, perto de Zanzibar, estavam lá há quase duas semanas e iam ficar até ao Natal, o Nathan, um professor americano de escrita criativa, não consegue sair de lá, nem decidir para onde ir a seguir e pelo menos até à passagem de ano vai ficando, a Nayma, uma francesa de origem marroquina que viaja incessantemente desde o século passado, parando de vez em quando para ganhar algum dinheiro e voltar a partir, também adiou a viagem e fizemos juntas o regresso a Nairobi, o próprio Andy, o dono e mentor do lugar que calcorreou meio mundo decidiu criar aquele oásis para viver livre e como gosta, as 3 primas quenianas (uma a viver nos EUA, outra na Holanda e outra na Islândia) que se reuniram no Stilts para celebrar a vida e matar saudades e foram ficando até ao Natal… e mais… muito mais gente a ir e a vir e a partilhar e a dar.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN18aqDu_I/AAAAAAAABE8/b9Z4mCAKYY0/s1600-h/DSC04830.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN18aqDu_I/AAAAAAAABE8/b9Z4mCAKYY0/s200/DSC04830.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418804457465166834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E depois, aquela sensação constante de que nada é por acaso, de que as pessoas se atraem e se cruzam com propósitos misteriosos que às vezes só desvendamos mais tarde, depois de dizer adeus.&lt;br /&gt;E depois estar em África, no meio do mato, partilharmos Ipods e descobrirmos que temos quase todos o mesmo tipo de música. Na primeira noite adormeci a ouvir Jeff Buckley e Nina Simone e parecia um sonho, a música a vir do bar e a chegar até mim misturada com os barulhos do mato nocturno e nos dias seguintes, dar por mim a beber gin tónicos ou a jantar chapatis e green grams (por 1,50 euros) ou a dançar ao som de Beirut, Morrissey ou Radiohead, com macacos empoleirados no tecto e osgas em alerta. O paraíso só pode ser assim. E gostar tanto de estar juntos, todos desconhecidos, que nem o maravilhoso “40 Thieves” na praia nos c&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN1BuoSe-I/AAAAAAAABE0/M57PAVEv0eg/s1600-h/DSC04731.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN1BuoSe-I/AAAAAAAABE0/M57PAVEv0eg/s200/DSC04731.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418803449214172130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;onvencia a abandonar o ninho nas noites quentes e suaves de Diani.&lt;br /&gt;Mas nem tudo é perfeito, ou talvez seja, que a vida é feita de contrastes. A praia está cheia de beach boys, verdadeiros predadores de mzungu. Uns querem vender artesanato, outros querem propor negócios de safaris, de snorkeling e mergulho, outros querem apenas “engatar” uma mzungu e não nos deixam em paz. Se não lhes dermos asas vão embora e se ultrapassarmos a antipatia natural de quem vê constantemente o seu espaço invadido até podem ser bem divertidos. Recordo em particular aquela manhã, com a maré a baixar e eu, a Rea e a Nayma numa plataforma flutuante a apanhar banhos de sol, a rolar para a água e a voltar ao sol vezes sem conta. Chega o beach boy à beira da água, em calções e encaminha-se na nossa direcção. O paleio do costume “How are you beautiful lady?”, “Do you enjoy the sun? And Quenia?”… a cartilha Zézé Camarinha. Fartas de o aturar, a Rea, diz “Olha só falo contigo se for para negociar um treeking aos Shimba Hills amanhã.” O moço não tem mais nada saca de telemóvel, manda vir o “chefe” e a criatura aparece passado uns minutos à beira da água a acenar. Nós a preguiçar ao Sol, nem pensar em sair dali… se ele quiser fazer negócio que se faça á água e venha ter connosco. E foi a coisa mais insólita do mundo, eles de telemóveis e catálogos de fotografias e &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN0bG8zzAI/AAAAAAAABEs/BLz0i1TAvHQ/s1600-h/DSC04808.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN0bG8zzAI/AAAAAAAABEs/BLz0i1TAvHQ/s200/DSC04808.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418802785727794178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;listas de preços a entrar mar adentro. Foram dias de muito Sol, muito mar e muitas, mas muitas gargalhadas.&lt;br /&gt;A amiga da minha amiga acabou por ter alta na sexta a noite mas antecipou a partida e foram as duas embora no domingo ao almoço. Eu tentei dividir-me e passar algum tempo com elas na praia e apresentá-las a toda aquela gente extraordinária, mas elas ficaram muito pouco tempo. Eu adiei a viagem o mais que pude e ontem quando saí de lá com a Nayma fui até Mombasa com o coração apertado e à beira das lágrimas. Provavelmente nunca mais nos vamos ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Regresso acidentado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cheguei de Mombasa a meio da manhã e impunha-se arranjar um bilhete de autocarro para Kisumu no mesmo dia. Para meu espanto os bilhetes estavam todos esgotados. É época de Natal e está tudo a viajar. Depois de muito esforço lá arranjei bilhete para um autocarro às 22h. A meio da tarde estava eu pacientemente a ler na sala de espera da central de autocarros quando me apercebo que o céu ficara negro como breu. A chuva começou a cair impiedosamente e o vento parecia que ia deitar abaixo árvores, casas e o que mais lhe aparecesse pela frente, incluindo os vidros da estação. Na sala de espera, as janelas começaram a bater violentamente e lá fora os relâmpagos sucediam-se sem parar. Comecei a reparar no ar de pânico das pessoas. Um rapaz à minha frente encolhia-se todos e tapava o ouvidos e as pessoas estavam agitadas e tensas. De repente um relâmpago poderoso, um estrondo enorme e lá fora fios eléctricos a faiscar no ar como fogo preso no S. João. E é então que acontece. O pânico. A multidão ensandecida de medo. Poucas coisas me assustam mais que uma multidão descontrolada e à minha volta em segundos só se ouviam gritos. Homens, mulheres e crianças, com as mãos na cabeça, a gritar e a correr sem direcção de um lado para o outro da sala, encolhidos, levando pela frente cadeiras, malas, caixas de galinhas (que por essa altura também cacarejavam assustadas) e eu, na ultima fila, encostada à parede, com a mão direita direita sobre a mochila e a esquerda a se&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN347lZO6I/AAAAAAAABFM/vSHDEMCkJhM/s1600-h/DSC04796.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzN347lZO6I/AAAAAAAABFM/vSHDEMCkJhM/s200/DSC04796.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418806596607753122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;gurar as pernas em cima do banco para impedir que alguém caísse por cima de mim. O cheiro a queimado invadia a sala e quando a trovoada acalmou as pessoas começaram a serenar, mas só para entrarem em pânico outra vez quando o disjuntor disparou e ficou tudo às escuras. Eu não tenho medo da trovoada, mas ontem à tarde o meu coração disparou e as minhas mãos tremiam com medo daquelas centenas de pessoas em pânico. (A ideia de enfrentar 7h de viagem nocturna com aquela tempestade também não era agradável. Mas correu tudo bem e estou de volta ao Nyanza).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2605792194171573250?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2605792194171573250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2605792194171573250' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2605792194171573250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2605792194171573250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/12/christmas-time.html' title='CHRISTMAS TIME'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SzNskK6EYsI/AAAAAAAABDk/vcO0j1ZEtPE/s72-c/DSC04801.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2082146884852389108</id><published>2009-12-10T08:25:00.006Z</published><updated>2009-12-10T09:22:57.504Z</updated><title type='text'>NAS ENTRANHAS DE KISUMU</title><content type='html'>Ontem tive um dia, no mínimo atípico. Andei a visitar latrinas nos bairros de lata. Exacto, é mesmo isso que estão a pensar, andei a visitar retretes nas entranhas de Kisumu. Uns amigos recentes que por cá fiz estão envolvidos num projecto de promoção e construção de "eco-sanitation", ou seja, latrinas ecológicas e fizeram questão de mostrar tudo. A experiência foi tão real que chegamos a ter de esperar que um utilizador saísse da latrina para irmos espreitar o seu funcionamento. Foi deveras interessante, eu sempre a dizer "Nzuri sana. Twende! Taphadali", ou seja, em desespero a tentar sair dali "Muito bem. Vamos!&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SyC5z3lr9KI/AAAAAAAABCw/qqzFTRG5VlI/s1600-h/cosmalav.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SyC5z3lr9KI/AAAAAAAABCw/qqzFTRG5VlI/s200/cosmalav.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413531052845823138" /&gt;&lt;/a&gt; Obrigado" para deixar o rapaz sossegado a aliviar-se e a avó dele, uma senhora grande e forte e com uma voz poderosa a mandá-lo sair da latrina que estava lá uma mzungu para espreitar aquela maravilha tecnológica. Foi um momento embaraçoso, pelo menos para mim, ver o moço sair de lá de dentro atarantado ainda a apertar as calças e ter a avó a puxar-me a mão para me enfiar lá dentro a ver o funcionamento da coisa: a separação da urina das fezes, os depósitos para ambas (nas latrinas ecológicas elas são transformadas em adubo), o tubo para saída dos gases (que as fezes produzem quando armazenadas), a qualidade dos materiais de construção. A senhora parecia uma engenheira a mostrar-me uma central nuclear! A juntar ao propósito insólito da minha visita, não podiam faltar as dezenas de crianças que corriam por todo o lado atrás de mim a gritar mzungu, mzungu how are you?, como se já não atraísse suficientemente a atenção haver alguém a meter o nariz nas retr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SyC50DFoC7I/AAAAAAAABC4/QTfUNXTJYTg/s1600-h/cosmalav2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SyC50DFoC7I/AAAAAAAABC4/QTfUNXTJYTg/s200/cosmalav2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413531055932574642" /&gt;&lt;/a&gt;etes alheias. E se pensarmos que isto tudo se passou num dos maiores bairros de lata da cidade, sem qualquer tipo de saneamento, com as ruas e vielas transformadas em lamaçais, as casas coladas umas às outras numa manta de retalhos de materiais de construção, com o comércio e a indústria a transbordar para fora das casas (vendas de fruta, de chapatis, de carne, de peixe, de batatas fritas e de roupa, carpintarias, mecânicos, costureiras, construtores, chapeiros e sei lá que mais, todos a trabalhar à porta de casa no meio da lama) e eu, a mzungu mais famosa do bairro, a visitar latrinas, rodeada de dezenas de putos excitadíssimos com a minha presença, percebem a dimensão do meu embaraço. Mas acabou por correr tudo bem e depois de um belo banho purificador em casa, as coisas relativizaram-se: a experiência foi interessante, aprendi muito sobre latrinas, compostagem e adubos naturais, tive oportunidade de praticar o meu Swahili e ainda tive uma proposta de casamento, de um sujeito tão bêbado, mas tão bêbado, que andava atrás das crianças, que andavam atrás de mim (e não chegava até mim por questões óbvias de falta de equilíbrio) a gritar que queria casar comigo e a divertir toda a gente do bairro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2082146884852389108?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2082146884852389108/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2082146884852389108' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2082146884852389108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2082146884852389108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/12/nas-entranhas-de-kisumu.html' title='NAS ENTRANHAS DE KISUMU'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SyC5z3lr9KI/AAAAAAAABCw/qqzFTRG5VlI/s72-c/cosmalav.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-823616052097792531</id><published>2009-12-07T17:02:00.004Z</published><updated>2009-12-07T18:11:26.463Z</updated><title type='text'>NYANZA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A4OT7e6I/AAAAAAAABCY/UJGPAeLP_fU/s1600-h/027.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A4OT7e6I/AAAAAAAABCY/UJGPAeLP_fU/s200/027.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412553661827742626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mudei-me! Depois de 10 meses com sede em Nairobi e visitas aos 3 cantos do Quénia (o canto Norte infelizmente ainda está por explorar)instalei-me em Kisumu, onde vou ficar nos próximos meses a fazer o estudo de caso para a tese. Já cá tinha estado antes, já tinha escrito antes sobre o lugar e a região, já sabia que gostava da cidade e das gentes que por cá vivem e da proximidade do Lago Vitóri,a mas esta mudança tem-me dado que pensar. Logo na viagem para cá, mais de 7h de autocarro, comecei a esquecer as coisas que mais me incomodam neste país e que em Nairobi se me colam à pele como o fumo negro dos carros e me ofuscam a visão do todo. Depois de atravessar o Rift Valley, as encostas pintadas de verde bebé pelos arbustos de chá, os campos ondulantes de cana de açúcar, tudo iluminado por um Sol quente, brilhante e maravilhoso e chegar a Kisumu ao pôr-do-Sol, toda a negatividade que este país frequentemente me inspira tinha ficado para trás. E não é só a cidade, é a região toda do Nyanza (que significa "lago") que &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A4tJS0RI/AAAAAAAABCg/KJp22v7Q6IA/s1600-h/025.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A4tJS0RI/AAAAAAAABCg/KJp22v7Q6IA/s200/025.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412553670104633618" /&gt;&lt;/a&gt; me encanta. Como é que explicamos o facto de nos sentirmos em casa num lugar e incomodados noutro? Não sei! Acho que é uma questão de química, como a atracção, ou o amor, se quisermos ser mais românticos. E depois há aquela conjugação de factores que faz com que a vida pareça cor-de-rosa: eu estou apaixonada pela região e ela parece que está apaixonada por mim e presenteia-me constantemente com surpresas maravilhosas, alimentando ainda mais a minha paixão. Quinze horas depois de chegar, uma amiga de uma amiga ofereceu-me a sua casa durante um mês, a vizinha da amiga da amiga, ofereceu-me a casa dela durante a primeira quinzena de Janeiro, o amigo do amigo de outra amiga levou-me a lugares fantásticos da cidade e depois a uma festa africana maravilhosa, que durou pela noite dentro, a dona da casa da festa aluga-me um quarto fantástico quando eu quiser, vários amigos da dona da casa que conheci na festa partilharam contactos, preocupam-se comigo, oferecem alegria, orientação e companhia e já temos aniversários, passeios madrugadores para ver pássaros, excursões no Nyanza e visitas a projectos sociais agendadas, os condutores de Tuk Tuk em vez de me explorarem fazem-me descontos por ser portuguesa, por ser simpática, por ter um nome bonito e até (disse-me um deles) por achar que eu lhe ia trazer muita sorte para o resto do dia de trabalho, na rua as&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A5F4yZBI/AAAAAAAABCo/MsClkWnzxoo/s1600-h/DSC04218.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A5F4yZBI/AAAAAAAABCo/MsClkWnzxoo/s200/DSC04218.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412553676746286098" /&gt;&lt;/a&gt; pessoas falam comigo, são simpáticas, nos matatus há sempre conversa com uma ou várias pessoas, com muito sentido de humor e riso à mistura, as pessoas da organização com quem vou trabalhar abriram-me o coração, deram-me o seu tempo e deixam-me vasculhar todos os arquivos que possam imaginar e ficaram tão contentes por eu ter voltado para trabalhar com eles, como prometido, que me emocionou. E amanhã faço anos e tenho duas festas e depois é Natal e nem sei o que escolher.... e isto depois de passar 10 meses em Nairobi a sentir-me sozinha, inadaptada e cheia de saudades de casa. Digam lá se isto não é paixão!? O Nyanza apaixonado por mim e eu por ele. Por cá ficava mais 10 meses sem problema nenhum, a viver a paixão. E não pensem que são tudo rosas, que também não há coisas que me incomodam e assustam por cá, afinal foi aqui que aconteceu o pico de violência durante as últimas eleições. Foi aqui que assassinaram mais pessoas, que destruíram mais imóveis (o que é ainda bem visível) e onde a loucura e insanidade colectiva atingiu o auge. Eu não imagino como tal foi possível. Como é que esta gente boa e generosa, neste lugar encantador, chegou a tais extremos de desumanidade... mas dizem que o amor é cego.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-823616052097792531?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/823616052097792531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=823616052097792531' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/823616052097792531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/823616052097792531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/12/nyanza.html' title='NYANZA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sx1A4OT7e6I/AAAAAAAABCY/UJGPAeLP_fU/s72-c/027.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5004147461792192168</id><published>2009-11-26T14:07:00.001Z</published><updated>2009-11-26T14:07:49.816Z</updated><title type='text'>MUDAR O MUNDO</title><content type='html'>Há muito, muito tempo, quando me projectava no futuro imaginava-me sempre no papel de salvadora do mundo. Mesmo quando o meu maior sonho era ser astronauta, o objectivo era sempre ter um impacto que ficasse na história. Tinha um bocado a mania das grandezas, é verdade. Depois, comecei a descer à Terra, a ganhar consciência social e continuava a querer salvar o mundo a trabalhar em campos de refugiados ou nos lugares mais inóspitos onde as pessoas morriam de fome. Eram os anos 80 e pela primeira vez as imagens de fome na Etiópia, a guerra do Biafra, o espectáculo humanitário do Live Aid ,entravam-nos pela casa dentro. Mas nessa altura a indústria do desenvolvimento ainda era uma criança e as minhas primeiras tentativas de sair para salvar o mundo foram frustradas.&lt;br /&gt;Rapidamente comecei a perceber que não havia fome só em África. Lá no burgo, apesar de estarmos a ser invadidos de dinheiro dos fundos estruturais e a modernizar as nossas infra-estruturas, as nossas instituições e a nossa economia também havia quem passasse fome, quem não tivesse onde viver, quem não pudesse ir à escola. &lt;br /&gt;Muitas voltas da vida depois, acabei por ir parar a África e por centrar o meu trabalho no continente. Mas já não tenho a mania das grandezas nem acredito no meu poder para salvar o mundo inteiro (nem sei se é suposto ter salvação). Hoje em dia, perguntam-me muitas vezes o que é preciso fazer para vir trabalhar para África. E eu pergunto sempre “Mas o que queres vir para cá fazer?”. Na grande maioria das vezes  a resposta é sempre igual “Quero ajudar os pobres, as criancinhas, os que morrem de fome”. Eu respiro fundo (reconheço à distância aquela mania das grandezas de salvador do mundo) e normalmente digo “Se é por isso que queres vir, não precisas, podes fazer o mesmo em qualquer lado. Basta abrir os olhos para ver que na nossa “casa” também há pobreza, desigualdades e injustiças”. Eu sei que na maioria das vezes devo dizer isto até com alguma frieza e cai mal a quem sonha ser super-homem ou super-mulher com a melhor das intenções. O problema é que de boas intenções e gente cheia de super poderes ao serviço dos fracos e oprimidos, mas que só os querem usar em lugares exóticos e desconhecidos, está o mundo cheio. &lt;br /&gt;E devem, por esta altura estar a perguntar “Mas então o que é que ela está lá a fazer?”, o que é mais que legítimo. É fácil, eu estou aqui por mim e não pelos outros. Estou nesta parte do mundo porque quero aprender mais sobre culturas que me fascinam, sobre sociedades que não entendo e, sobretudo, porque quero aprender mais sobre mim própria e crescer como pessoa. E eu sei que o facto de me expor a situações extremas, duras, ou nem por isso à vezes, mas o exercício da flexibilidade e da adaptabilidade permite-me confrontar-me comigo própria e descobrir-me. Não estou cá para ajudar ninguém, não mais do que ajudaria em qualquer outro lugar, porque a diferença acredito que a fazemos com as pessoas que nos rodeiam todos os dias.&lt;br /&gt;Recentemente vivi um momento lindo, que me fez pensar nestas coisas. Fiz um pequeno curso de psicologia e aconselhamento infantil que me deu imenso prazer e que me ensinou a recorrer aos jogos e às brincadeiras para comunicar com crianças que sofrem de traumas. Pouco depois, num dia em que estava a fazer voluntariado no orfanato em Ruiru aproximei-me de uma menina que anda sempre muito caladinha mas que se agarra às nossas pernas e braços como se fosse uma questão de vida ou morte. Peguei num papel e lápis de cera de todas as cores e sentamo-nos no chão. Pedi-lhe para desenhar qualquer coisa e ela assim o fez. Pedi-lhe para explicar o que tinha desenhado e de repente vi abrir-se a porta para o coraçãozinho dela. Através do simbolismo dos desenhos com que ia enchendo a folha de papel falou-me dos medos, dos sonhos, da vida. &lt;br /&gt;Claro que nada disto substitui uma terapia especializada com alguém devidamente qualificado, que infelizmente não temos e de que muitos miúdos precisam. Mas naquele momento fez a diferença, abriu uma porta, criou uma ponte para o mundo de outra pessoa. Uma ponte que permite ajudar a mudar esse mundo, a construir segurança e confiança onde só há medos, a levar explicações onde só há perguntas e confusão, a plantar afecto onde só há ressentimento e abandono. E visto assim, apesar de estar a falar apenas de uma menina de 8 anos, uma única pessoa no meio dos biliões de pessoas do mundo, parece-me muito, parece-me importante e sinto que estou mesmo a mudar o mundo; pelo menos o meu e o dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5004147461792192168?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5004147461792192168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5004147461792192168' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5004147461792192168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5004147461792192168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/mudar-o-mundo.html' title='MUDAR O MUNDO'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1688206395831809803</id><published>2009-11-23T14:03:00.002Z</published><updated>2009-11-23T14:17:42.952Z</updated><title type='text'>ESPIRITO DE NATAL</title><content type='html'>Comecei recentemente a reparar que as grandes cadeias de supermercados, os Continentes do Quénia, têm "ilhas" de cestas plásticas vermelhas e brancas, mas nunca percebi bem o que era. Finalmente explicaram-me, são os "cabazes de Natal" pré-fabricados para os patrões darem aos empregados de casa. Dentro das cestas estão uns quilos de farinha para fazerem a papa de milho, óleo e outro tipo de farinha para as chapatis (uma espécie de crepes que substitui o pão). Cada cesta custa a módica quantia de 12 euros. Nada de mais para um presente de Natal a quem lhes cuida da casa, dos filhos, do cão e lhes atura os dias bons e maus e, muita falta de educação. O que é curioso é que estas pessoas ganham por mês pouco mais do que o valor da cesta, muitos deles apenas 20 ou 30 euros e com isso sustentam famílias. Se em vez da pirosa e poluidora cesta plástica lhes dessem pelo menos o valor dela em dinheiro, eles apreciariam muito mais, comprariam muito mais coisas do que a cesta contém e pelo menos poderiam escolher em que gastariam aquele dinheiro que lhes faz tanta falta.&lt;br /&gt;Quando vi isto, pensei nas cores do Natal. Os italianos de Breccia (alguns) querem um "White Christmas", sem imigrantes de outras cores e aqui no Quénia temos cestas natalícias para celebrar o "Black Christmas" que é a cor dos pobres.&lt;br /&gt;E assim vai o espírito de Natal num mundo a preto e branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1688206395831809803?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1688206395831809803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1688206395831809803' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1688206395831809803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1688206395831809803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/espirito-de-natal.html' title='ESPIRITO DE NATAL'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6779777403914419272</id><published>2009-11-22T15:23:00.001Z</published><updated>2009-11-22T15:28:41.794Z</updated><title type='text'>O QUÉNIA NO SEU MELHOR</title><content type='html'>Um destes dias cheguei a casa feita num oito, como se diz na minha terra :). Tinha andado um bom bocado a pé e cheguei a casa cheia de dores na perna e na coluna e atirei-me para o sofá a ver se a coisa passava. Nisto chega a Lucy para a sessão de limpeza e mal eu lhe digo porque estou tão quietinha, ela não tem meias medidas: saca um frasquinho da carteira, levanta-me a saia e massaja-me violentamente a perna, isto sem eu ter tempo, nem para dizer “Ai!”. Muito rapidamente põe-me ao corrente dos efeitos milagrosos do líquido no frasquinho. “Isto é tiro e queda, cura tudo” e a seguir vieram dois ou três exemplos de mazelas desaparecidas em familiares e amigos próximos, tudo, graças ao miraculoso produto (cá para nós, com uma inquietante cor amarela!).&lt;br /&gt;Peço-lhe então para ver o frasquinho e leio o micro rótulo a ver se descobria o princípio activo da coisa. Basicamente o que dizia, em vez da composição era o seguinte “Este medicamento é milagroso e actua através do Espírito Santo. Caso não fique curado é porque não tem fé suficiente.” &lt;br /&gt;Claro está, que a coisa só passou com uma bela dose de anti-inflamatórios, uns medicamentos muito mais democráticos, que tanto curam crentes como descrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz um curso prático de Psicologia e Aconselhamento infantil, muito interessante mas sofri um choque cultural violento logo na primeira sessão. Pouco depois das apresentações, pediram-nos para fazer uma lista de “Regras da sala de aula” (lembro que éramos todos adultos, formados e profissionais). A Lista de regras era infindável e, por vezes, contraditória. Não se podia interromper a aula, mas devíamos participar activamente, devíamos limitar os nossos movimentos (não sei mt bem a quê), tivemos de eleger uma espécie de delegado de turma e tínhamos de nos respeitar uns aos outros. No entanto, no momento seguinte dei por mim a assistir a uma discussão acesa sobre quantas vezes por dia deveríamos rezar durante a formação. Disse bem, não era se devíamos rezar, mas quantas vezes e a grande maioria inclinava-se para o número 5 (à chegada, antes de cada intervalo, ao almoço e à saída). Eu acho que fiquei um bom tempo paralisada a tentar perceber o que se passava até que não aguentei mais e apelei ao meu direito de não rezar ao senhor vez nenhuma. “Vocês rezem as vezes que quiserem, mas não esperem que toda a gente partilhe o mesmo sistema de crenças. Eu não rezo e quando vocês rezarem eu vou lá fora tomar um cafezinho”. Surpreendentemente, a única pessoa não africana que lá estava, uma rapariga argentina, apressou-se a dizer que me fazia companhia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vinha do Centro de Rebilitação e uma colega de lá passou num centro comercial e parou para perguntar a que horas fechava ao domingo. Quando lhe perguntei que lugar era aquele, disse-me que era o centro comercial das Nações Unidas. Ou seja, os funcionários para além de receberem principescamente e terem regalias sociais do outro mundo, imunidade diplomática e uma polícia só para eles, também têm uma espécie de department store só deles totalmente tax free.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6779777403914419272?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6779777403914419272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6779777403914419272' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6779777403914419272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6779777403914419272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/o-quenia-no-seu-melhor.html' title='O QUÉNIA NO SEU MELHOR'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3556387098957849734</id><published>2009-11-16T10:05:00.005Z</published><updated>2009-11-16T11:12:13.772Z</updated><title type='text'>O QUÉNIA DE 5 EM 5</title><content type='html'>5 DESCOBERTAS BOAS&lt;br /&gt;1 - A Aljazeera, um dos melhores canais de informação que conheço&lt;br /&gt;2 - O sumo de tree tomato... divinal!&lt;br /&gt;3 - Meditação... fiz um curso, comecei a praticar e fiquei agarrada&lt;br /&gt;4 - Os safaris e a vida selvagem (a0 vivo é muito mais interessante que no NG)&lt;br /&gt;5 - O Talismã, o meu restaurante preferido no mundo inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 DESCOBERTAS ESPANTOSAS&lt;br /&gt;1 - A poderosa indústria filipina de telenovelas dramáticas onde nunca faltam ceguinhos, gémeos, bastardos mal amados e maus como as cobras, sogras do demo e heroínas românticas burras todos os dias.&lt;br /&gt;2 - A poderosa indústria cinematográfica da Nigéria - Nollywood - um mundo!&lt;br /&gt;3 - A comunidade Somáli e a Somália sobre as quais poucas referências tinha e que passaram a fazer parte da minha vida.&lt;br /&gt;4 - O inglês do Quénia. É um facto que jamais vou entender correctamente o que as pessoas  dizem.&lt;br /&gt;5 - O preço das massagens e dos produtos de spa (um luxo acessível devido aos ordenados miseráveis)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 DESCOBERTAS TRISTES&lt;br /&gt;1 -  A dimensão brutal da divisão social (de origem étnica, de género, económica etc)&lt;br /&gt;2 - O fosso económico sem fundo entre miseráveis, pobres, ricos, muito ricos e escandalosamente ricos&lt;br /&gt;3 - A corrupção paralizante e presente em todas as dimensões da vida&lt;br /&gt;4 - O Norte árido, pobre e esquecido (e onde habitam algumas das tribos mais extraordinárias do continente)&lt;br /&gt;5 - O fanatismo religioso e o obscurantismo alimentado por quase todas as religiões&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3556387098957849734?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3556387098957849734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3556387098957849734' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3556387098957849734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3556387098957849734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/o-quenia-de-5-em-5.html' title='O QUÉNIA DE 5 EM 5'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5476975219833461636</id><published>2009-11-16T10:01:00.001Z</published><updated>2009-11-16T10:05:16.710Z</updated><title type='text'>Corrupção, batota ou apenas outsourcing num mercado competitivo?</title><content type='html'>Um artigo de opinião delicioso. Ora espreitem :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.nation.co.ke/oped/Opinion/-/440808/685850/-/4pn4d9/-/index.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5476975219833461636?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5476975219833461636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5476975219833461636' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5476975219833461636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5476975219833461636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/corrupcao-batota-ou-apenas-outsourcing.html' title='Corrupção, batota ou apenas outsourcing num mercado competitivo?'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-86103342722544485</id><published>2009-11-05T09:15:00.002Z</published><updated>2009-11-05T09:21:15.786Z</updated><title type='text'>QUE GÉNERO DE IGUALDADE QUEREMOS CONSTRUIR?</title><content type='html'>O casamento entre dois homens de origem queniana, que teve lugar recentemente no Reino Unido, deu origem no Quénia a expressões de homofobia próximas do delírio colectivo mas abriu o debate, ainda que muitas vezes insano, sobre um dos maiores tabus deste e de muitos países africanos. E quando a maioria, incomodada simplesmente por ter de falar no assunto, preferia que os homossexuais simplesmente não pudessem existir, eu questiono-me até que ponto não estamos nós todos, ainda que através do silêncio e da negligência, a participar neste jogo perigoso contra os direitos individuais, quando criamos, por exemplo, Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que defendem a igualdade de género apenas numa perspectiva heterossexual moralista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos argumentos mais utilizados e quanto a mim dos mais absurdos e desinformados, é o de a homossexualidade não existir em África e de a sua defesa ser uma forma de imperialismo ocidental. Ora o imperialismo tem as costas larguíssimas por aqui e a sua definição é bastante selectiva. Também é considerado imperialista, por muitos, a defesa dos direitos das mulheres ou a insistência da comunidade internacional na necessidade de acabar com a corrupção, ou até os direitos laborais. Claro que já não é de todo imperialista a dinâmica cada vez maior de destruição ambiental ou os padrões de consumo. A referência ao imperialismo serve sobretudo para accionar o sentimento de culpa ocidental quando se tenta promover direitos e liberdades, como se as culturas fossem estanques, fechadas ao mundo e às influências exteriores e como se fosse possível cristalizá-las. Ou seja, como se fosse possível ter telemóveis de última geração e internet e dar a volta ao mundo em algumas horas, mas continuar a viver de acordo com a sociedade do tempo de Jesus ou Maomé, sociedade esta, ainda por cima, interpretada ao bel prazer de cada um, de cada pastor, de cada padre, de cada líder muçulmano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Quénia, a respeito desta questão, a única coisa verdadeiramente imperialista, é a lei que criminaliza a homossexualidade, que foi introduzida no início do sec. XX pelo governo colonial britânico, baseada numa lei inglesa de 1533, que tornou o crime punido com pena de morte até 1861, altura em que foi reduzida para prisão entre 10 anos a perpétua. Em Inglaterra a homossexualidade foi descriminalizada em 1967 pelo “Sexual Offences Act”, mas mantém-se no Quénia onde esta herança do imperialismo britânico justifica, agora, um puritanismo africanista que não é mais que o resultado deste cocktail onde a uma lei caduca dos ingleses, se junta o fundamentalismo religioso (de todas religiões), o obscurantismo e o desrespeito pelo indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo de opinião de Okiya Omtatah Okoiti, com o título “Unlike Christianity and Islam, homosexuality is unAfrican”, publicado no Daily Nation resume na perfeição o tipo de posições que se esgrimiram a propósito deste assunto. Mas outros argumentos competem para a insanidade da discussão a que por cá se assiste, entre os quais, a ligação constante da homossexualidade à pedofilia com várias pessoas a afirmarem que se se aceitar um comportamento estamos a um passo de aceitar o outro. Esquecem-se, estes malabaristas da retórica, que num caso estamos a falar do comportamento sexual consentido entre dois adultos e noutro de abuso sexual de menores. Se pensarmos que esta semana foi notícia de primeira página um relatório que denuncia o abuso sexual continuado de milhares de raparigas quenianas, nas escolas, pelos próprios professores, homens supostamente heterossexuais, e que o impacto da notícia foi muito menor do que a do casamento destes dois cidadãos quenianos, algo vai muito mal. Não entendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, muitas foram também as vozes que se ergueram para refutar estes argumentos violentos e defender a privacidade do casal em causa, apesar do risco, sempre presente, de serem eles próprios acusados de serem homossexuais (caso contrário não os defenderiam, no pensamento de muitos). Recordo em particular uma observação de uma das principais cronistas da imprensa queniana, uma mulher sem papas na língua, que afirmava a propósito, que o maior problema dos quenianos era preocuparem-se em demasia com o que se passa em cama alheia. Eu não podia concordar mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a bem da discussão, independentemente dos argumentos, o melhor de tudo foi ter-se criado espaço para falar em público de tão grande tabu. Os jornais foram invadidos literalmente por e-mails e cartas veementes, contra e a favor, a questionar e a informar… enfim, a opinar sobre a homossexualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a defesa da homossexualidade é uma falsa questão. Não é a homossexualidade ou a heterossexualidade que deve ser defendida, mas os indivíduos que, independentemente das suas orientações sexuais, papéis sociais ou de género devem ter acesso aos mesmos direitos de cidadania e ao respeito. E é por isto mesmo que as políticas de desenvolvimento e nomeadamente os ODM, ao centrarem-se exclusivamente na promoção da igualdade de género, estão a ser insuficientes e a pactuar com uma visão redutora da sexualidade humana assente na heterossexualidade e na dicotomia do masculino e feminino. Nem sequer vou argumentar recorrendo a Foucault ou outros pensadores contemporâneos sobre a construção social do próprio sexo, que tem muito que se lhe diga, como resposta à recorrente visão funcionalista da sexualidade e sobre o que é “natural” ou não é “natural”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero apenas deixar aqui um alerta preocupado, para a necessidade de se ir mais longe e com mais empenho na defesa dos direitos dos indivíduos que é tão frágil em tantos lugares do mundo. Apesar de compreender, de certa forma, a limitação dos ODM no que respeita à defesa exclusiva da igualdade de género, como forma de centrar todos os esforços e recursos nessa batalha árdua, não posso deixar de achar a estratégia perigosa e reflexo de um certo moralismo ocidental, onde apesar do muito já alcançado em termos da garantia de direitos individuais, se continua a advogar a heterossexualidade como modelo de comportamento sexual “correcto“. Acredito sinceramente que seria muito mais produtivo e justo defender a igualdade entre todos os indivíduos, independentemente da sua cor, etnia, género, orientação sexual, classe social ou religião. Seria mais difícil, é certo, pois não há sociedades perfeitas onde todos vemos expressas as nossas convicções e valores, mas promoveria o respeito pelas diferenças e o diálogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-86103342722544485?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/86103342722544485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=86103342722544485' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/86103342722544485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/86103342722544485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/que-genero-de-igualdade-queremos.html' title='QUE GÉNERO DE IGUALDADE QUEREMOS CONSTRUIR?'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5933081675339238808</id><published>2009-11-04T09:03:00.002Z</published><updated>2009-11-04T09:13:28.032Z</updated><title type='text'>NOTÍCIA DO DIA</title><content type='html'>Não é uma notícia em destaque nos media quenianos, mas é a notícia do dia para mim, que ainda estou a digerir o conteúdo.&lt;br /&gt;Na Somália, os "Rebeldes" fundamentalistas, ligados aos talibã da al-Qaeda, proibiram a utilização de toques de telemóvel com música, isto depois de recentemente terem proibido a dança, a música e o cinema, incluindo nos casamentos. Por lá os telemóveis só podem tocar pregações e canticos religiosos. Na passada semana um desgraçado mais herege levou com 25 chicotadas em público por ter sido apanhado a ver vídeos musicais indianos no telemóvel. Dizem os senhores da Lei que estas medidas são fundamentais para eliminar todas as fontes de corrupção das pessoas.&lt;br /&gt;O que eu me tenho lembrado do Ahmed, que tem um Ipod recheado de boa música e que segundo ele é o único conforto que lhe resta quando está lá em reportagem.&lt;br /&gt;Só me apetece chorar, não sei bem se de riso se de tristeza... talvez das duas coisas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5933081675339238808?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5933081675339238808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5933081675339238808' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5933081675339238808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5933081675339238808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/noticia-do-dia.html' title='NOTÍCIA DO DIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1648658041864707855</id><published>2009-11-01T17:34:00.001Z</published><updated>2009-11-01T17:39:49.108Z</updated><title type='text'>FINALMENTE OS JACARANDAS FLORIRAM</title><content type='html'>Creio que no primeiro post que escrevi nesse blogue depois de chegar a Nairobi disse, que jamais iria embora sem ver os jacarandas em flor e ao fim de tanto tempo por cá, já começava a questionar-me se alguma vez veria as maravilhosas florzinhas azuis.&lt;br /&gt;O desacerto da estação das chuvas que tardou e terminou demasiado depressa parece que teve alguma coisa a ver com o atraso deste encantamento, mas depois de estar fora mais de um mês, regressar e ver a cidade pintada de azul emocionou-me. Eu gosto de árvores, e por cá, por estas latitudes, tenho uma admiração tremenda pelos embondeiros, imensos e peculiares e um carinho especial pelas acácias que me dão sempre a sensação de estarem de braços abertos ao Sol, mas os jacarandas são as que mais me encantam, principalmente quando explodem de cor. É uma arvorezinha de aspecto frágil e delicado mas que quando floresce parece etérea e transforma-se numa espécie de nuvem azul que ofusca tudo à sua volta. Aqui ofusca a poluição, o caos urbano, o pó e põe-me a olhar para o céu.&lt;br /&gt;Não podia ter recebido melhor presente de boas-vindas!&lt;br /&gt;E com os jacarandas em flor parece que veio também a chuva persistente para acabar com a seca, ou pelo menos para aliviar o sofrimento dos milhões de pessoas mais afectadas pela falta de água. E se bem que a fome não acaba de um dia para o outro, a esperança trazida pelas chuvas, que segundo as previsões vão ser estáveis até Janeiro, já levou muitos agricultores a voltar a lançar sementes à terra, à espera do milagre da vida e da renovação.&lt;br /&gt;Vou ver se por estes dias me aventuro num safari fotográfico, pela cidade pintada de azul, para poder mostrar-vos aquilo que com as palavras não consigo descrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1648658041864707855?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1648658041864707855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1648658041864707855' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1648658041864707855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1648658041864707855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/11/finalmente-os-jacarandas-floriram.html' title='FINALMENTE OS JACARANDAS FLORIRAM'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1801033681542071885</id><published>2009-09-29T19:10:00.003+01:00</published><updated>2009-09-29T19:20:24.922+01:00</updated><title type='text'>A PERGUNTADORA NA TERRA DOS FIORDES</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPBHW545I/AAAAAAAABCA/eEhsNETBK5Q/s1600-h/DSC04376.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPBHW545I/AAAAAAAABCA/eEhsNETBK5Q/s200/DSC04376.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386954984862114706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um interregno na experiência africana pode fazer maravilhas, sobretudo se formos para os antípodas  do contexto em que vivemos. Ajuda a colocar as coisas em perspectiva e a aliviar a tensão originada pelo estado permanente de choque cultural. Uma conferência em Trondheim, na Noruega. Uma oportunidade para partilhar e discutir os dados da investigação recolhidos até agora Uns dias livres para conhecer um pouquinho a terra dos fiordes. Um artigo para terminar longe do terreno, com outro olhar sobre a realidade. Imensos estereótipos sobre o Norte destruídos a cada minuto que pass&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPAXQ-mAI/AAAAAAAABB4/Sqn1h7PfwPU/s1600-h/DSC04463.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPAXQ-mAI/AAAAAAAABB4/Sqn1h7PfwPU/s200/DSC04463.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386954971952355330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;a. Um cenário natural tão avassalador que nem apetece tirar fotografias porque o produto final é mentira, é menos bonito que o original. Um friozinho de arrepiar que sabe bem como variação ao calor. Um país pintado de cores de Outono para fugir à “monotonia” do verde luxuriante ou do pó e da terra vermelha. Um país de fiordes, rios e lagos para compensar as saudades da água de quem vive em Nairobi. Ar puro e águas cristalinas. A Perguntadora a descobrir coisas novas, feliz e com tempo e condições para  processar informações armazenadas. &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;A conclusão tranqu&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPAIqvixI/AAAAAAAABBw/Q8n3ArEwxY8/s1600-h/DSC04433.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPAIqvixI/AAAAAAAABBw/Q8n3ArEwxY8/s200/DSC04433.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386954968033889042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ilizadora de que mudar e experimentar coisas novas ajuda a resolver quase tudo.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E a certeza de que o mundo é um lugar plural e diverso e que aí reside toda a sua beleza e encanto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1801033681542071885?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1801033681542071885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1801033681542071885' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1801033681542071885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1801033681542071885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/09/perguntadora-na-terra-dos-fiordes.html' title='A PERGUNTADORA NA TERRA DOS FIORDES'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SsJPBHW545I/AAAAAAAABCA/eEhsNETBK5Q/s72-c/DSC04376.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6619404299246421640</id><published>2009-09-23T17:22:00.004+01:00</published><updated>2009-09-23T17:38:46.904+01:00</updated><title type='text'>MASAI MARA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpMNvl5IjI/AAAAAAAABA4/2ziV35dQp10/s1600-h/DSC04315.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpMNvl5IjI/AAAAAAAABA4/2ziV35dQp10/s200/DSC04315.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384700103472259634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpMMRYekbI/AAAAAAAABAw/sbWX-kbZiTg/s1600-h/maasai+mara+6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpMMRYekbI/AAAAAAAABAw/sbWX-kbZiTg/s200/maasai+mara+6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384700078183059890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;É o parque natural mais famoso do Quénia e um nome que nos transporta imediatamente para a África dos safaris (no verdadeiro sentido da palavra, uma vez que safari significa viagem em Swahili) e da vida selvagem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Já lá fui duas vezes. A primeira experiência foi má. Não gostei. A segunda foi uma surpresa, um incidente que colocou o Mara no meu mapa dos afectos para sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Como quase tudo na vida, o resultado final depende de nós, do nosso estado de espírito, da nossa abertura a desafios, da forma como lidamos com a vida... no entanto, quando se trata de um safari &lt;st1:personname productid="em Masai Mara" st="on"&gt;em Masai Mara&lt;/st1:personname&gt; as coisas também dependem um bocadinho de quem nos está a mostrar o parque. Uma pessoa pode ter a maior tolerância do mundo e a maior abertura possível aos desafios mas se der de caras com um tipo como o Cobra (o primeiro guia que me levou ao Mara), funcionário de uma empresa turística de vigaristas que nos cobra muito mais dinheiro do que o inicialmente acordado, senhor de uma enorme falta de educação, profissionalismo e ainda por cima arrogante, não há grande saída. Se juntarmos a tudo isto o facto de ele desconhecer o parque, temos garantido&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpOxEvT12I/AAAAAAAABBo/wh4pOQR2b9Y/s1600-h/maasai+mara+8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpOxEvT12I/AAAAAAAABBo/wh4pOQR2b9Y/s200/maasai+mara+8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384702909467580258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; o pior safari de sempre, uma enorme desilusão e dias de tensão garantida. Eu, que sou uma rapariga calminha e ponderada tive vontade de lhe arrancar os olhos várias vezes!&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt; Para mim é um facto que o parque está sobrevalorizado na bolsa turística, é o paradigma do safari de massas, é inexplicavelmente caro e alguns acessos são tão maus que podem estragar o espírito para a viagem antes de lá se chegar. Sobretudo a estrada de Narok, a mais usada, que liga Nairobi ao parque, representa horas e horas de buracos, pó, mais pó e mais buracos e uma viagem penosa e desmotivadora. Isto num país que, para os padrões africanos, até tem estradas decentes e naquele que é o itinerário mais usado pelo turismo, a indústria mais importante do país. Não se percebe muito bem!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas adiante... vamos aos aspectos mágicos e inesquecíveis e a algumas dicas para evitar os piores.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpOwjSTNII/AAAAAAAABBg/hqcgxjyjl6M/s1600-h/maasai+mara+19.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpOwjSTNII/AAAAAAAABBg/hqcgxjyjl6M/s200/maasai+mara+19.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384702900487533698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;O parque de Masai Mara, no sudoeste do Quénia está ligado ao Serengeti, na Tanzania. Basicamente trata-se de dois nomes diferentes para designar uma mesma coisa, que por acaso (ou nem por isso) tem uma fronteira pelo meio e administrações diferentes e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;nacionalidades diferentes. Ora, nós sabemos isso, a fronteira está lá para toda a gente ver no meio da savana, mas os animais selvagens não sabem e não havendo forma de lhes ensinar coisas tão importantes como o patriotismo, o respeito pelas leis fronteiriças ou o ódio reciproco por terem pertenças territoriais diferentes, eles passeiam-se de um lado para o outro, como sempre fizeram, ignorando as fronteiras dos homens e seguindo apenas os seus instintos de sobrevivência. Esta indisciplina animal dá origem ao mais extraordinário espectáculo do parque: a grande migração, quando milhões de animais circulam entre o Serengeti e o Masai Mara, em busca de água, de alimentos, para acasalar ou para parir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É fascinante a qua&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNORJuOvI/AAAAAAAABBQ/TSR26T_osME/s1600-h/DSC04311.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNORJuOvI/AAAAAAAABBQ/TSR26T_osME/s200/DSC04311.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384701211992537842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ntidade de animais que se podem facilmente ver de um lado para o outro durante um pequeno passeio no parque. Então se tivermos um bom guia, que conheça o parque e saiba em que zonas estão as diferentes espécies, o espectáculo é garantido.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A minha segunda visita ao Mara foi inesperada. Um belo jantar em Kisumu, junto ao lago Vitória, uns amigos em férias a conhecer o Quénia, a vontade de ir ao Mara, uma pergunta inocente ao gerente do resort “Vocês organizam safaris?”, um telefonema a um amigo dele que aluga viaturas e quando damos conta tínhamos marcado uma visita de doidos ao Masai Mara, por um preço inacreditável para dois dias depois.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saída às 5 da manhã, 5h de viagem, por Kisii e através de vales e montanhas verdes. Uma boa estrada que se transforma em picada (e em ringue de lutas na lama se chover, como pudemos verificar no regresso!) nos últimos quilómetros. Chegamos ao Mara a meio da manhã e ficamos sem fôlego quando avistamos a imensidão da savana do topo de uma montanha depois de atravessar uma das regiões mais verdes do país. Lembro que a savana fica a 2000m de altitude e que portanto, nós estávamos bem mais altos. Não há fotografias que façam justiça ao impacto desta paisagem. O horizonte a perder de vista, a savana pintada de mil tons de ocre e amarelo pontuada por pequeninas manchas escuras, que são as acácias, o silêncio imponente, o céu sem fim e aquela sensação de pequenez que nos faz tanta falta, que não quer dizer&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNNwmwIzI/AAAAAAAABBI/EvX2v-o5rsc/s1600-h/DSC04273.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 139px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNNwmwIzI/AAAAAAAABBI/EvX2v-o5rsc/s200/DSC04273.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384701203255927602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; que somos insignificantes, mas apenas que somos parte integrante de algo bem maior. É maravilhoso!&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;Chegados à entrada do parque e depois de desembolsar $60 cada estrangeiro e 1000Ksh (cerca de 10 euros) cada residente, que foi o meu caso (apesar de não ser verdade) porque um dos guardas não me queria fazer desconto de estudante e o outro simpatizou comigo e acabou por fazer ainda mais, o desconto de residente, achamos por bem contratar os serviços de um ranger do parque para nos guiar. É a melhor solução e a mais barata. Alugar um carro todo o terreno com motorista e depois no parque os serviços de um ranger, (a partir de 15 euros) que conhece o território e os animais como ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Depois é um desfilar interminável de espécies, paisagens, emoções e Masai Mara conquista-nos para sempre. E se juntarmos à experiência uma visita a uma aldeia Masai, um dos povos mais emblemáticos do Quénia, nativos da região, que vivem em &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNO2va9jI/AAAAAAAABBY/l70e-yLK11A/s1600-h/DSC04331.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpNO2va9jI/AAAAAAAABBY/l70e-yLK11A/s200/DSC04331.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384701222082770482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;harmonia com a savana e que andam a ser empurrados de um lado para o outro, em reservas inventadas desde que&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Masai Mara passou a servir o turismo, temos a cereja em cima do bolo e a garantia de uma experiência absolutamente inesquecível. Claro que como tudo no Quénia, tem um preço. É preciso negociar a entrada com o chefe da aldeia. A mim parece-me mais que justo! Afinal os Masai, que são o povo da savana, são os que menos ganham com a indústria turística e os que mais sofrem por causa dela. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6619404299246421640?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6619404299246421640/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6619404299246421640' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6619404299246421640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6619404299246421640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/09/masai-mara.html' title='MASAI MARA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SrpMNvl5IjI/AAAAAAAABA4/2ziV35dQp10/s72-c/DSC04315.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4039625413130304519</id><published>2009-09-07T22:12:00.002+01:00</published><updated>2009-09-07T22:25:05.242+01:00</updated><title type='text'>DEFLORESTAÇÃO, SECA E FOME</title><content type='html'>No Quénia, para muitos o país dos safaris e do grande espectáculo da vida selvagem, a destruição da floresta Mau, ao longo dos últimos vinte anos, tem uma influência directa na diminuição da precipitação, na retenção de água e na alimentação de alguns dos mais importantes lagos e rios da região. A seca que atinge todo o país e a fome que afecta já cerca de 10 milhões de pessoas no Norte são a face mais visível e dramática de um ciclo complexo de irresponsabilidade política e corrupção cujas consequências ameaçam afectar profundamente a estabilidade económica e social, a segurança alimentar e a própria vida selvagem, que tem sido a imagem de marca do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós sentimos de alguma forma os efeitos das alterações climáticas e a discussão das soluções e consequências deste problemas entram-nos todos os dias pela porta adentro através da comunicação social. Sabemos que as estações do ano já não são o que eram, que as catástrofes naturais parecem ser cada vez mais frequentes, que em muitos lugares a água escasseia. No entanto, em muitos países, estas consequências ainda não afectam directamente a maioria da população e as alteração climáticas continuam de alguma forma num patamar abstracto pois continuamos a ter água nas torneiras, electricidade nas tomadas e comida no prato. Infelizmente, o mesmo não se passa em todo o mundo e em muitos lugares a seca, a fome e os conflitos armados são consequências directas da destruição ambiental e das alterações climáticas. O Quénia é, actualmente, um bom exemplo desta cadeia de situações extremas e um testemunho importante para melhor compreendermos a dimensão concreta deste problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A floresta Mau, cinco vezes maior que a província de Nairobi, a sudoeste das Terras Altas, tem uma das maiores taxas de precipitação do Quénia e constitui a maior zona de retenção de água do país. Aí nascem doze rios  e a floresta alimenta mais de vinte e cinco cursos de água que por sua vez alimentam cinco lagos da região incluindo o Lago Nakuru, no centro do parque natural com o mesmo nome, um dos mais famosos do país, que acolhe anualmente milhares de flamingos em migração e é lar para muitos outros animais selvagens incluindo a maior população de rinocerontes brancos do Quénia, o Lago Naivasha, essencial para uma das principais actividades económicas da região, a produção de flores e o próprio Lago Vitória, o segundo maior lago de água doce do mundo, fundamental para a economia e o equilíbrio ambiental do Quénia, do Uganda e da Tanzânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente, a floresta era povoada pelo povo Ogiek, que eram fundamentalmente caçadores-recolectores e cujas actividades tinham um impacto muito reduzido no ecossistema.&lt;br /&gt;No entanto, a partir de finais da década de oitenta e sobretudo durante os anos noventa, tudo mudou. A floresta Mau, com terras extremamente férteis, passou a ser encarada não como bem público, mas como um bem de interesse político e começou a ser uma prática comum a concessão de terrenos florestais em troca de favores políticos e para pagar serviços de vária ordem. Para além dos vários membros do parlamento que são grandes proprietários (ou foram e entretanto venderam os terrenos com lucros elevados), há inúmeros funcionários públicos que foram beneficiados com terrenos no Mau, como os antigos militares que constituíram a força de manutenção de Paz na Serra Leoa. O antigo presidente Daniel Arap Moi, por exemplo, é proprietário de uma das maiores plantações de chá do Quénia, em plena floresta.&lt;br /&gt;Desde o início da ocupação sistemática do Mau até aos nossos dias, cerca de 40% da floresta foi destruída para dar lugar à actividade agrícola, que por sua vez recorre tradicionalmente a práticas ambientalmente insustentáveis, como o “cortar e queimar”, ou seja, abater árvores e queimar floresta para criar terrenos de cultivo que em poucos anos se esgotam perpetuando este ciclo de destruição. A redução significativa deste ecossistema originou por sua vez uma redução gradual dos níveis de precipitação que aqui são fundamentais para alimentar os inúmeros rios que levam a água a vários pontos da região. Em algumas regiões do país não chove há dois anos e as últimas épocas das chuvas têm registado níveis de precipitação bastante reduzidos. Talvez mais grave ainda do que a diminuição das chuvas é o facto de a destruição da floresta reduzir a capacidade de retenção de água do Mau, que sempre serviu de “central” natural de captação e distribuição de água. Portanto, para além de chover pouco, quando chove a água perde-se rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias ONGDs e organizações ambientalistas, incluindo o famoso Green Belt Movement alertam há anos, em vão, para os perigos associados à destruição da floresta Mau. Outras tantas, mais recentemente, alertam para a situação grave de crise alimentar no Norte do país, mas ninguém estava sintonizado nesta frequência e a mensagem perdeu-se. O Norte do Quénia é uma espécie de Terra de Ninguém. É terra de refugiados provenientes dos vários conflitos armados nos países vizinhos (a Somália, a Etiópia, o Sudão), de tráfico de armas e circulação de mercenários e bandidos. É uma terra sem lei, para onde não é possível viajar sem “security permit”, sem escolta armada, onde as estradas pavimentadas são praticamente inexistentes e para onde não circulam transportes públicos. As populações locais, isoladas, estão entregues a si próprias e ao apoio intermitente e difícil de algumas organizações internacionais. Mas quando a seca começou a afectar as principais regiões agrícolas do país, quando os rios começaram a secar, o nível dos lagos e das barragens a baixar e sobretudo, quando a água e a electricidade começaram a ser racionados em Nairobi, o problema passou a ser encarado com seriedade. Tarde de mais, infelizmente, para os cerca de 10 milhões de pessoas que precisam de assistência alimentar para sobreviver. Há muitos anos que não se assistia na televisão a imagens recorrentes de seres humanos esqueléticos a morrer de fome. Mas da mesma forma que o Norte é Terra de Ninguém no Quénia, o Quénia é Terra de Ninguém para o resto mundo e para comunicação social internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 6 de Agosto o City Council de Nairobi iniciou o racionamento de água e electricidade na cidade (que se estende a todo o país, em vários casos de forma mais severa). Nas zonas residenciais a electricidade é suspensa entre as 6h da manhã e as 6h da tarde 3 dias por semana, mas nos bairros de lata, como em Kibera, onde só aí vivem mais de 500 mil pessoas, só há água um dia por semana e quase nunca há electricidade. A conta atribuída aos mais pobres na factura da Seca é muito mais elevada, aumentando os riscos de epidemias de cólera e outras associadas à falta de higiene que só contribuirão para agravar ainda mais o problema. Além do mais, muitos pequenos comerciantes estão a ser afectados pelo racionamento, obrigados a fechar os seus negócios e a despedir empregados. Mas nem só os seres humanos estão a sofrer com a falta de água. Em alguns Parques Naturais o Kenya Wildlife Service tem de fornecer água aos animais, uma vez que os seus pontos de água secaram, e em alguns casos, tem mesmo de transferir alguns animais em perigo, como é o caso dos hipopótamos em locais onde os seus lagos baixaram drasticamente expondo os animais ao Sol. Os pastores também têm sofrido violentamente os efeitos da seca e nem mesmo medidas de última hora do governo, como a compra de animais em risco, para abate e utilização da carne, tem resultado. Alguns pastores Masai, por exemplo, perderam centenas de cabeças de gado e é comum hoje em dia encontrar animais mortos na berma das estradas, como a caminho do Parque Nacional de Amboseli, um dos mais famosos do país, voltado para o Kilimanjaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A escalada de problemas expostos pela comunicação social e de debates sobre o problema da seca, da fome e da necessidade urgente de reflorestação da floresta Mau tem sido impressionante. As etnias que se dedicam tradicionalmente à pastorícia, com o gado a morrer por falta de pasto começam a invadir terrenos agrícolas de outros grupos tradicionalmente agricultores e o rastilho dos tão temidos conflitos étnicos pode acender-se a qualquer momento. O conflitos são já muitos, a água é defendida com armas, a comida também. O governo decidiu responder à crise com a expulsão de todos os agricultores da floresta Mau para que se possa proceder à reflorestação. O antigo presidente, voltou à vida pública para dizer que a culpa não é dele, que não fez nada ilegal e que tudo não passa de uma campanha contra ele e o seu antigo governo. O caos está instalado. A única boa notícia, é que pelo menos aqui, agora, o tema está a ser discutido por todos e em todo o lado e a sensibilização para a protecção ambiental está a crescer. O maior perigo, é que tal como acontece com o racionamento de água e de luz, a maior conta desta factura seja paga pelos mais pobres e desprotegidos. A reflorestação do Mau é essencial, mas este processo não pode cair no mesmo padrão de irresponsabilidade social e má gestão que  caracterizou a destruição da floresta. As várias campanhas de reflorestação que surgem todos os dias precisam de planeamento. Não basta ir para a floresta plantar árvores, lavar as mãos e vir embora.  Os habitantes do Mau, na sua grande maioria não ocuparam ilegalmente as terras onde vivem, compraram-nas ou receberam-nas de alguém e têm títulos de propriedade e precisam ser indemnizados e tratados também com justiça para recomeçarem as suas vidas em outros locais. Os pequenos agricultores, que são a grande maioria, cerca de 15 000 pessoas, não podem simplesmente ser expulsos das terras onde vivem e servir de bode expiatório para o problema da destruição do Mau, quando foram apenas actores de uma peça dramática escrita por maus gestores e maus políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos efeitos dramáticos da destruição da floresta Mau, que afectam o quotidiano de todos os quenianos neste momento, esta pode ser uma oportunidade excelente para criar maior consciência na população relativamente à necessidade de protecção do ambiente e nomeadamente da preservação de florestas, para introduzir campanhas educativas que permitam aos pequenos agricultores aprender formas de cultivo mais sustentáveis e para planear a reflorestação e a gestão de recursos ambientais. Resta saber se os actuais políticos são melhores que os anteriores, mais responsáveis e melhores gestores e se vão aproveitar ou não esta oportunidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4039625413130304519?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4039625413130304519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4039625413130304519' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4039625413130304519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4039625413130304519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/09/deflorestacao-seca-e-fome.html' title='DEFLORESTAÇÃO, SECA E FOME'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7727513169388519384</id><published>2009-08-31T13:12:00.005+01:00</published><updated>2009-08-31T14:32:53.036+01:00</updated><title type='text'>A MINHA MAIS RECENTE AVENTURA :)</title><content type='html'>Estava para aqui a trabalhar na minha tese há uns meses, quando comecei a sentir necessidade de fazer mais do que isso. Isto de ser perguntadora* é muito giro e tal, mas é muito solitário e eu, habituada a bolir em todas as direcções comecei a sentir-me um bocadinho inútil e com saudades de fazer voluntariado e de dar formação... é verdade! e assim as duas vontades juntinhas, logo de uma assentada.&lt;br /&gt;Comecei a pro&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKQYnf8DI/AAAAAAAAA-U/BW4Q7SmDvnU/s1600-h/DSC04031.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKQYnf8DI/AAAAAAAAA-U/BW4Q7SmDvnU/s200/DSC04031.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376112963031658546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;curar organizações que aceitassem os meus préstimos à borlix. Não foi fácil arranjar um projecto que me seduzisse... sim, que eu trabalho à borla mas tenho de estar apaixonada pelo que faço. A maioria das instituições ligadas à Igreja... Cruzes, Credo, Canhoto! Não são para mim. Há por aí muito crente que pode ajudar. Depois algumas, só aceitam voluntariado a pagar, o que me parece um abuso. E outras ainda, com projectos que não me conquistavam. Foi o caraças, mas lá acabei por encontrar um projecto que me conquistou e um lugar onde podia fazer voluntariado através da formação. Ouro sobre azul! Cerejas em cima dos bolos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se R&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKRGHUOaI/AAAAAAAAA-k/wB1HZZjnlYM/s1600-h/DSC04034.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKRGHUOaI/AAAAAAAAA-k/wB1HZZjnlYM/s200/DSC04034.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376112975244704162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;uiru Rehabilitation Center (o link está aqui do lado direito para quem quise&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKQw10a7I/AAAAAAAAA-c/qh3o3rJDJl0/s1600-h/DSC04032.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKQw10a7I/AAAAAAAAA-c/qh3o3rJDJl0/s200/DSC04032.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376112969534172082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;r espreitar) e é um centro de acolhimento de órfãos entre os 6 e os 16 anos. É um centro muito pobre, que acolhe 53 crianças e jovens em 3 "barracos" de lata, tão bem organizados quanto possível. Foi um projecto criado de raiz, sem apoios nenhuns, por alguns mzungu e outros quantos locais que a pouco e pouco envolveu a comunidade de Ruiru, que é uma zona industrial e foi recebendo donativos e contribuições em género, incluindo a oferta do terreno onde está instalado o centro. Neste momento só existem dois dormitórios e as respectivas latrinas, uma sala multiusos (que serve de refeitório, espaço de lazer e sala de aulas) e uma pequena cozinha. Há um projecto para construir uma casa a sério quando se reunir os fundos necessários.&lt;br /&gt;No centro está permanentemente um dos dois funcionários. Todas as crianças vão à escola, há uma constante tentativa de manter a proximidade com a família alargada, se for o melhor para elas. Em alguns casos os miúdos estão mesmo entregues ao centro e à sua sorte. Alguns têm histórias muito complicadas. Uns quantos ficaram órfãos recentemente, aquando da violência pós-eleitoral de 2008. Dois irmãos mal falam. Viram a mãe ser violada e assassinada... há várias histórias assim.&lt;br /&gt;Mas há também um espírito magnífico no centro, de cooperação, entreajuda e muito afecto. Os mais velhos cuidam dos mais novos, todos ajudam nas tarefas domésticas (mesmo os rapazes, o que, aqui, é lindo) e h&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvPXQvBEnI/AAAAAAAAA-0/WOZSbQKO9Co/s1600-h/DSC04030.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvPXQvBEnI/AAAAAAAAA-0/WOZSbQKO9Co/s200/DSC04030.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376118578732929650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;á um sistema de compensação que aprecio particularmente. Os melhores alunos têm direito a uma viagem no final do ano lectivo (no último foram a Mombasa ver o mar e ficaram encantados), os mais bem comportados também têm compensações, assim como os mais solidários... é bonito. A comunidade local dá um apoio precioso, a fábrica do pão fornece pão diariamente, a do leite fornece leite, a da fruta igual e muitos voluntários da região contribuem para o centro.&lt;br /&gt;Eu fiquei responsável por acompanhar os mais velhos e facilitar actividades que vão ao encontro das necessidades deles. Discutimos em conjunto o que seria melhor para começar e eles pediram qualquer coisa que tivesse a ver com  orientação profissional porque em br&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvPW4FB7hI/AAAAAAAAA-s/E5gQMuBpTm4/s1600-h/DSC04036.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvPW4FB7hI/AAAAAAAAA-s/E5gQMuBpTm4/s200/DSC04036.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376118572114374162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;eve vão ter de ser autónomos. Ontem, por exemplo, passei o dia a trabalhar com eles a descoberta de potencialidades e pontos fortes de cada um e a forma de os maximizar e orientar para determinadas profissões. A auto-estima é algo a trabalhar constantemente pois eles sentem-se menosprezados e desvalorizados. É um desafio fantástico. E tenho aprendido tanto com eles! Alguns são miúdos com garra, duros; outros são dóceis e muito frágeis e eu sou só uma mzungu perguntadora lá no meio a tentar ajudá-los a ser a versão melhor deles próprios. Gosto disto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;* tradução literal da palavra swahili para investigadora "mtafiti"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7727513169388519384?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7727513169388519384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7727513169388519384' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7727513169388519384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7727513169388519384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/minha-mais-recente-aventura.html' title='A MINHA MAIS RECENTE AVENTURA :)'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SpvKQYnf8DI/AAAAAAAAA-U/BW4Q7SmDvnU/s72-c/DSC04031.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2464504386965491928</id><published>2009-08-24T14:27:00.006+01:00</published><updated>2009-08-24T14:45:17.776+01:00</updated><title type='text'>ÀS VOLTAS NO NYANZA - ÚLTIMAS NOTÍCIAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kisumu&lt;/span&gt; - Esta é a terceira maior cidade do Quénia, capital da província do Nyanza, situada numa extensa baía do Lago Vitória. Rodeada pelo  lago e pelos imponentes montes Nandi, a cidade tem uma geografia peculiar. A actividade comercial é intensa e não faltam mercados, supermercados e milhares de vendedores de rua. O trânsito, composto pela mais variada parafernália de transportes do país, a saber: os omnipresentes matatus, os preciosos tuk tuk, os boda boda (bibicletas de passageiros) e os piki piki (motos de passageiros),  é caótico e colorido e pode ser hilariante. Apesar da correria e do frenesim comercial também aqui há parques, zonas verdes e belos bairros residenciais e as pessoas são na generalidades simpáticas e generosas.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lago Vitória&lt;/span&gt; - Apesar de mítico e possuidor de uma beleza extraordinária o lago não parece atrair muitos turístas, nem o Quénia parece ter muito interesse em desenvolver infraestruturas de lazer e turismo, como acontece nos países vizinhos. Infelizmente, as margens do lago estão basicamente recheadas de bairros de lata de pescadores pobres. É difícil encontrar um parque junto à água, um restaurante, um hotel, um espaço de lazer. Mas existem… é preciso é ser perguntador e procurar debaixo das pedras. O Kenya Wildlife Service tem aqui um santuário interessante, mesmo na margem do lago, a poucos quilómetros da cidade, o Impala Park. É um belo lugar para passeios, piqueniques e muito  fotogénico.  Um pouco mais adiante há uma pérola, o Kiboko Bay Resort, que fica na margem, com uma paisagem de cortar a respiração e onde se pode pernoitar  a preços decentes em super tendas com chão e casa de banho e mobília,  comer divinamente no restaurante, no jardim, ou na piscina (experimentei camarão com erva príncipe e chorei por mais) e passear de barco no lago com direito a visita aos hipopótamos que se banham pelas margens (a não perder). Não há muitas mais opções turístcas  na região, excepto um resort de luxo numa das ilhas do lago e um muito interessante pequeno resort com cabanas de tecto de palha em Mbita, no extremo sul do lago, do lado do Quénia, claro!  Que eu ainda não sei se vou visitar esta semana. Depende dos transportes e dos  Census 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Transportes&lt;/span&gt; - Dentro da cidade e entre grandes cidades, há imensos e variadas opções. No entanto, nos percursos regionais entre cidades mais pequenas a coisa limita-se ao matatu, o que aqui é um bocadinho pior do que em outros lugares porque parece haver um entendimento tácito entre os matateiros e a polícia por forma a estes circularem com gente a sair pelas janelas. Estou a falar de viaturas de 14 lugares que levam em média 20 pessoas por viagem. Não é bonito! Hoje, por exemplo, tive oportunidade de fazer uma destas viagens maravilhosas entre Kisumu e Kisii, a cerca de 2h de distância. Tudo é mais organizado que nos circuitos urbanos, é certo, o que ajuda um pouco. Em vez de as pessoas se sentarem no colo umas das outras ou nos intervalos dos bancos, os matateiros fornecem pequenas tábuas rijas para colocar nos espaços entre os bancos. Haja conforto na viagem! Ora, como o que tem de ser tem muita força  e eu tinha mesmo de vir a Kisii porque só aqui há 3 associações de CJ, lá tentei negociar um lugar à janela, na frente, com espaço por baixo dos meus pés para a mochila, por 2,80 euros. Nada mau. A viagem acabou por ser medianamente confortável, rápida e sem dúvida barata. Quanto à ida a Mbita, tenho de averiguar a distância porque um mzungu tem limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Census 2009&lt;/span&gt; - Está na ordem do dia: hoje é dia de recenseamento nacional  sob o slogan “Rise and be counted” (os quenianos  são muito dramáticos).  Espantosamente, uma coisa tão normal   para uns pode ser uma dor de cabeça para outros. Aqui é uma verdadeira enxaqueca. As pessoas desconfiam de tudo. O facto de terem de responder a questões sobre pertença étnica fá-los temer represálias tribais, as questões sobre rendimentos fá-los temer a polícia… enfim… e no meio disto tudo há ameaças de “terrorismo”  por parte de grupos extremistas que tentam assustar ainda mais as pessoas e um sem fim de programas de televisão e de rádio a tentar explicar aos cidadãos o que se passa. Tudo se vai desenrolar entre as 18h e as 22h de hoje. Supostamente todas as casas do Quénia serão visitadas por recenseadores devidamente identificados e treinados, acompanhados, nos meios rurais, pelos Mais Velhos ou Autoridades locais. A polícia está em alerta máximo (o que quer que isso seja!) e como nunca se sabe a que nível do imponderável as coisas podem chegar, a minha possível ida a Mbita está congelada até ter a certeza que toda a gente se levantou e foi contada em paz e sossego. Pela minha parte, estou à espera que me contem, sim, porque os turistas, estudantes, imigrantes etc, também têm de ser contados. Depois, conto como foi a contagem cá em casa!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2464504386965491928?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2464504386965491928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2464504386965491928' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2464504386965491928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2464504386965491928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/blog-post.html' title='ÀS VOLTAS NO NYANZA - ÚLTIMAS NOTÍCIAS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7493411265755535005</id><published>2009-08-21T20:05:00.002+01:00</published><updated>2009-08-21T20:19:23.947+01:00</updated><title type='text'>Mas como é que alguém...??... eu, claro!</title><content type='html'>Na loja da Safaricom em Kisumu, hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, já verifiquei tudo, tenho saldo, tenho o cartão inserido, marco o código certo... tudo. A única coisa que está mal é que a placa não faz a ligação à internet!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ontem tivemos um problema por causa da trovoada, mas hoje as ligações estão normais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelos vistos a minha não está (denotando alguma impaciência!). Tente ver o que se passa, por favor, porque deve ser alguma anomalia com o cartão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixe-me só levar o cartão para verificar uma coisa e já volto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Passam-se minutos infinitos de ansiedade sem notícias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ora cá estamos outra vez. Diga-me uma coisa, saiu do país?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê??? Não!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estranho, porque tem o cartão da banda larga com tarifário de roaming...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pode ser. Eu só uso esse cartão na placa de banda larga. Para o telemóvel tenho outro cartão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E nunca usou o cartão da placa no telemóvel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não!!! Só o coloco no telemóvel para... para... Nãããão! Não pode ser! (e aqui comecei a rir)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para introduzir os dados e creditar saldo, certo? (completou o funcionário a rir também)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois... se calhar troquei os cartões... e olhe... então por ainda estar com o tarifário de roaming é que ando a gastar uma fortuna em telemóvel, certo!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois... é muito mais caro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: a internet funciona lindamente, aqui a morcona é que de vez em quando faz das suas. Mas felizmente ainda bem que aconteceu senão andava a pagar tarifário de roaming até ao fim dos meus dias no Quénia :).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7493411265755535005?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7493411265755535005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7493411265755535005' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7493411265755535005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7493411265755535005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/mas-como-e-que-alguem-eu-claro.html' title='Mas como é que alguém...??... eu, claro!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1846146825146717081</id><published>2009-08-18T20:16:00.004+01:00</published><updated>2009-08-18T20:28:47.735+01:00</updated><title type='text'>ÁFRICA MINHA</title><content type='html'>No meio de tantas notícias más e sérias e depois dos últimos posts mais pessimistas, hoje vou esquecer os problemas do mundo e partilhar convosco outra coisa.&lt;br /&gt;Finalmente encontrei o que tanto ansiava. É difícil de explicar, é algo que se sente. Basicamente é aquilo que me faz querer voltar a África quando estou longe. Estou muito mais feliz!&lt;br /&gt;A viagem de Nairobi para Kisumu durou umas 7h. Éramos 4 mulheres num Rav4 pois vim de boleia com 3 freiras do convento onde estou hospedada (a residência da minha primeira melhor amiga, que conheci nas aulas de Swahili) e entre muito boa disposição e risota fomos parando vezes sem conta pelo caminho, para comprar queijo (queijo, no Quénia, imaginem!!!), para comprar frutas, hortaliças e sei lá que mais aos vendedores de beira de estrada, que colam a mercadoria e a cara aos vidros do carro impedindo-nos de sair para fazer as compras. É preciso lutar com determinação e querer  muito os produtos para se conseguir sair e comprar qualquer coisa. Foi portanto, com 4 mulheres, muitas malas e comida que atravessamos uma das partes mais belas do país. A viagem é emocionante! Passamos pelo Rift Valley, por parte da floresta Mau, por quilómetros e quilómetros de plantações de chá, por outros tantos de plantações de cana de açúcar e de arroz, por montes e montanhas e vales até que, chegamos finalmente ao lago. Se bem que Kisumu é geograficamente uma baia é possível, mesmo assim ter uma ideia da dimensão. Parece mar, sem fim e a janela do meu quarto está virada para lá.&lt;br /&gt;Hoje foi o primeiro dia de trabalho. Era preciso começar a visitar as organizações de Comércio Justo locais. Na internet nenhuma delas tinha endereço físico e resolvi ir ao mercado de artesanato a ver se alguma banca pertencia a estas organizações para me indicarem onde ficavam as instalações e oficinas. Foi logo à primeira. Uma chamada telefónica da menina da banca e meia hora depois tenho a directora de uma delas a chegar de carro para me levar em visita. Resumindo o que a trabalho diz respeito,  a coisa correu tão bem que esta vai ser um dos meus casos de estudo e já está tudo organizado para a minha estadia.&lt;br /&gt;Mas a forma como cheguei a esta organização foi apenas o prelúdio daquilo que o dia me reservava. Na primeira viagem que fiz de matatu, duas raparigas que iam no banco atrás de mim, batem-me no ombros, tocam-me no cabelo e entre rizinhos perguntam-me se os meus caracóis são verdadeiros… podia ter levado a mal, é verdade! Mas não, antes ri-me com elas, apresentamo-nos e nunca mais pararam de me fazer perguntas, ao ponto de dar por mim a explicar a toda a gente dentro do matatu o que era o Comércio Justo e a distribuir abraços à saída, para além de ter ficado com o telefone das moças e prometer visitar a casa delas qd tiver oportunidade. Entretanto, porque precisava de voltar á mesma organização de tarde, resolvi apanhar um tuk tuk que se perdeu no meio da cidade porque cismou que ele, e não eu, é que sabia como chegar ao local. Típico! O que não é típico é ele chegar ao destino perdido de riso por eu saber o caminho e ele não e fazer um desconto no preço pela incompetência dele e pela simpatia minha.&lt;br /&gt;Já pelo fim da tarde, a chover torrencialmente, e a caminho do convento que fica uns quilómetros fora da cidade e requer matatus interurbanos, pergunto a uma rapariga qual o matatu certo para o meu destino e ela resolve levar-me lá, contra a direcção da viagem dela e oferece-se para me pagar a viagem. (Dizia ela que sempre que vai a Nairobi fica tão perdida e ninguém a ajuda, que quando pode dá sempre uma mãozinha a quem vem de fora) Estes matatus interurbanos, não têm controlo de lotação e além de mim viajavam lá dentro mais 19 pessoas, ao que somavam dois sofás no tejadilho e as almofadas dos mesmos distribuídas pelos passageiros. Só hoje conheci mais gente, falei com  mais estranhos e tive mais demonstrações de generosidade e simpatia do que ao longo dos últimos meses em Nairobi, onde as pessoas só se aproximam para mendigar ou para tentar extorquir dinheiro. Para além do factor humano fundamental, em Kisumu parece Verão, com 30º de calor húmido e está sol. Foi o dia mais produtivo e provavelmente mais feliz que tive desde que cá estou!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1846146825146717081?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1846146825146717081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1846146825146717081' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1846146825146717081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1846146825146717081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/africa-minha.html' title='ÁFRICA MINHA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8743244521039628019</id><published>2009-08-14T10:25:00.002+01:00</published><updated>2009-08-14T11:03:04.543+01:00</updated><title type='text'>AS MUDANÇAS À MINHA PORTA</title><content type='html'>Ultimamente parece que o mundo está a mudar a uma velocidade alucinante, à frente dos meus olhos, enquanto eu estou sossegadamente sentada no meu sofá, como se estivesse a ver um filme em modo acelerado.&lt;br /&gt;Uma grande parte das coisas que tenho lido e aprendido sobre as mudanças climáticas, a pressão demográfica e o desenvolvimento parece que teimam ultimamente em sair dos livros e materializar-se aqui. Em alguns casos é fascinante, noutros é assustador, mas em ambos os casos fico com a sensação de viver num laboratório.&lt;br /&gt;Por exemplo, apesar de as mudanças climáticas serem evidentes em todo o mundo e de termos acesso a informação sobre o que se se passa por todo o lado, nesta região de África começam a sentir-se consequências ambientais, económicas e sociais que ainda não se sentem na Europa, pelo menos de forma tão óbvia. No corno de África e na região dos grandes lagos, o aquecimento global traduz-se numa enorme redução da precipitação anual, que se tem vindo a sentir há alguns anos e que agora resulta numa seca intensa.  A seca origina perda de colheitas, redução do caudal dos rios, baixa do nível dos lagos ou mesmo desaparecimento de alguns e isso põe em perigo o equilíbrio dos ecossistemas, a segurança alimentar, a biodiversidade e a paz social. Agora que a seca também se sente intensamente na capital, onde a electricidade é racionada e a água também, multiplicam-se as notícias sobre o impacto económico daí resultante (com negócios e empresas afectados e aumento do desemprego) e outros, que me pareciam ainda mais distantes como o facto de numa região de forte implementação da pastorícia, a perda de pasto levar os pastores a invadir terrenos agrícolas para alimentar os animais. Ora sendo a divisão das actividades laborais muito marcada etnicamente (entre pastores e agricultores) estas tensões sociais podem acender o rastilho do sempre latente conflito étnico.&lt;br /&gt;A fome é um facto em muitas regiões do Quénia e nos países vizinhos. As lutas internacionais, regionais e étnicas pelo acesso e domínio da água também. As novas doenças e epidemias, como a gripe suína já chegaram e atingiram crianças de uma escola primária isolada, sem ninguém perceber como. Por entre um não acabar mais de problemas e consequências nefastas, multiplicam-se também os esforços para os solucionar e atenuar. O governo do Quénia criou um programa de emergência para apoio alimentar às regiões mais afectadas e isoladas, com a ajuda dos militares. A Cruz Vermelha do Quénia e outras organizações locais fazem recolha de alimentos nos supermercados e apelam à solidariedade nacional. Apesar de todas as organizações internacionais e do Apoio do Programa Alimentar Mundial (muito insuficiente) é bom ver os quenianos a tentar resolver os seus problemas.&lt;br /&gt;A reflorestação e protecção dos ecossistemas está na boca do mundo, é tema de conversas de café e título de todos os jornais. O Presidente resolveu ontem promulgar a prisão imediata de todos os "settlers" da floresta Mau que não abandonem os seus terrenos (há um esquema de compensação para quem provar a propriedade das terras), mesmo sabendo que muitos são familiares e amigos de Membros do Parlamento e de gente muito importante. Claro que a transição para a reflorestação da floresta deveria ter sido feita com tempo e ter uma forte componente educacional (os agricultores habituados à técnica do "cortar e queimar" floresta para cultivar vão continuar a faze-lo noutro lugar) mas de alguma forma está a ser feita e isso já é positivo.&lt;br /&gt;E num contexto de profunda injustiça social e económica onde a consciência social e de cidadania quase não existe, onde as pessoas fazem muito pouco para se defender a si próprias e parecem preferir esperar pela intervenção divina, foi lindo, ontem ligar a televisão e ouvir centenas de trabalhadores da Kenya Airways, a horas de iniciarem uma greve nacional depois de falhadas as negociações do sindicato com a companhia, a cantar "the people united cannot be defeated".&lt;br /&gt;O Quénia é um belo lugar para assistir de camarote ao bom e ao mau dos nossos tempos. É como ver o mundo a mudar mesmo à minha porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8743244521039628019?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8743244521039628019/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8743244521039628019' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8743244521039628019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8743244521039628019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/as-mudancas-minha-porta.html' title='AS MUDANÇAS À MINHA PORTA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7475753913467104599</id><published>2009-08-11T08:13:00.004+01:00</published><updated>2009-08-11T08:48:18.522+01:00</updated><title type='text'>BANCO DAS MULHERES</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SoEga9fU9pI/AAAAAAAAA-M/PCoNi-pjmos/s1600-h/biz%2Bsub%2B2%2Bpix.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 162px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SoEga9fU9pI/AAAAAAAAA-M/PCoNi-pjmos/s320/biz%2Bsub%2B2%2Bpix.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368607878356989586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Inaugurou há cerca de quinze dias, em Dar-es-Saleem, na Tanzania, e já é um sucesso.  É sabido e vem nos livros que um dos entraves ao desenvolvimento em África é o facto de a banca ser pouco flexível, estar mergulhada em burocracia e não dispôr de produtos financeiros inovadores de acordo com o contexto local para promover o investimento e a poupança dos cidadãos africanos. O Banco das Mulheres (literalmente Women's Bank) vem preencher esta lacuna e tem por objectivo alargar a sua presença a outro países africanos. Após anos de espera pelo licenciamento e apoio público, um grupo de mulheres, cientes das suas especificidades e necessidades, conseguiu finalmente concretizar este projecto. Porque as mulheres têm geralmente menos capacidade de oferecer garantias bancarias, uma vez que raramente detêm a propriedade da terra ou possuem empregos assalariados com remuneração regular, mas possuem uma enorme capacidade de trabalho e oferecem mais confiança no pagamento de crédito (demonstrado por vários estudos sobretudo relativos ao micro-crédito), assim como uma maior capacidade de gestão da riqueza (afinal são elas que de muito pouco fazem muito para alimentar as suas famílias), o Banco das Mulheres nasceu para elas. Para abrir uma conta basta apresentar um documento de identidade e depositar 2USD, para financiar os seus projectos basta apresentar ao banco as suas ideias e necessidades e negociar, caso a caso, cada pedido de crédito para o qual o banco dispõe de uma série de produtos de micro-crédito inovadores. Uma vez que as mulheres que mais necessitam destes serviços à medida, são as que vivem em meios rurais e mais isoladas, o Banco das Mulheres prevê a abertura de inúmeras pequenas filiais nas localidades mais pequenas assim como a criação de um serviço de apoio ao cliente e de operações bancárias disponível por telefone, a baixo custo e abrangendo todo o país numa primeira fase.&lt;br /&gt;O Banco das Mulheres, existe já em muitos países onde, à semelhança do que aconteceu com o Gramen Bank, disponibiliza uma série de produtos inovadores e adaptados às realidades locais, com  resultados excelentes, como no caso do Sri Lanka  ou da Índia. Em África esta é a primeira experiência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7475753913467104599?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7475753913467104599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7475753913467104599' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7475753913467104599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7475753913467104599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/banco-das-mulheres.html' title='BANCO DAS MULHERES'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SoEga9fU9pI/AAAAAAAAA-M/PCoNi-pjmos/s72-c/biz%2Bsub%2B2%2Bpix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-94255075058844022</id><published>2009-08-06T13:31:00.003+01:00</published><updated>2009-08-06T14:02:20.179+01:00</updated><title type='text'>Breves do Burgo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Seca&lt;/span&gt; A seca está a atingir proporções alarmantes no Quénia e a fazer-se sentir no dia-a-dia da grande cidade. Há muito que no norte, mais árido e desértico, as pessoas e os animais morrem de fome. Aparecia uma notícia  ou outra sobre o assunto, mas ninguém parecia preocupar-se muito... era longe, o norte é como se fosse outro país.&lt;br /&gt;O problema começou a ser levado a sério quando as consequência chegaram a Nairobi. O nível de água nas barragens é muito baixo e estamos a ter água e electricidade racionada, alternadamente em diferentes zonas da cidade. Os pobres, nos bairros de lata, não têm água hà muito tempo  e poucos tinham electricidade, mas nas zonas mais ricas começaram a cortar a electricidade 2 dias por semana e a água 3 dias por semana. Entretanto, já se assiste a um dinâmico negócio de venda de água nos bairros mais pobres, caríssima e preveniente não se sabe bem de onde. Os animais selvagens, como o hipopótamo estão em perigo em muitas zonas, as colheitas e a segurança alimentar também. Eu estou a viver num condomínio bom onde fico regularmente sem água e energia mas mesmo assim há quem continue a ter campos de golfe e jardins verdejantes e há quem esteja a ganhar dinheiro ilícito com os problemas dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pena de morte&lt;/span&gt; Está em discussão a nível nacional, desde que o Presidente resolveu intervir e suspender o cumprimento da pena aos cerca de 4000 condenados. Ainda me custa acreditar que é preciso ter esta discussão e fico sempre triste quando vejo a população a favorecer tal barbaridade. Eu, há que dize-lo, é a primeira vez que vejo o senhor Kibaki a fazer algo de jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Hillary Clinton&lt;/span&gt; A senhora esteve cá ontem para discursar numa conferência da AGOA. Foi uma emoção. A cidade parou. As mordomias foram muitas. Na falta de visita oficial do Filho Pródigo (ou seja, o Obama, que é tão visto como um queniano, que o outro dia um taxista me dizia "Eu sou de perto de Kisumu, da mesma terra do Obama!"), a visita da senhora foi o mais perto que os quenianos tiveram de reconhecimento por parte dos EUA. Estava tudo a correr muito bem, a fogueira de vaidades no seu auge, até a senhora subir ao palco para discursar e criticar o Quénia e o governo queniano. As críticas dispararam em todas as direcções, desde a falta de vontade política em levar a tribunal os responsáveis, já identificados, pelos massacres na crise pós-eleitoral, passando pela corrupção gritante do país. Foi um discurso prepotente, à americana, mas foi bem feito! Não que lhe reconheça autoridade moral para o fazer, mas porque já não aguento com esta Obamite, a doença que alastrou no país e que levou os quenianos ao absurdo. Pode ser que agora a coisa lhes passe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Floresta MAU&lt;/span&gt;. É um caso bicudo. Uma das maiores florestas do país, um dos pulmões do Quénia, fundamental para o equilíbrio ecológico de uma grande região, está praticamente destruída devido à ocupação (legal e na maior parte das vezes ilegal) de terras para exploração agrícola. A discussão nacional é acesa: é preciso proteger e reflorestar MAU para acautelar os efeitos do aquecimento global e para tal expropriar os ocupantes. Claro que os maiores proprietários de terra florestal são membros do parlamentos e das famílias reais. Obviamente quem está em vias de perder as terras são os pequenos agricultores. E no meio disto a discussão esvazia-se de sentido e a educação ambiental que poderia ter aqui um mote perfeito esmorece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-94255075058844022?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/94255075058844022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=94255075058844022' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/94255075058844022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/94255075058844022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/breves-do-burgo.html' title='Breves do Burgo'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7418903398681147298</id><published>2009-08-05T13:37:00.002+01:00</published><updated>2009-08-05T13:44:45.586+01:00</updated><title type='text'>MOMENTO RELAX DO DIA</title><content type='html'>Esta manhã entrei num autocarro que tinha um aviso em letras gordas "NO PREACHING!"&lt;br /&gt;Que alívio. Estou farta de ouvir pregações exaltadas, de gente de bíblia na mão, a tentar converter as almas perdidas nos  transportes públicos, nos parques e jardins com grandes amplificadores, nas feiras... por todo o lado!&lt;br /&gt;Pelo menos esta manhã, consegui atravessar a cidade sem ouvir falar no Senhor!&lt;br /&gt;É preciso explicar a esta gente que o efeito da pregação é contra-producente. Quanto mais ouço ler a bíblia aos berros mais me apetece fugir. Valha-me Deus!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7418903398681147298?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7418903398681147298/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7418903398681147298' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7418903398681147298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7418903398681147298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/momento-relax-do-dia.html' title='MOMENTO RELAX DO DIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2733761255986825463</id><published>2009-08-03T15:06:00.004+01:00</published><updated>2009-08-03T15:23:01.588+01:00</updated><title type='text'>CASA NOVA... OUTRA VEZ</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SnbwNRJLT_I/AAAAAAAAA9w/1OmVIMG9VqI/s1600-h/Mon+Aug+03+13-20-43.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 256px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SnbwNRJLT_I/AAAAAAAAA9w/1OmVIMG9VqI/s320/Mon+Aug+03+13-20-43.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365740116789383154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei de casa este fim de semana. Eu e a minha colega chegamos à conclusão que pelo mesmo preço que pagamos onde estávamos podíamos arranjar algo bem melhor. Além do mais, o nosso outro companheiro de casa, começou a revelar-se difícil de conviver. Por onde andava o homem deixava um rasto de lixo e desarrumação difícil de gerir e não se preocupava minimamente com a gestão da casa, deixando tudo a nosso cargo, nomeadamente o pagamento de contas.&lt;br /&gt;Esta casa, cujas fotos aqui publico, a pedido de muitas famílias é de um amigo nosso que vai estar mais de um &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Snbxa0GMuSI/AAAAAAAAA-A/gX3rFiNXJ4I/s1600-h/Mon+Aug+03+13-22-28.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Snbxa0GMuSI/AAAAAAAAA-A/gX3rFiNXJ4I/s320/Mon+Aug+03+13-22-28.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365741449022060834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;mês fora. Temos um mês de alojamento grátis e um mês para arranjar outra casa senão entramos na categoria dos sem-abrigo. Queremos uma coisa exactamente assim, aliás, houvesse casa igual neste condomínio e nem hesitavamos: casa nova, espaçosa, todos os quartos ensuite, piscina e ginásio... é um luxo que só posso usufruir enquanto estiver em África.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2733761255986825463?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2733761255986825463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2733761255986825463' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2733761255986825463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2733761255986825463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/08/casa-nova-outra-vez.html' title='CASA NOVA... OUTRA VEZ'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SnbwNRJLT_I/AAAAAAAAA9w/1OmVIMG9VqI/s72-c/Mon+Aug+03+13-20-43.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6070571445529436545</id><published>2009-07-30T19:03:00.002+01:00</published><updated>2009-07-30T19:35:59.323+01:00</updated><title type='text'>A PREPOTÊNCIA É UMA COISA MUITO FEIA!</title><content type='html'>Para quem ainda não sabe, o Quénia é tecnicamente uma democracia, com um sistema híbrido meio parlamentar e meio presidencial desde os conflitos pós-eleitorais, no ano passado. Só este facto já é suficiente para tornar esquizofrénico o exercício da política  neste país (hoje é preciso agradar ao PM, amanhã ao Presidente). Mas tudo piora se tivermos em consideração que apesar da roupagem democrática, o Quénia é na verdade governado por uma verdadeira Oligarquia. São meia dúzia de famílias poderosas, dos Moi (do antigo ditador) aos Kibaki (do actual Presidente), que na verdade governam o país sem concorrência, roubam o país descarada e impunemente e ditam as regras do jogo. No seio destas famílias ilustres (chegadas ao poder mais por chico-espertismo, do que por mérito ou herança) estão distribuídos os altos cargos públicos (e os médios e alguns baixos também) e a gestão de todas as empresas públicas e da maior parte das empresas privadas.&lt;br /&gt;Ora estes sistemas são propícios a provocar nas suas elites comportamentos bastante  anti-sociais e originam frequentemente sintomas de demência (excentricidades, claro!), na minha opinião porque estes infelizes vivem tão fora da realidade social e tão alheios a qualquer tipo de punição ou controlo, que perdem a noção das coisas e caem no ridículo de forma irreversível.&lt;br /&gt;Os exemplos são muitos e preocupantes. A esposa do Presidente, por exemplo, foi recentemente notícia por esbofetear em público um Membro do Parlamento porque ele andava a dizer mal do marido, pois claro. Claro que ela deu a primeira estalada e depois os guarda-costas continuaram a dar no canastro ao senhor, não fosse ele responder à agressão e dar nas trombas da Primeira Dama. Mas há mais, um juíz do Supremo Tribunal foi parado na rua por um polícia (que coitado não conhece todos os membros das famílias reais) e ficou tão incomodado que tirou a arma a um dos guarda-costas e disparou sobre o polícia. E só para terminar com um exemplo que eu já presenciei, a esposa do Governador de Nairobi anda pela cidade como se fosse a rainha do Sabá, rodeada de seguranças armados, que não hesitam em sair do carro e apontar armas aos outros carros no meio do trânsito para abrir caminho para a senhora.&lt;br /&gt;É lamentável um país com tanto potencial e tão maravilhoso ter uma élite tão necessitada de ajuda psiquiátrica. Eu sinto-me incomodada com o estado de saúde desta gente e além do mais, a prepotência é uma coisa muito feia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6070571445529436545?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6070571445529436545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6070571445529436545' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6070571445529436545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6070571445529436545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/07/prepotencia-e-uma-coisa-muito-feia.html' title='A PREPOTÊNCIA É UMA COISA MUITO FEIA!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5214404469211741591</id><published>2009-07-26T19:59:00.002+01:00</published><updated>2009-07-26T20:09:14.743+01:00</updated><title type='text'>INSÓLITOS DO DIA-A-DIA</title><content type='html'>Faço aqui uma pequena interrupção nas crónicas de viagem para partilhar dois momentos insólitos da semana.&lt;br /&gt;O primeiro aconteceu na sala de massagem. A meio da minha massagem sueca, estava eu muito zen, quase a dormir, quando de repente ouvi um som estranho que me despertou. Fiz um esforço para me ligar novamente à terra e dei conta que a massagista tinha adormecido agarrada ao meu pé esquerdo.... e ressonava, de pé! Não contive uma gargalhada e a pobre lá voltou à vida, muito envergonhada. Tem uma criança pequena que não a deixa dormir de noite e o ambiente da sala de massagem, com pouca luz, velas e musica calminha dá-lhe sono.&lt;br /&gt;O segundo aconteceu 2 vezes na minha cozinha. Comecei a achar estranho ficar com dores de estômago a seguir às refeições, até que percebi que andava a grelhar hamburgueres de frango com a películas de plástico. Eu bem que me parecia que os hamburgueres ficavam muito brilhantes depois de cozinhados, mas só à terceira, quando vi uma pequena película a descolar e resolvi puxar por ela é que percebi que aquilo era plástico. É no que dá congelar a comida, uma pessoa nem percebe o que está a comer!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5214404469211741591?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5214404469211741591/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5214404469211741591' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5214404469211741591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5214404469211741591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/07/insolitos-do-dia-dia.html' title='INSÓLITOS DO DIA-A-DIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1906266653150412011</id><published>2009-07-21T17:58:00.008+01:00</published><updated>2009-07-21T19:14:16.207+01:00</updated><title type='text'>VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS IV</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MURING&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A FARM, SUBUKIA&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYER5jQiNI/AAAAAAAAA80/a1_tw9_dR7o/s1600-h/DSC03543.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYER5jQiNI/AAAAAAAAA80/a1_tw9_dR7o/s320/DSC03543.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360977111984146642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(RIFT VALLEY)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de todos os imprevistos que se nos depararam na costa resolvemos regressar  a Nairobi o mais rapidamente possível para reorganizar o resto da viagem. Optamos por viajar de noite para poupar tempo e recorremos à companhia de autocarros que nos foi recomendada como a mais confortável e eficiente. Partimos de Malindi sob o lusco-fusco das 7h da tarde e chegamos a Nairobi ao raiar do dia às 5 e tal da manhã. Pelo meio, uma viagem memorável, num autocarro que desafia todos os princípios ergonómicos e que ganha aos pontos à Ryanair no que respeita à falta de espaço entre os bancos. Viajamos basicamente ensanduichadas entre o banco de trás e o da frente,  tipo dominó: se o banco da frente se reclina, temos de fazer o mesmo e por aí em diante até toda a fila estar reclinada. Tivemos direito a uma paragem para as autoridades inspeccionarem o autocarro em que fomos todos obrigados a sair para um parque, a meio da noite e ,em fila, dirigirmo-nos aos senhores guardas que muito ensonados e encostados à parede espreitavam as nossas carteiras e quando se sentiam menos cansados lá conseguiam revistar-nos. Depois mandavam-nos para o meio do parque em filas sem nos explicarem nada até que nos deixaram de novo seguir viagem. A Zimbie para variar dormiu o tempo todo e eu pobre de mim, de cada vez que acordava, quase que rezava para voltar a adormecer depressa de maneira a não me aperceber da velocidade alucinante do autocarro pelo meio de uma estrada sem luz e em muitos lugares sem alcatrão.&lt;br /&gt;Mas adiante… falemos de Subukia. Estávamos nós à procura de um lodge simpático e económico no Lago Nakuru, quando um belo dia entramos num talho e vimos no balcão folhetos de um lugar muito interessante por preços ainda mais interessantes, perto do lago. É uma daquelas coisas inesperadas que fazem parte do meu &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4ws635gI/AAAAAAAAA8E/iC8DsR6vWj8/s1600-h/DSC03529.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4ws635gI/AAAAAAAAA8E/iC8DsR6vWj8/s200/DSC03529.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360964447029945858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;dia-a-dia, uma pessoa entra no talho (que também é charcutaria e peixaria de congelados) para procurar ingredientes para cozinhar amêijoas a Bolhão Pato e Bacalhau com Natas (que não encontramos) e lá está… a Muringa Farm, a olhar para nós.&lt;br /&gt;Foi uma espécie de recompensa dos deuses pelos trabalhos passados em Malindi. Telefonamos para o número do folheto, reservamos a viagem e ainda tivemos direito a boleia de ida e de volta, porque o Eric e a Astrid estavam em Nairobi. São os donos da quinta, duas p&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4xPe3rII/AAAAAAAAA8U/TPZX70-J69Y/s1600-h/SDC10976.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4xPe3rII/AAAAAAAAA8U/TPZX70-J69Y/s200/SDC10976.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360964456307731586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;essoas maravilhosas que tivemos o privilégio de conhecer. Subukia é a concretização do sonho deles depois de anos em outros lugares de África, com ultima paragem no Gabão onde ela, veterinária, se ocupava de gorilas e ele de uma pequena pousada turística. Em Subukia, uma pequena localidade perto da cidade de Nakuru, em pleno Rift Valley, rodeada por um relevo de cortar a respiração e vales verde e férteis, encontraram a Muringa Farm, onde além da criação de vários animais e da agricultura, nomeadamente de algum café e produtos hortícolas resolveram construir um&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4w1hZuxI/AAAAAAAAA8M/12-q9GALvJs/s1600-h/SDC10768.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX4w1hZuxI/AAAAAAAAA8M/12-q9GALvJs/s200/SDC10768.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360964449339030290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; pequeno lodge com bandas (pequenas casas redondas tradicionais, cada uma com o seu painelzinho solar e tudo o que precisamos no interior para um belo descanso), uma sala de refeições e lazer na margem de um lago, onde a paisagem parece irreal e a gente quase que se tem de beliscar para ter a certeza de não estarmos a sonhar, o Charles, um chef que nos deleitou com as mais gourmet e deliciosas iguarias (apesar de o próprio Eric ter feito uma mousse de chocolate do outro mundo) e uma série de actividades à escolha, desde safaris ao lago Nakuru até passeios a cavalo, caminhadas de montanha e parapente.&lt;br /&gt;Passamos lá uns belos dias, rodeadas de gente amável e interessante (não só os donos mas todo o staff da quinta) no meio da natureza e da tranquilidade.  Gostei particularmente de ter d&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX-l9m96DI/AAAAAAAAA8c/SYWURKC78DA/s1600-h/DSC03738.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmX-l9m96DI/AAAAAAAAA8c/SYWURKC78DA/s200/DSC03738.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360970859601061938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;e atravessar o pequeno trilho pela floresta (cheia de macacos ao fim do dia) para chegar à “sala de refeições” , sobretudo à noite guiadas pelas nossas lanternas a óleo e a evitar sermos atingidas por galhos e arbustos mais afoitos. É preciso registar que nem sempre fomos bem sucedidas. Uma das árvores dá uma curva interessante mesmo no meio do trilho e fica á altura das nossas testas. A primeira vítima foi a Zimbie, mas eu também não escapei e quando a árvore me atingiu, bateu-me com &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYBDZrV8sI/AAAAAAAAA8k/BSvCfOn0Usw/s1600-h/DSC03781.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 160px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYBDZrV8sI/AAAAAAAAA8k/BSvCfOn0Usw/s200/DSC03781.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360973564375069378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;tanta força que eu caí literalmente de joelhos e fiquei a ver estrelas e sem me mexer uma data de tempo.  Pequenos inconvenientes das florestas, nada de mais! Os passeios pela quinta e sobretudo à volta do lago também são fantásticos. O lago está rodeado de pássaros, flores, árvores… é um mundo.&lt;br /&gt;O incidente mais insólito aconteceu quando um belo dia eu resolvo ir passear a cavalo depois do almoço enquanto a Zimbie resolve ficar recostada a fazer a digestão e a ler em frente ao lago.  Note-se que já andei muitas vezes a cavalo, já fiz muitos passeios de horas e dias inteiros a cavalo, note-se ainda que havia um guia à minha frente e um tratador de cavalos no chão ao meu lado a segurar as rédeas enquanto eu desapertava o impermeável atado à cintura porque começava a chover. Note-se muito bem que o meu cavalo estava totalmente imobilizado e seguro pelo tratador, quando de repente, sem saber porquê o&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYCUsJn1rI/AAAAAAAAA8s/oE5Va6heFYA/s1600-h/SDC10960.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 178px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYCUsJn1rI/AAAAAAAAA8s/oE5Va6heFYA/s200/SDC10960.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360974960903313074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; bicho resolve desaparecer-me de debaixo das pernas e correr para só voltar a ser visto muito mais tarde. Eu ainda fiz um belíssimo movimento de rodeo e braço no ar a tentar equilibrar-me, mas sem cavalo, a força da gravidade não perdoou e eu caí estatelada no chão. Não foi bonito! Ele era palha e ervas no cabelo, hematomas nas pernas e nos braços, dores na anca e no tornozelo, uma desgraça… e eu tremia como varas verdes. Mas quando a Zimbie me viu chegar neste estado e pedir gelo ao Charles para pôr na anca… não aguentamos de tanto rir. E descobri que é um bom remédio porque tirando uma nódoa negra feia numa perna não ficaram mais mazelas.&lt;br /&gt;A partir da Muringa Farm fomos ao maravilhoso Parque Nacional do Lago Nakuru, mas essa história fica para mais tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1906266653150412011?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1906266653150412011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1906266653150412011' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1906266653150412011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1906266653150412011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/07/volta-ao-quenia-em-3-semanas-iv.html' title='VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS IV'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmYER5jQiNI/AAAAAAAAA80/a1_tw9_dR7o/s72-c/DSC03543.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4646402417170831395</id><published>2009-07-19T16:09:00.006+01:00</published><updated>2009-07-19T16:39:25.566+01:00</updated><title type='text'>VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS III</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM7ccancaI/AAAAAAAAA7c/Mir01_XMr_4/s1600-h/SDC10564.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM7ccancaI/AAAAAAAAA7c/Mir01_XMr_4/s320/SDC10564.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360193341351227810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MALINDI&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso dizer que a nossa viagem pela costa sofreu várias alterações desde o início. Primeiro era suposto ser a última paragem e acabou por ser a primeira e em segundo lugar tínhamos decido ir para Watamu, a seguir a Mombasa, com a certeza de aí encontrar uma bela praia tropical, muito sol e sossego, longe dos lugares mais dedicados ao turismo de massas como Diani ou Malindi. Acontece que ainda em Mombasa tivemos a oportunidade, um dia, de um passeio até Malindi com alguns amigos e aproveitamos para passar por Watamu, para ver se o hotel que tínhamos escolhido era simpático. Só aí percebemos que estávamos na época mais baixa da época baixa na costa e começamos a ver a nossa vida a andar para trás.  Watamu, que é uma povoação pequena, estava deserta e a maior parte dos hotéis fechados, incluindo o nosso. A culpa foi minha. Parti do princípio que sendo época alta para os safaris, ninguém no seu perfeito juízo ia deixar de visitar a maravilhosa costa do Índico. Não é verdade. Quem quer ver animais selvagens não está interessado na praia e vice-versa. Eu, cá para mim, cada vez me convenço mais que há gente muito estranha.&lt;br /&gt;Com os nossos planos empenados e a costa deserta, Malindi acabou por nos parecer uma possibilidade agradável. Sempre tinha um pouco mais de vida, o reboliço que me aborreceria na época alta não existia e um bom negócio para alugar uma casa quase em frente à praia a um familiar de um dos nossos amigos, acabou por nos convencer.&lt;br /&gt;No dia da viagem, acordamos cedinho para apanhar o autocarro de Mombasa para Malindi, a cerca de uma hora de viagem, e a Zimbie sentia-se muito mal disposta. Comecei a ver a minha vida a andar cada vez mais para trás mas lá fomos, depois de um “vai de autocarro”, “vai de matatu”, muita conversa com os angariadores de clientes e a Zimbie encostadita à mala a dizer que estava mal disposta e que precisava de espaço, conforto e um lugar à janela. Acabamos por viajar no Malindi Shutle Service, o Matatu dos Matatus, na fila da frente, com todas as condições para a &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM8w69DqfI/AAAAAAAAA7k/mt66wHCT5t0/s1600-h/SDC10697.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 160px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM8w69DqfI/AAAAAAAAA7k/mt66wHCT5t0/s200/SDC10697.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360194792657758706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;doentinha.&lt;br /&gt;O pior foi eu própria começar a sentir-me mal e a Zimbie continuar a piorar. A coisa acabou no consultório do Sr. Doutor, com as duas piores que o chapéu de um pobre e a Zimbie quase em estado de decomposição. Os nossos pobres estômagos e intestinos não gostaram da comidinha Swahili, apesar de nós termos gostado e querermos experimentar de tudo.&lt;br /&gt;Entretanto, e para nosso espanto (eu fiquei para a minha vida com tanto azar), levamos com uma tempestade tropical em cima. Só nos restava a enorme capacidade de nos rirmos de nós próprias, num paraíso tropical, enfiadas na cama, com intoxicação alimentar e chuva e trovoada de bradar aos céus.&lt;br /&gt;De Malindi ficamos com a ideia de ser um lugar aprazível fora da época mais turística (Dezembro), apesar de estar cheio de expatriados italianos, de os habitantes locais falarem em italia&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM9Lh9vZkI/AAAAAAAAA7s/6FSLlRUVwtE/s1600-h/SDC10659.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM9Lh9vZkI/AAAAAAAAA7s/6FSLlRUVwtE/s200/SDC10659.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360195249806206530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;no a todos os mzungo, de haver um assédio irritante aos turistas e de os monumentos serem no mínimo hilariantes. Eu sei que não é&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM9qE0LEcI/AAAAAAAAA70/l1VQUHzJ-XE/s1600-h/SDC10687.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM9qE0LEcI/AAAAAAAAA70/l1VQUHzJ-XE/s200/SDC10687.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360195774557393346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; bonito gozar com os monumentos dos outros, mas convenhamos, a coisa mais famosa é o Pilar do Vasco da Gama, que não passa de uma espécie de menir pousado em cima de um rochedo e que ainda nos obrigam a pagar para o ver… como se tivesse alguma coisa que ver… enfim! Depois, há a magnífica capela, igreja… já nem sei bem, Portuguesa, tão única que ficava ao lado de nossa casa e não demos por ela. Na verdade, é uma cabana com telhado de palha e dizem que os marinheiros portugueses rezavam lá. Eu cá para mim era a tasca dos tugas e a história foi deturpada.&lt;br /&gt;Perante a falta de monumentalidade dos afamados lugares históricos, resta a Malindi e à costa em geral a monumentalidade da paisagem. A mesma paisagem encantadora da costa norte de Moçambique, com florestas de mangue e marés que fazem desaparecer o mar, palmeiras e vegetação luxuriante e areais brancos e macios onde apetece tudo menos estar doente em casa, comer esparguete de couve branca com caril (nem vou explicar!!!) e levar com chuva a torto e a direito.&lt;br /&gt;Com este cenário, não nos restou mais nada senão desistir e regressar mais cedo a Nairobi para reorganizar o resto das férias. Não perdemos tempo e no dia em que decidimos partir, viajamos no autocarro da noite e tivemos uma experiência do outro mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4646402417170831395?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4646402417170831395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4646402417170831395' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4646402417170831395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4646402417170831395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/07/volta-ao-quenia-em-3-semanas-iii.html' title='VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS III'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SmM7ccancaI/AAAAAAAAA7c/Mir01_XMr_4/s72-c/SDC10564.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3347861709094160911</id><published>2009-07-15T10:00:00.005+01:00</published><updated>2009-07-15T18:39:57.819+01:00</updated><title type='text'>VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl4UBVFDm4I/AAAAAAAAA7U/CdE9-hCLCUw/s1600-h/DSC03427.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl4UBVFDm4I/AAAAAAAAA7U/CdE9-hCLCUw/s200/DSC03427.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358742619688246146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;MOMBASA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mombasa é uma cidade cheia de história, de encantos, pitoresca e é geograficamente uma ilha, na costa sul do Quénia, banhada pelo Índico. Dela dizem que não tem meio termo, que quem a conhece ou a detesta ou a adora.&lt;br /&gt;Eu, antes demais, devo dizer que para minha grande frustração detestei a cidade. É difícil de explicar este sentimento, tem a ver com algo que se sente no ar, com o ambiente de um lugar, com algo pouco objectivo. Eu detestei praticamente tudo: a falta de verde, o lixo, a degradação dos edifícios, os maus cheiros, a exploração dos turistas, o assédio imbecil dos habitantes locais que torna qualquer passeio exasperante, a chuva que não nos largou, a feiura da cidade.&lt;br /&gt;Dito isto, e depois de partilhar as emoções negativas que a cidade me suscitou  vou tentar ser objectiva. É impossível falar do Quénia sem falar em Mombasa, a segunda maior cidade do país, na costa do Índico, durante séculos um entreposto fundamental para o comércio internacional, com uma longa e profunda influência árabe que se reflecte na arquitectura e na cultura Swahili predominante. A cidade velha, seria belíssima se não estivesse a cair de podre, com as suas ruas estreitinhas a fervilhar de comércio, com as suas portas rendilhadas maravilhosas, as varandas esculpidas e as mesquitas das mil e uma noites. Nota-se algum esforço de recuperação e reabilitação urbana mas insignificante, na minha opinião, para aquilo que Mombasa merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nk4wXCrI/AAAAAAAAA6k/UFJMnBc3OA0/s1600-h/DSC03439.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nk4wXCrI/AAAAAAAAA6k/UFJMnBc3OA0/s200/DSC03439.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358623383793109682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nlKvm2yI/AAAAAAAAA6s/OTJaYYEaaGE/s1600-h/DSC03418.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 133px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nlKvm2yI/AAAAAAAAA6s/OTJaYYEaaGE/s200/DSC03418.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358623388621789986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nlqdt-pI/AAAAAAAAA60/k-ZfWmGs4lk/s1600-h/DSC03440.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 150px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2nlqdt-pI/AAAAAAAAA60/k-ZfWmGs4lk/s200/DSC03440.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358623397136693906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à cidade depois de umas 10h de autocarro, que partiu de Nairobi e atravessou o sul do país até à costa. Para dizer a verdade, a coisa correu bem melhor do que pensei. O autocarro, da Akamba, era um luxo para os padrões locais, confortável, limpo, com uma paragem numa boa zona de serviço para a malta esticar as pernas, comer qualquer coisa, fumar um cigarro e fazer xi xi. A única coisa insólita de que me lembro são as paragens na berma da estrada para os xi xis intermédios. O autocarro pára literalmente na berma do mato e é ver a malta a sair para aliviar a bexiga. Em segundos forma-se uma fila de homens de costas para o autocarro a regar o capim e o mulherio desaparece no meio da vegetação mais densa. Fez-me uma certa confusão e não achei prático. Reclamações, só mesmo daquele troço da estrada sem asfalto que desafiava a suspensão do autocarro e a gravidade do planeta, apesar de a Zimbie conseguir dormir no meio da nuvem de pó que tentava engolir-nos e dos solavancos que faziam lembrar poços de ar em viagens de avião.&lt;br /&gt;O nosso hotel, escolhido por recomendação da Lonely Planet e sem reserva, acolheu-nos bem na sua simplicidade e diria, mediocridade. Não tem história nem alma, é um sítio chato: nem bom nem mau, nem bonito nem feio, nem caro nem barato… enfim, adiante.&lt;br /&gt;A noite chegou e com ela a fominha e a necessidade de encontrar um sítio para comer e aí acontece o grande incidente insólito da viagem. Convenhamos: qual a probabilidade de atravessar o país, chegar a uma cidade desconhecida, virar uma esquina, encontrar um restaurante simples mas com boa pinta e encontrar lá, a jantar o Hashim, uma pessoa maravilhosa que tínhamos conhecido em Nairobi no dia da nossa chegada? Nem queríamos acreditar nos nossos olhos e a partir daí tivemos companhia da melhor qualidade, viatura com chaufeur, convites para ir aqui e ali, visita guiada a bons restaurantes e algumas maravilhas locais e muitas, mas muitas gargalhadas, além da oportunidade de conhecer mais algumas pessoas muito especiais.&lt;br /&gt;O mundo é mesmo muito pequeno! E  não pára de nos surpreender.&lt;br /&gt;Ao contrário do que pensávamos o tempo na costa estava muito mau, chovia que se fartava e praia… nem vê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wXer4k_I/AAAAAAAAA7E/FFIO-W7VVm8/s1600-h/DSC03449.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 200px; height: 164px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wXer4k_I/AAAAAAAAA7E/FFIO-W7VVm8/s200/DSC03449.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358633049061364722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dia, ficamos por nossa conta na cidade e fomos visitar os monumentos e a cidade velha… foi difícil. Valeu-nos o tuk tuk, que descobri ser o melhor meio de transporte do mundo, uma espécie de motoreta com uma parte de trás coberta e lugar para 3 passageiros. É rápido, fácil de encontrar e prático para deslocações curtas (é maravilhoso em dias de chuva).&lt;br /&gt;A nossa primeira paragem foi no Forte Jesus, construído pelos tugas. É “O” monumento da cidade, é grande, percebe-se que foi uma fortaleza… mas era um sítio chato para viver (ou os&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wW6DZhTI/AAAAAAAAA68/hin7Af4E_sk/s1600-h/DSC03430.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 200px; height: 131px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wW6DZhTI/AAAAAAAAA68/hin7Af4E_sk/s200/DSC03430.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358633039227880754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nossos compatriotas não teriam enchido as paredes de grafitis). Coitados, deviam sentir-se muito aborrecidos com aquele calor húmido sufocante, longe de casa, sem internet nem TV Cabo, com mulheres camufladas por grandes camadas de panos e rodeados de Infiéis. Era uma vidinha difícil. Agora, para ser sincera, eu percebo que o forte seja uma coisa do outro mundo para os padrões locais, americanos, autralianos e tal… agora para nós baahhh! Não é nada de especial! Quem tropeça no castelo do Queijo por tudo e por nada e conhece Sagres e outros que tal não fica facilmente excitado com a coisa…. Com excepção para o museu, esse sim, digno de nota, como se pode ver pelas fotos, mas sem qualquer mérito por parte dos Portugueses &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wXtBEbSI/AAAAAAAAA7M/NNlK_7Gfx-U/s1600-h/DSC03424.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 200px; height: 128px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl2wXtBEbSI/AAAAAAAAA7M/NNlK_7Gfx-U/s200/DSC03424.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358633052908317986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;LOL.&lt;br /&gt;O pior mesmo foi depois o passeio pela cidade velha, com cromos constantemente a quererem ser nossos guias, com um caso grave de assédio turístico e uma vontade constante de arrancar os olhos a pessoas que se aproximavam de nós. Se não tivermos cuidado Mombasa pode induzir comportamentos profundamente antissociais nos visitantes.&lt;br /&gt;A seguir abalamos para Malindi, para fazer praia e descansar ao sol… mas esse capítulo fica para depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3347861709094160911?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3347861709094160911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3347861709094160911' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3347861709094160911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3347861709094160911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/07/volta-ao-quenia-em-3-semanas-ii_15.html' title='VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS II'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sl4UBVFDm4I/AAAAAAAAA7U/CdE9-hCLCUw/s72-c/DSC03427.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1074821265700006237</id><published>2009-06-29T22:35:00.003+01:00</published><updated>2009-06-29T23:37:05.209+01:00</updated><title type='text'>VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS I</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;As aventuras e desventuras de 2 tugas à solta pelo país, de lés a lés.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 3 semanas em Portugal, com passagem pela gelada e desinteressante Alemanha e de muitas saudades matadas no país onde a cegonha me deixou acidentalmente cair, voltei ao Quénia.&lt;br /&gt;Soube bem voltar à minha casa em Nairobi, rever algumas pessoas e lugares e com a certeza de ficar mais nove meses, numa cidade de que gosto cada vez mais,  onde me sinto cada vez melhor e onde tenho muito que viver e aprender.&lt;br /&gt;Mas não regressei sozinha. Voltei com a Zimbie, que veio de férias e que durante 3 semanas vai andar comigo de um lado para o outro. É bom poder partilhar estas experiências e é melhor ainda ter testemunhas que confirmem muitas das coisas insólitas aqui relatadas.&lt;br /&gt;Chegamos a Nairobi pior que o chapéu de um pobre, depois de 28 horas de viagem, 3 aviões, um almoço no Maxwells, em Covent Garden e uma paragem em  Dohoa, no Qatar, às 6 da manhã com os 31º mais insuportáveis de que me lembro. Definitivamente, marcar viagens que dão a volta a meio mundo para poupar uns eurozitos, não são recomendáveis pois o balanço entre o custo e a nossa sanidade física e mental fica muito desequilibrado. Salvou-nos a massagem que eu já tinha deixado marcada no Silver Springs e que nos ajudou a pôr os ossos no sítio e a recuperar alguma energia. Os primeiros dias passaram-se em Nairobi para a Zimbie conhecer a cidade e ter a oportunridade de conhecer algumas das pessoas maravilhosas com que me tenho cruzado. Passamos pelos melhores restaurantes, na melhor das companhias (ela também já começou a conhecer a comunidade somali, os véus e as burcas com que me dou), tivemos a bela surpresa de sermos convidadas para jantar na cottage nova de um amigo meu italiano que vive agora em Nairobi, como quem vive no campo, de experimentar autocarros, taxis fedorentos e de luxo, matatus (aliás até tivemos direito a boleia de um matatu à borla), passeios a pé e muito riso e boa disosição. Muito haveria que contar, muito nos temos divertido mas é impossível referir tudo e a Zimbie já percebeu que tudo pode acontecer e que o insólito e o extraordinário espreitam em cada esquina. Desde a iniciação à negociação de todos os preços, ao táxi coberto de carpélio sem fechos para abrir os vidros que levaram as nossas alergias ao rubro, ao carro de luxo com motorista que os gangsters (uns amores de pessoas que negoceiam com treino de forças de segurança e sabe-se lá que mais) puseram à nossa disposição para passar um dia em Karen, à lição que demos a um grupo de taxistas que não baixaram os preços decentemente e que nos viram horrorizados a apanhar um matatu numa das zonas mais in da cidade, carregadas de sacos de compras, juntamente com o nosso amigo italiano, até à travessia de uma espécie de trilho florestal de noite, a pé, sem luz para chegar a casa dele e á visita a uma das minhas organizações de Comércio justo preferidas, aconteceu-nos de tudo.&lt;br /&gt;Depois ao contrário do previsto e de um dia para o outro resolvemos abalar para Mombasa. Nove horas de viagem de autocarro, um hotel baratinho e muito decente no centro da cidade e eis que o impossível acontece: entramos na esplanada de um restaurante e encontramos um amigo que tinhamos conhecido em Nairobi, conhecemos outros amigos dele e desde aí temos tido jipe e motorista para passear, fomos a Malindi e conseguimos através deles um belo negócio num hotelzinho junto a praia (para onde vamos amanhã), visitamos e usufruimos do melhor hotel de Mombasa, onde eles estão (sim, nós somos as mzungu mais rascas e tesas que já passaram por este país, uma espécie de criaturas no fim da cadeia alimentar) e conhecemos as melhores coisas da região.&lt;br /&gt;Hoje foi dia de andarmos à solta na cidade velha em Mombasa, visitar o forte Jesus (para quem conhece o castelo do queijo não é nada de especial... mas prontos, aqui é um monumento do caraças), percorrer as ruelas da cidade medieval (com um cromo colado a nós, armado em guia turístico, a quem ia arrancando os olhos), andar de tuk tuk (um veículo híbrido entre a motorizada de deficientes e o táxi) que é um espectáculo e com direito a um final de noite memorável a beber Safron milk sheik na esquina de uma mesquina e a rir desalmadamente com os nossos mais novos amigos., com quem acabamos por ir a discoteca mais kitcsh, psicadélica e bem situada (e fente ao mar) de Mombasa. Devo dizer que não gostei nada de Mombasa (ao contrário da Zimbie): É feia, está a cair de podre, cheira mal, as pessoas sao chatas e tentam explorar ao máximo os turistas, não tem espaços verdes... fez-me lembrar o Cairro! (Que também detestei)&lt;br /&gt;Amanhã abalamos para Malindi para usufruir de uns dias de praia até ao fim de semana e depois... safari com a gente!&lt;br /&gt;As comunicações não são fáceis. Estamos com uma vida social muito exigente, a safaricom tem funcionado mal e poucas oportunidades temos tido para dar noticias. Vou tentar relatar factos da viagem com mais frequência... e colocar algumas fotos também. Agora tenho de nanar - mimi nitalala!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1074821265700006237?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1074821265700006237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1074821265700006237' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1074821265700006237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1074821265700006237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/06/volta-ao-quenia-em-3-semanas-i.html' title='VOLTA AO QUÉNIA EM 3 SEMANAS I'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2752169489686105410</id><published>2009-06-14T23:49:00.003+01:00</published><updated>2009-06-15T00:05:37.336+01:00</updated><title type='text'>REGRESSO TEMPORÁRIO  À PÁTRIA</title><content type='html'>De regresso a Portugal, com passagem pela gelada e aborrecida Alemanha, ando a aproveitar para matar saudades da família, dos amigos, do mar e da praia, das francesinhas, do vinho tinto, das gargalhadas fáceis partilhadas com quem me conhece.&lt;br /&gt;E para ilustrar o meu estado de espírito nada melhor que este belo mini vídeo sobre a minha família feito pela minha prima Joana :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=uqPXGAbacos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2752169489686105410?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2752169489686105410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2752169489686105410' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2752169489686105410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2752169489686105410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/06/regresso-temporario-patria.html' title='REGRESSO TEMPORÁRIO  À PÁTRIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2628577194734194260</id><published>2009-05-25T12:28:00.003+01:00</published><updated>2009-05-25T12:55:56.634+01:00</updated><title type='text'>KAREN, O LADO MAIS BURGUÊS DA CIDADE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBd5jq33I/AAAAAAAAA1I/vYCJ5StCfiY/s1600-h/talisman+3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBd5jq33I/AAAAAAAAA1I/vYCJ5StCfiY/s320/talisman+3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339722658867765106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBd-nAkDI/AAAAAAAAA1Q/GLRJxsGPH-A/s1600-h/talisman+4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBd-nAkDI/AAAAAAAAA1Q/GLRJxsGPH-A/s320/talisman+4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339722660223946802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;É a parte mais rica de Nairobi. A maioria dos habitantes são descendentes de antigos colonos, uma pequena percentagem são novos ricos, as propriedades são enormes e alguns dos restaurantes e bares da moda estão aqui, integrados em jardins maravilhosos, com decorações de cortar a respiração e a fazer-nos sentir quase noutro país. É aqui o cume dos contrastes da cidade.&lt;br /&gt;Usufruir de todo este luxo, conforto, bom gosto e bem-estar tão perto de bairos de lata e de gente que vive com menos de 50 euros por mês, provoca-me crises existênciais e taquicardia.&lt;br /&gt;Mas tenho de confessar que aproveitar um belo domingo se Sol, como o que passou para almoçar no jardim do Talisman (em cima) e provar o maravilhoso sushi e chamuças de coentros e feta na companhia de um belo vinho branco italiano, seguido de capuccino e bolo de chocolate no Karen coffee house (em baixo) junto a uma árvore de jasmim completamente florida que enchia o ar de um aroma doce e suave... quase q&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBeSYiHGI/AAAAAAAAA1Y/slWobXDtt8s/s1600-h/karen-blixen.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 225px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBeSYiHGI/AAAAAAAAA1Y/slWobXDtt8s/s320/karen-blixen.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339722665531939938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ue faz esquecer o lado pobre da cidade, e por umas horas sentimo-nos simplesmente privilegiados!&lt;br /&gt;Agora para me livrar do sentimento de culpa vou passar a semana a andar de matatu e a comer em casa... porque, convenhamos que apesar de europeia sou patrocinada pela FCT ( não pelas Nações Unidas, como muita gente que anda por Karen) e o meu orçamento não é suficiente para andar pelo distrito muitas vezes :).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2628577194734194260?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2628577194734194260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2628577194734194260' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2628577194734194260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2628577194734194260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/karen-o-lado-mais-burgues-da-cidade.html' title='KAREN, O LADO MAIS BURGUÊS DA CIDADE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShqBd5jq33I/AAAAAAAAA1I/vYCJ5StCfiY/s72-c/talisman+3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7133399872673150294</id><published>2009-05-24T19:33:00.002+01:00</published><updated>2009-05-24T19:51:43.843+01:00</updated><title type='text'>NOTÍCIA DO DIA</title><content type='html'>O Quénia tem um estádio nacional degradado e miserável e não tem orçamento para o remodelar ou sequer manter.&lt;br /&gt;A Coca Cola Company não tem nenhum estádio, mas tem muito dinheiro.&lt;br /&gt;O próximo campeonato do mundo de futebol na África do Sul vai atrair muita atenção desportiva para a região.&lt;br /&gt;O governo do Quénia fez um contrato de muitos milhões de Sh  com a Coca Cola para a empresa patrocinar a remodelação do estádio nacional.&lt;br /&gt;O casamento parecia perfeito, os noivos estavam felizes mas foi tudo cancelado antes mesmo de começar.&lt;br /&gt;A Coca Cola só avança com o patrocínio se o governo aceitar mudar o nome do estádio nacional (do qual não me recordo agora) para Coca Cola National Stadium. O Governo diz que nem pensar. O povo tá chateado porque quer é bola.&lt;br /&gt;É estranho ninguém ter falado nisto antes de assinarem o contrato.  A Coca Cola exige uma pipa de massa ao governo por quebra de contrato. Eu acho que alguém deve andar a ganhar dinheiro público com esta treta e só penso "Meu rico estádio do Dragão! A tristeza que era ver o glorioso FCP a jogar num estádio Coca Cola".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7133399872673150294?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7133399872673150294/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7133399872673150294' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7133399872673150294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7133399872673150294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/noticia-do-dia.html' title='NOTÍCIA DO DIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-307623815723362850</id><published>2009-05-21T16:08:00.003+01:00</published><updated>2009-05-21T16:42:30.500+01:00</updated><title type='text'>THE BUS EXPERIENCE</title><content type='html'>A saga dos transportes continua. Hoje tive de ir ao distrito de Karen fazer uma entrevista e como é uma zona muito periférica da cidade (recordo que se chama Karen por causa da Karen Blixen, que tinha aqui a sua  "farm in africa") fica caríssimo vir de táxi. Assim o melhor é ir de autocarro ou matatu e depois l&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShV2ADn7tAI/AAAAAAAAA1A/GJktWcioosg/s1600-h/2245323833_7082e0a32d.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShV2ADn7tAI/AAAAAAAAA1A/GJktWcioosg/s200/2245323833_7082e0a32d.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338302676662465538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;á andar de táxi.&lt;br /&gt;Normalmente eu uso os matatus (aka hiaces) porque os autocarros apesar de nos parecerem mais familiares e seguros não são. Tal como os primeiros estes também circulam a desfazer-se e a alta velocidade e se uma pessoa calha, por exemplo, de estar num dos bancos do fundo e tem de se levantar para sair corre o risco de acabar no colo de alguem ou a voar por uma janela fora. Os matatus aproveitam melhor a força da gravidade e quando uma pessoa vai no fundo, tem de sair toda a gente primeiro para nos dar passagem. Mas isto não interessa nada. O que interessa é que no regresso de Karen assisti a uma cena que já me tinham dito que era frequente nos autocarros.&lt;br /&gt;Ora estou eu sentadinha junto à saída, bem instalada, o autocarro vai cheio e a todo o gás pela Ngong Road abaixo, quando se levanta uma senhora que ia dois bancos mais à frente. Levanta-se mas em vez de se preparar para sair, não, vira-se para trás, apoiada nas costas do banco (fica portanto de frente para mim) e eu apanho um grande susto porque se estava mesmo a ver pela cara dela que não tinha o juizinho todo... e curiosamente... reparei eu, usava uma daquelas tiras brancas no pescoço como os padres católicos. Eu olho para a janela a ver a paisagem e então come&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShV1_2XLcoI/AAAAAAAAA04/OLbv0SJGLVI/s1600-h/3183163244_aaab5eb057_m.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShV1_2XLcoI/AAAAAAAAA04/OLbv0SJGLVI/s200/3183163244_aaab5eb057_m.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338302673102533250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ça o sermão. A senhora... pastora, angariadora de almas, pregadora... não tem mais nada, abre a Bíblia, enche os pulmões de ar e começa a pregar apaixonadamente (leia-se aos berros e muito expressivamente) até ficar roxa. Pelos visto só eu é que achei a coisa um bocadinho estranha. Até houve quem lhe desse moedinhas!! Eu pela minha parte  só lhe pagava se ela se calasse porque foi mais de meia hora de sermão até chegar a casa.&lt;br /&gt;Eu não acho bem usarem os transportes públicos para dar sermões às pessoas. É muito esquisito e dá vontade de rir, num contexto em que se sente no ar a ameaça da fogueira, para o desgraçado do herege incauto que ouse dar umas gargalhadas. Definitivamente a malta aqui tem pouco sentido de humor! Eu liguei o Ipod e vim parte da viagem a ouvir os Moonspel para equilibrar a coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-307623815723362850?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/307623815723362850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=307623815723362850' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/307623815723362850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/307623815723362850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/bus-experience.html' title='THE BUS EXPERIENCE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ShV2ADn7tAI/AAAAAAAAA1A/GJktWcioosg/s72-c/2245323833_7082e0a32d.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8305256752129683678</id><published>2009-05-20T10:16:00.002+01:00</published><updated>2009-05-20T11:22:55.741+01:00</updated><title type='text'>TAXI EXPERIENCE</title><content type='html'>Em Nairobi andar de taxi é caro, os taxistas conduzem como loucos, algumas viaturas parece que se vão desintegrar durante a viagem (se bem que outras são cinco estrelas) e é preciso negociar sempre o preço da viagem antecipadamente. No entanto, são imprescindíveis quando se sai à noite ou quando queremos chegar a uma determinada hora ao lado oposto da cidade.&lt;br /&gt;Quase todas as viagens de táxi têm história e já me aconteceu quase tudo, desde ficar parada no meio de nenhures sem gasolina (felizmente durante o dia) até andar tempos infinitos à procura de uma rua porque a expressão "não sei" é inexistente no vocabulário dos taxistas. Mas esta semana aconteceram duas experiências que de tão insólitas merecem lugar de destaque aqui no blogue.&lt;br /&gt;Uma aconteceu comigo... outra com uma amiga. Comecemos pela segunda.&lt;br /&gt;Eramos 3 raparigas. Saímos para jantar, dançar e assistir a um concerto e no final apanhamos um táxi para casa. Eu e a minha colega viemos para nossa casa e o táxi depois seguiu para levar a nossa amiga. Certificamo-nos que ele tinha percebido bem onde ela morava (a 5 minutos de nós), despedimo-nos e fomos dormir. Meia hora depois ela liga-nos nervosa porque o taxista andava perdido e ela não lhe conseguia explicar onde morava porque também já tinha perdido a noção de onde estava. Lá lhe tentamos explicar novamente ao telefone. Mais uma meia hora depois, a desgraçada liga outra vez, agora em lágrimas, a dizer que estava no meio de uma estrada onde só via floresta, que o taxista não atinava com o caminho e que não falava com ela. Eram umas 4 da manhã, a cidade está rodeada por várias florestas e não sabiamos onde ela tinha ido parar. Falamos com o taxista e dissemos para a trazer de volta a nossa casa, ao lugar onde nos tinha deixado e que se ela não chegasse dentro de 15 minutos alertavamos a polícia para ir atrás dele. O sujeito diz que não sabe onde está, que não se lembra onde nos deixou e que vai tentar parar numa estação de serviço e perguntar. Que raio de situação! Passado quase uma hora, chega a nossa amiga, em estado de choque, num carro da polícia. O taxista pelos vistos continuou às voltas indefinidamente, até que uma operação stop o mandou parar. Em vez disso ele acelerou e ela em pânico abriu a janela e começou a gritar. Foram perseguidos pela polícia (que surpreendentemente fez um excelente trabalho :)) e quando o táxi finalmente parou providenciaram um carro para a trazer a nossa casa e até hoje não sabemos o que aconteceu ao raio ao homem. Espero que esteja a arder no inferno dos taxistas! Depois deste episódio resolvemos tomar precaussões: nunca fica uma rapariga sozinha para o fim da viagem à noite (se isso acontecer a que mora mais longe dorme em nossa casa) ou então vamos com um dos amigos homens que conhecemos, o que é muito sexista... mas enfim, a situação pede medidas extremas!&lt;br /&gt;A outra experiência, que se passou comigo e com um amigo columbiano foi mais hilariante, mas com o passar do tempo quase terminou em tragédia porque eu já estava capaz de esganar o taxista. Era domingo, queríamos ir à Nairobi Gallery para ver uma exposição de fotografia. Entramos no táxi, informamos qual o nosso destino e o homem pergunta com a maior naturalidade do mundo "Onde fica?". O meu amigo diz que se soubesse não precisava de um táxi, que era um lugar turístico, no centro da cidade, num edificio antigo com 200 anos (o que aqui é suposto ser uma referência porque não deve haver mais nenhum). O taxista diz que só pode ser o Nairobi Museum e que nós devemos estar a fazer confusão com o nome. "Não!", diz o meu amigo. "Nós conhecemos o Nairobi Museum e sabemos exactamente onde queremos ir. Você não tem um mapa?" Nesta altura, eu já me revirava no banco e mordia a língua para não lhe rosnar. Note-se que todo este diálogo se passou com o carro em andamento pela cidade sem a criatura saber para onde ir... e claro que não tinha um mapa! O taxista começa a parar junto de outros táxis para perguntar. Ninguem sabia onde era. E quase todos diziam que os mzungos estavam confundidos, que só podia ser o Nairobi Museum. Mais de meia hora depois, na entrada do Nairobi Museum (que o taxista era teimoso com um burro!), depois de reafirmarmos que não era aquele o lugar ele pega no telemóvel, busca um número e diz ao meu amigo para ligar do seu próprio telemóvel e depois deixá-lo falar com alguem que supostamente o iria informar. Eu fiquei calada como um rato a ver o Alex a marcar o número e passar o telefone. Claro que também não serviu de nada. Entretanto, o meu amigo (com demasiada serenidade para o meu gosto) lembra-se que tem o portátil e que pode ligar-se à internet e manda parar tudo até ele descobrir o endereço. Claro que descobre rapidamente e mostra-lhe fotos e tudo. Eu continuava caladita, a retorecer-me no banco. O taxista reconhece o local, mas insiste que aquilo não se deve chamar bem como nós lhe dissemos, deve ter outro nome (ai, o caraças!) e que afinal era perto de onde nós partimos há mais de uma hora.&lt;br /&gt;Quando finalmente chegamos à National Gallery, que estava prestes a fechar, porque andamos às voltas na cidade estupidamente, eu não me consegui conter mais. Como tinha estado sempre caladinha, a deixar "os homens" resolver o problema, dava-me uma coisinha má se não mordesse nas canelas do sujeito. Fiz sinal ao meu amigo para sair que eu pagava e depois faziamos contas e disse simplesmente ao taxista que, daquela viagem não ia ver nem um tostão, para aprender ser profissional. Ele reclamou incrédulo, começou a levantar a voz eu disse-lhe que se quisesse podia chamar a polícia que eu tinha todo o gosto em lhes dizer como tinhamos andado mais de uma hora com um taxista incompetente a fazer-nos perder tempo e que da próxima vez que se lembrasse dos mzungos palermas que não lhe pagaram, que fosse mas é comprar um mapa e tivesse vergonha na cara. Quando saí do carro a criatura resolveu rogar-me uma praga (que meeeedo!) e eu que já estava a deitar fumo pelos olhos virei-me para ele e disse-lhe para nem se atrever, que ele não sabia com quem se estava a meter, nem quanto as pragas portuguesas eram poderosas e quanto os meus antepasssados o podiam perseguir até ao fim da vida para nunca mais ter um único cliente dentro daquele táxi! Não foi bonito, mas foi eficaz. Ele calou-se, olhou para mim, meteu-se no carro e arrancou a todo o gás!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8305256752129683678?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8305256752129683678/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8305256752129683678' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8305256752129683678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8305256752129683678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/taxi-experience.html' title='TAXI EXPERIENCE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1711739440066193929</id><published>2009-05-16T19:26:00.002+01:00</published><updated>2009-05-16T19:41:23.639+01:00</updated><title type='text'>CONVERSAS DE CAFÉ</title><content type='html'>(Conversa com um amigo dos meus house mates)&lt;br /&gt;- I really like you but you have a problem... you're intelligent.&lt;br /&gt;- Yep! And you are not. That is your problem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(na sequência de uma interessante discussão sobre a homossexualidade)&lt;br /&gt;- In London, my sister once saw two women kissing passionately in the street, and she was with her youngest kid who asked what the two ladies were doing. What would you answer?&lt;br /&gt;- I'de say they love each each other and that they are very lucky to live in a place where they can express their feelings.&lt;br /&gt;- Are you a Lesbian???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(espécie de "intervenção" realizada pela minha house mate)&lt;br /&gt;- Gabriela, you must be aware that here if you are polite and honest people will automatically consider you are stupid.&lt;br /&gt;- Then it will be easy for me to select those that really interest me and ignore all the other.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1711739440066193929?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1711739440066193929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1711739440066193929' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1711739440066193929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1711739440066193929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/conversas-de-cafe.html' title='CONVERSAS DE CAFÉ'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1331493923650607218</id><published>2009-05-15T10:30:00.005+01:00</published><updated>2009-05-15T11:13:09.632+01:00</updated><title type='text'>A PERGUNTADORA E O POLÍCIA</title><content type='html'>Já tardava o meu encontro com as autoridades! É famosa a minha relação amistosa e estranha com os agentes policiais, mas aqui no Quénia, as pessoas fogem deles como o diabo da cruz. Aqui a polícia só serve para extorquir dinheiro aos cidadãos mais incautos que não tiveram a sorte de evitar o encontro. Todos temem a polícia pois sabem que vão inventar o que for preciso para extorquir um "donativo" e os deixarem seguir em paz.&lt;br /&gt;Até ontem tinha conseguido evitá-los mas eis que o receado confronto surge quando menos se espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Local: Entrada principal do Yaya Center&lt;br /&gt;Horário: 21h&lt;br /&gt;Motivo: A aguardar alguns amigos para sairmos juntos&lt;br /&gt;Descrição da situação (o mais possível fiel aos acontecimentos):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto esperava a Perguntadora resolveu acender um cigarro e eis que, para seu espanto, começa a ver um agente da autoridade a deslocar-se perigosamente na sua direcção. Ela olha em volta a ver se mais alguém podia ser alvo da atenção da criatura, mas não, está completamente sozinha.&lt;br /&gt;- Boa noite! - cumprimenta o polícia respeitosamente.&lt;br /&gt;- Boa noite, posso ajudá-lo em alguma coisa? - pergunta a Perguntadora com o sorriso mais angélico&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sg0_KfCztoI/AAAAAAAAA0o/x-pQtoGqsM0/s1600-h/NoSmokingSymbol_227808_7.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 211px; height: 211px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sg0_KfCztoI/AAAAAAAAA0o/x-pQtoGqsM0/s320/NoSmokingSymbol_227808_7.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335990582868424322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; do mundo como se estivesse pronta para ajudar o polícia a prender alguém.&lt;br /&gt;- É proibido fumar! Faz mal à saúde! - Diz ele de rajada como se as duas frases fizessem muito sentido juntas.&lt;br /&gt;- Sim, eu sei que tenho de largar o vício e olhe que até fumo muito pouco, mas olhe... eu estou na rua. Não estou a incomodar ninguém, - responde ela respeitosamente numa tentativa de criar empatia com o polícia.&lt;br /&gt;- Mas a senhora não sabe que no Quénia é proibido fumar na rua??? Dentro do shopping nas lojas que o permitem pode fumar, agora na rua é que não! Vou ter de a multar.&lt;br /&gt;(Aiiiiiii, olha-me este disparate... agora é que estou feita) Pensou a Perguntadora.&lt;br /&gt;- E sabe que a multa é muito alta?... e eu não posso fazer de conta que não a vi a violar a lei, - afirma o polícia cheio de autoridade.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sg0_aDDzdnI/AAAAAAAAA0w/EG9K--uXrho/s1600-h/yaya.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 103px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sg0_aDDzdnI/AAAAAAAAA0w/EG9K--uXrho/s200/yaya.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335990850234316402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Claro, o senhor tem de fazer o seu trabalho!... Mas se reparar bem eu não estou na rua, estou debaixo da cobertura da entrada do centro comercial e portanto estou tecnicamente em terreno neutro. Não estou dentro nem fora! - responde a Perguntadora impulsivamente, com a maior lata do mundo e um sorrido encantador. (E sem nunca apagar o cigarro note-se!)&lt;br /&gt;O polícia olha para um lado e para o outro. Vê-se que está confuso. Entretanto, o cigarro chega ao fim e a Perguntadora ataca sem dó nem piedade novamente.&lt;br /&gt;- Deixe lá senhor polícia, olhe... apesar de eu não ter violado nenhuma lei foi um prazer falar consigo. Acabou por me fazer companhia enquanto espero pelos meus amigos e a sua presença fez-me sentir muito mais segura. Nada acontece por acaso! E olhe, o meu cigarro acabou... não há cinzeiros?!... vai-me multar se eu o apagar no chão? - dispara a Perguntadora.&lt;br /&gt;- Não!?... - responde hesitante o polícia muito baixinho.&lt;br /&gt;- Bem, chegaram os meus amigos. Foi um prazer falar consigo! Obrigada pela companhia e pela informação. Agora já sei que é proibido fumar na rua. Tenha uma noite! - diz a Perguntadora estendendo a mão para cumprimentar o policia e afastando-se em seguida na direcção dos amigos que finalmente chegavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: Seja em Portugal ou no Quénia o que é preciso é ter lata, ser muito simpática e pensar rapidamente. Na maioria dos casos funciona!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1331493923650607218?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1331493923650607218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1331493923650607218' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1331493923650607218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1331493923650607218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/perguntadora-e-policia.html' title='A PERGUNTADORA E O POLÍCIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sg0_KfCztoI/AAAAAAAAA0o/x-pQtoGqsM0/s72-c/NoSmokingSymbol_227808_7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8723687580355450728</id><published>2009-05-14T10:47:00.001+01:00</published><updated>2009-05-14T10:49:44.839+01:00</updated><title type='text'>A view over Nairobi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgvo6mXvquI/AAAAAAAAA0g/AMxmhLMKXdA/s1600-h/Casa+Nairobi.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 267px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgvo6mXvquI/AAAAAAAAA0g/AMxmhLMKXdA/s400/Casa+Nairobi.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335614276980681442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8723687580355450728?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8723687580355450728/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8723687580355450728' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8723687580355450728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8723687580355450728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/view-over-nairobi.html' title='A view over Nairobi'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgvo6mXvquI/AAAAAAAAA0g/AMxmhLMKXdA/s72-c/Casa+Nairobi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1464924244227403183</id><published>2009-05-10T15:17:00.003+01:00</published><updated>2009-05-10T17:11:38.767+01:00</updated><title type='text'>O MATA E A GUERRA DOS SEXOS</title><content type='html'>Parece que se trata de brincadeiras mas, infelizmente, são questões muito sérias. Na sequência dos conflitos pós-eleitorais em 2007, os líderes dos dois principais partidos resolveram a questão com a criação de uma coligação governamental encabeçada por dois homens, o actual presidente Kiba&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgb8dHAdI3I/AAAAAAAAAzg/-OjkFJQZwSI/s1600-h/Raila-Kibaki2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 280px; height: 290px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgb8dHAdI3I/AAAAAAAAAzg/-OjkFJQZwSI/s320/Raila-Kibaki2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334228385694294898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ki e o actual primeiro ministro Raila Ondinga. Mas a convivência dos dois tem sido difícil. Entre conflitos de interesses, protagonismos, favoritismos e escândalos financeiros e pessoais, o Quénia vive na iminência de o governo cair e serem convocadas eleições antecipadas. Não me lembro de dia nenhum em que os jornais não apresentem grandes cabeçalhos sobre a crise da coligação. É um verdadeiro jogo do Mata, aquele que estes dois senhores jogam, a ver quem morre primeiro. O problema é que o país ainda não recuperou da violència pós eleitoral, ainda não se pacificou nem se reconciliou e o fantasma dos conflitos étnicos, aguçados pelo perverso jogo destes dois políticos, pairam como uma ameaça constante à paz e à democracia.&lt;br /&gt;Tudo piora quando se recorre a estratégias absurdas para alimentar este jogo e entreter o povo. Durante a última semana, o país viu-se mergulhado numa verdadeira Guerra dos Sexos, quando um grupo de mulheres ilustres anunciou a Greve do Sexo durante uma semana, como forma de protesto de todas as mulheres do Quénia contra a instabilidade da coligação. Também parece uma brincadeira, mas infelizmente não é. Durante uma semana, o Kibaki e o Ondinga (cuja própria senhora veio a público dizer que nessa semana o primeiro-ministro seria privado dos seus"direitos conjugais") viram as atenções centrarem-se naquilo que acabou por ser interpretado como um disparate de meia dúzia de feministas e que acabou por elevar o sexo ao estatuto de arma. Num país onde a violência sobre as mulheres é socialmente aceite eu pergunto-me quantas terão poder para gerir a sua sexualidade e negar aos seus parceiros aquilo, que para eles é considerado um direito legítimo, em nome da estabilidade de um governo que nada faz para as proteger. Para quem leva uma tareia por não ter a comida na mesa à hora certa, a ideia de dizer "não" ao sexo exigido pelo parceiro, não deve parecer muito boa ideia. Por outro lado, mesmo que a maior parte das mulheres pudesse recorrer à sua sexualidade como se de uma arma se tratasse, isso não legitimaria também o mesmo recurso por parte dos homens? E depois assiste-se ao absurdo do senhor fulano de tal que resolveu processar o grupo de mulheres que lançou a campanha, porque como esteve sem sexo durante uma semana sentiu-se muito mal, subiu-lhe a tensão, apareceram-lhe terríveis dores de cabeça e coitado, não aguenta com dores nas costas, tudo, segundo ele, porque a sua Maria se recusou a cumprir as suas obrigações conjugais. E é absurdo um suposto grupo de feministas, lançar uma campanha deste género, recorrendo ao sexo como arma por uma semana, validando assim, as "obrigações" a que as mulheres estão sujeitas no seu dia a dia. Como se o sexo fosse uma cláusula contratual aceite por todos e apenas violada durante uma semana para desviar a atenção do ridículo dos políticos para pôr a ridículo as mulheres.&lt;br /&gt;Felizmente, muitas mulheres também se revoltaram contra esta campanha e tentaram elevar a discussão a um nível mais sério, mais útil e mais eficaz, mas o estrago já estava feito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1464924244227403183?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1464924244227403183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1464924244227403183' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1464924244227403183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1464924244227403183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/o-mata-e-guerra-dos-sexos.html' title='O MATA E A GUERRA DOS SEXOS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sgb8dHAdI3I/AAAAAAAAAzg/-OjkFJQZwSI/s72-c/Raila-Kibaki2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2241800802958302841</id><published>2009-05-09T16:18:00.004+01:00</published><updated>2009-05-09T16:47:23.870+01:00</updated><title type='text'>CURIOSIDADES III</title><content type='html'>Cá em casa, entre residentes e convidados tenho convivido com bastantes &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;muçulmanos&lt;/span&gt; e tem sido uma experiência do outro mundo. Já algumas vez ouviram falar de muçulmanos ateus? De muçulmanos feministas? De muçulmanos que questionam os seus próprios dogmas? Pois é, tem sido uma grande lição. É tão fácil cairmos na ratoeira dos preconceitos e das generalizações, que eu, que me considero bem moderada no julgamento do outros, até me sinto envergonhada.  E se até agora tem sido impossível discutir religião neste país conservador e invadido por Igrejas, aqui em casa discute-se de tudo com abertura e bom humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vários &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;a style="font-weight: bold;" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgWlJzljKiI/AAAAAAAAAzI/-CmDuf61E7E/s1600-h/silver+springs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 135px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgWlJzljKiI/AAAAAAAAAzI/-CmDuf61E7E/s200/silver+springs.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333850921575328290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PA&lt;/span&gt; existentes nos clubes e hotéis da cidade são baratíssimos para os nossos padrões. Por menos de 25 euros é possível fazer uma massagem maravilhosa da cabeça aos pés, manicure e sauna. Esta semana, como a minha perna me andava a doer bastante (porque me farto de andar a pé) resolvi experimentar o da foto aqui ao lado. Fiquei cliente! É certo que dá que pensar o facto da minha massagem custar um terço dos serviços da nossa empregada doméstica, ao passo que em Portugal o que pago à minha querida Cidália não dava para uma massagem inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também já descobri &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;piscinas &lt;/span&gt;aqui perto de casa e sem ser apenas nos hoteis. Os preços são baratos. Por 5 euros no impala Club passa-se o dia e pode-se usar os equipamentos desportivos todos, assim como a bela piscina e bar (pena o tempo estar a ficar frio). Mais uma vez faz-me confusão poder usufruir de todo este bem estar por tão pouco dinheiro, quando, mesmo ao lado no bairro de lata de Kibera, há quem sobreviva com o equivalente a 30 euros por mês ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode comprar&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; pão&lt;/span&gt;. Eu achava estranho toda a gente consumir pão de forma embalado (os que consomem, porque no Quénia não há tradição do pão), até que descobri uma bela Boulangerie e paguei quase três euros por uma baguette!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2241800802958302841?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2241800802958302841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2241800802958302841' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2241800802958302841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2241800802958302841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/curiosidades-iii.html' title='CURIOSIDADES III'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgWlJzljKiI/AAAAAAAAAzI/-CmDuf61E7E/s72-c/silver+springs.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7819559598904604731</id><published>2009-05-05T10:36:00.005+01:00</published><updated>2009-05-05T10:50:29.204+01:00</updated><title type='text'>AT HOME IN KENYA, AT LAST!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAJZtSPVuI/AAAAAAAAAyA/Nm_lef_3vjY/s1600-h/DSC03359.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAJZtSPVuI/AAAAAAAAAyA/Nm_lef_3vjY/s400/DSC03359.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332272296064145122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAKDmG1vNI/AAAAAAAAAyI/QdnG3Ia33nY/s1600-h/DSC03357.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAKDmG1vNI/AAAAAAAAAyI/QdnG3Ia33nY/s400/DSC03357.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332273015691787474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAKsMHP01I/AAAAAAAAAyQ/c40eL_9SjE8/s1600-h/DSC03361.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAKsMHP01I/AAAAAAAAAyQ/c40eL_9SjE8/s400/DSC03361.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332273713088811858" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7819559598904604731?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7819559598904604731/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7819559598904604731' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7819559598904604731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7819559598904604731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/at-home-in-kenya-at-last.html' title='AT HOME IN KENYA, AT LAST!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAJZtSPVuI/AAAAAAAAAyA/Nm_lef_3vjY/s72-c/DSC03359.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-712880166308393356</id><published>2009-05-03T07:14:00.003+01:00</published><updated>2009-05-03T08:00:30.209+01:00</updated><title type='text'>BYE BYE FLORA</title><content type='html'>Hoje é o meu último dia no Flora Hostel, o albergue gerido pelas Irmãs da Consolata, onde vivi nos últimos 2 meses. Tivemos uma relação difícil. Nunca me consegui sentir confortável com os horários rigorosos, o sino a tocar para as refeições e o regime espartano e começou a ser penoso imaginar toda a minha estadia em Nairobi em tão conventual retiro. No entanto, apesar tudo, foi um lugar onde me senti segura e onde conheci algumas pessoas que vão continuar a fazer parte do meu quotidiano e outras que apesar do encontro fugaz vou recordar sempre com muito  carinho. Dois meses é tempo suficiente para ultrapassar alguns preconceitos e mal entendidos. Para ultrapassar o espanto das freiras pelo facto de ser portuguesa e não saber o que significa a sexta-feira santa (as freiras achavam que eramos todos beatos, eu qd vi os preparativos da procissão pensei que se tratava de um funeral) e chegar ao ponto de elas acharem que eu sou uma cristã em negação LOL, ou seja, sou mesmo boa pessoa e isso para elas é muito estranho se eu não for religiosa, portanto depois de algumas conversas hilariantes e interessantes, lá conseguiram classificar-me. Como diz a irmã Scolastica "You have goodness in you, so you don't know but you have Jesus in your heart". É bonito! Dois meses também é tempo suficiente para nos habituarmos a viver com o mundo inteiro. Nunca estive num lugar tão multicultural como o albergue. Se por um lado, no início senti muito a falta dos meus afectos, por outro foi extraordinário conhecer pessoas dos quatro cantos do mundo com os mais diferentes percursos de vida e profissões. Tem sido uma fonte de aprendizagem sem fim. Desde os cidadãos de países vizinhos como a Somália, o Sudão, o Burundi, o Ruanda, o Uganda, a Etiópia, que estão cá para fazer tratamentos médicos ou tratar de vistos e questões burocráticas, até Europeus, Americanos e Asiáticos que passam por cá em férias, em trabalho humanitário, em negócios. O desafio linguístico tem sido alucinante, às vezes já nem sei que língua estou a falar, misturo tudo, sonho em línguas estrangeiras... é um caos divertido. Fiquei famosa no albergue por falar cinco línguas e um terço (o Swahili ainda está muito fraquinho) e servi de intérprete a muito boa gente. A minha relação como albergue foi crescendo entre a vontade de sair e ter um espaço meu e o apego cada vez maior ao lugar e às pessoas.&lt;br /&gt;Portanto amanhã, começo vida nova num apartamento que vou partilhar mas, apesar de estar muito feliz vou ter saudades do Rafael, o chefe de cozinha queniano que pratica italiano comigo e cozinha coisas que eu gosto de propósito e acha que eu tenho uma perigosa tendência para o vegetarianismo só porque não consigo comer carne todos os dias e vou ter saudades do Kim, que é coreano e vive em Africa há 15 anos, a trabalhar em projectos de desenvolvimento, que me deixa tonta com a quantidade de vénias que me faz quando fala comigo, mas que é um espirito brilhante, inteligente e conhecedor de Africa com quem adoro conversar e até vou ter saudades da irmã mais velha, que aparenta uns 150 anos e que tem o dom do teletransporte porque consegue aparecer, simplesmente, sem ninguem dar pela sua chegada e que me anda a tentar convencer há meses que o Franco era muito boa pessoa e que salvou a Europa do comunismo e da empregada de limpeza que me obriga a sair da cama as 7.30 da manhã, mesmo que eu não precise, porque ela tem de mudar as camas. Enfim há um rol de personagens fabuloso que vou guardar na memória e que tornaram a minha estadia aqui especial. Vai ser portanto uma espécie de divórcio amigável, depois de uma relação difícil de amor-ódio.&lt;br /&gt;A partir de amanhã passo a viver com mais duas pessoas, um sul africano e uma sudanesa que trabalham em agências de desenvolvimento internacionais, mais ou menos da minha idade e temporariamente no Quénia também. A casa é muito bem localizada, aliás é na mesma zona do albergue, é enorme, está mobilada, vou ter um belo  quarto só para mim e o resto da casa para partilhar e vou pagar um terço do que pago actualmente o que é muito bom. Os meus futuros companheiros parecem simpáticos e por isso acredito que vai correr tudo bem. No entanto, é bom saber que se não gostar posso sempre voltar para o "convento" e continuar a árdua tarefa de mostrar às freiras que uma verdadeira agnóstica, anticlerical, pode mesmo ser boa pessoa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-712880166308393356?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/712880166308393356/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=712880166308393356' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/712880166308393356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/712880166308393356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/05/bye-bye-flora.html' title='BYE BYE FLORA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1648735526544034669</id><published>2009-04-29T13:42:00.002+01:00</published><updated>2009-04-29T14:02:56.372+01:00</updated><title type='text'>INSÓLITOS</title><content type='html'>1. Alguns hospitais e centros de saúde têm "gender violence specific facilities". A primeira vez que vi isto escrito entre "Oftalmologia" e "Cardiologia" achei que estava a ter alucinações. Ajuda a perceber a dimensão do problema, certo? É inacreditável!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Hoje almocei com os meus amigos italianos de Nanyuki, que vieram a Nairobi. Fiquei a saber, que uma das crianças seropositivas, orfãs, da casa que eles gerem, morreu esta semana enquanto passava as férias da Páscoa em casa da avó. Morreu porque ficou com malária e a avó teve vergonha de dizer no hospital que a criança era seropositiva e portanto ela recebeu o tratamento errado. É insólito, estúpido e deixa-me muito zangada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Ontem passei no Edifício da Imigração que tem sempre montes de gente à porta e uma quantidade absurda de militares armados até aos dentes. Ia com headphones a ouvir música quando resolvi atravessar o jardim do edifício para cortar caminho e portanto não ouvi ninguém a chamar-me. Fiquei parada no meio do caminho, quando vi um militar a encostar o cano da arma ao pescoço de um sujeito, branco (é esta a parte insólita, repare-se, porque se fosse negro era normal), que ia todo lampeiro a entrar no edifício. Nessa altura tirei os headphones e ouço outro militar aos berros de arma na mão a vir ter comigo. Era hora de almoço e o serviço ia fechar e não era suposto entrar ninguem... nada de mais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1648735526544034669?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1648735526544034669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1648735526544034669' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1648735526544034669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1648735526544034669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/insolitos.html' title='INSÓLITOS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5212243061757565452</id><published>2009-04-26T16:01:00.002+01:00</published><updated>2009-04-26T16:13:37.606+01:00</updated><title type='text'>FUTILIDADES</title><content type='html'>1. Morro de saudades da minha máquina de lavar roupa. Não sei como é que antigamente se vivia sem este maravilhoso electrodoméstico. Além de não conseguir que a roupinha fique a cheirar tão bem como quando sai da máquina e de achar que não fica tão bem lavada (por mais  que eu me esforce até esfolar os dedos!), vou ficar sem roupa num instante, que ela está a gastar-se a olhos vistos. Está a desbotar, a borbotar, a alargar... não é bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. No Quénia as pessoas vestem-me muito mal. O país inteiro precisa de uma intervenção; uma edição especial do "What not to Wear". O fato, é a farda quotidiana de todos, homens e mulheres, mas as calças têm pregas (valha-me deus! é tão feio... parecem uns balões) e ainda ninguém lhes disse que a coisa passou de moda há 20 anos, os tecidos são de má qualidade e os cortes de fugir. É mau! Pior que tudo é quando até as criancinhas andam de fato a fazer a mesma ficura triste em miniatura. Deve ser o país no mundo onde o fato tem mais consumidores: mandem para cá a Máximo Dutti, a Hugo Boss, o YSL que esta gente precisa urgentemente de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Estou cansada de dizer que não sou da família do Cristiano Ronaldo. É verdade, o moço é um herói por estas bandas e mal eu digo que sou portuguesa pergunta,m-me por ele: como está, se é tão bonito ao vivo como na TV (bonito??? corpinho Danone ainda vá, mas bonito???), se é simpático... enfim, eu lá tenho de explicar, que apesar de sermos um país pequeno e pertencermos todos à mesma tribo, não somos todos da mesma família!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5212243061757565452?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5212243061757565452/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5212243061757565452' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5212243061757565452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5212243061757565452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/futilidades.html' title='FUTILIDADES'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-9056250008793443552</id><published>2009-04-25T13:34:00.002+01:00</published><updated>2009-04-25T14:05:38.695+01:00</updated><title type='text'>QUE NUNCA NOS FALTE LIBERDADE!</title><content type='html'>Hoje é um dia importante no país onde nasci. É importante para todas as mulheres porque têm direitos iguais, para todas as crianças que podem ir à escola, para todas as pessoas que podem ser o que lhes der na real gana, para todas as pessoas que podem defender as causas que bem entenderem e para todas as pessoas que podem manifestar-se, criticar e opinar sem serem abatidos pela polícia à queima-roupa ou detidos sem culpa formada. É importante para a Esquerda e para a Direita porque podem coexistir.&lt;br /&gt;Sempre achei o 25 de Abril um dia importante, mas nunca como este ano. Há muitas coisas que estão mal, todos sabemos. Também preferia ter um ensino de qualidade em vez de ter ensino obrigatório até aos 18 anos para embelezar as estatísticas. Gostava que houvesse mais equilíbrio social, mais oportunidades, menos preconceitos. Gostava que o meu país fosse melhor. Gostava de ter melhores políticos e melhores cidadãos.&lt;br /&gt;Mas hoje estou longe de casa, num país fascinante que estou a descobrir aos poucos, mas onde há várias coisas que me incomodam. Todas elas têm a ver com a falta de liberdade. Incomoda-me um líder estudantil ser impedido de completar a sua formação por se ter manifestado, incomoda-me a homossexualidade ser um crime, incomoda-me as mulheres não terem direitos iguais e serem constantemente vítimas de violência, incomoda-me o fanatismo religioso que impõe códigos morais castradores e que atentam contra a liberdade individual, incomodam-me os preconceitos relativamente a tudo o que foge à norma e incomoda-me bastante que me chamem mzungu, que significa europeu, mas que na verdade serve para denominar todos os brancos. Se o significado fosse literal, seria motivo de orgulho para mim, porque é o que eu sou - Europeia - cada vez mais, sempre que me confronto com outras culturas. Assim não.&lt;br /&gt;São tantas as faltas de liberdade que me incomodam que me lembrei especialmente de casa, hoje.&lt;br /&gt;E assusta-me que na maior parte do mundo a liberdade seja um bem cada vez mais escasso. Podia fazer-se com as revoluções o que alguns casais apaixonados fazem com os casamentos: renovar os votos. Eu quero renovar os votos da revolução francesa para que na Europa nunca nos falte liberdade, nem igualdade, nem fraternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-9056250008793443552?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/9056250008793443552/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=9056250008793443552' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9056250008793443552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9056250008793443552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/que-nunca-nos-falte-liberdade.html' title='QUE NUNCA NOS FALTE LIBERDADE!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8777526516038023117</id><published>2009-04-23T08:08:00.002+01:00</published><updated>2009-04-23T08:18:33.354+01:00</updated><title type='text'>CURIOSIDADES</title><content type='html'>A qualidade da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comunicação social e a liberdade de imprensa&lt;/span&gt;. Desde o primeiro dia em que cheguei que tenho estado atenta e consumido bastante jornalismo, sobretudo escrito. Para mim é um meio fundamental para me contextualizar e conhecer melhor o país e foi com alguma surpresa que constatei que no Quénia se faz bom jornalismo, independente, inteligente e audaz. Além da actualidade nacional, também as notícias internacionais estão sempre presentes, com uma clara preferência pelos países africanos, mas sem esquecer  o resto do mundo. O Daily Nation, sobretudo, é uma referência de jornalismo sério e alguns cronistas, como a Lucy Oriang (a minha preferida), são absolutamente brilhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com uma recente sondagem de opinião as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;instituições em que os quenianos mais confiam&lt;/span&gt; são a comunicação social (73%), as ONGDs e o sector privado. No final da lista com cerca de 3% de confiança está o parlamento, seguido de toda a classe política e da justiça. É curioso, eu já vi este cenário em qualquer lado :). Dá que pensar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias  há notícias de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;linchamentos e casos de justiça popular&lt;/span&gt;. É clara a ineficiência policial (com falta de capacidade de resposta e elevados índices de corrupção) e das instâncias judiciais na resolução dos problemas. É assustadora a resposta popular. A facilidade com que se organizam milícias e se recorre à justiça popular é um sintoma que parece estar a tornar-se numa doença cada vez mais perigosa para a saúde do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;leopardo à solta em Nairobi&lt;/span&gt;. O Kenya Wildlife Service já tentou de tudo mas o animal continua a aterrorizar algumas partes da cidade e vai dando conta de algumas cabecitas de gado (coitado tem de comer, num é?!). Para mim o que é curioso não é propriamente a deriva do bicho mas o facto de ele ainda não ter morrido atropelado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8777526516038023117?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8777526516038023117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8777526516038023117' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8777526516038023117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8777526516038023117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/curiosidades.html' title='CURIOSIDADES'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1492011990906534341</id><published>2009-04-21T09:13:00.003+01:00</published><updated>2009-04-21T09:36:11.816+01:00</updated><title type='text'>MTAFITI MAISHA (Vida de perguntador)</title><content type='html'>Às vezes, chegar ao fim do dia com a agradável sensação de "missão cumprida", pode ter um preço muito elevado. Foi o que aconteceu ontem.&lt;br /&gt;Estava tudo preparado para mais uma visita do meu trabalho de campo. Ficaram de me ir buscar ao hotel, providenciaram almoço e um programa para todo o dia. Fantástico! O que eu não sabia era que as quintas de produção e os centros de transformação dos produtos ficavam a 50 km de distância, nas entranhas das montanhas, com acesso por picada, depois de uma noite de chuva torrencial, com a terra inundada e cheia de buracos. Valeram-me os comprimidos para o enjoo (e eu nunca enjoo!) e mesmo assim devo ter chegado verde ao destino. Mas a pior surpresa foi o facto de pura e simplesmente não entender o gerente do projecto e portanto acabar por fazer uma entrevista por telepatia. Eu continuo a ter muita dificuldade em perceber o inglês do Quénia, sobretudo na província e pior ainda quando o meu interlocutor não tem um dente da frente. Aí a dicção fica impossível de perceber. Nem tentei usar o gravador para a entrevista, que decorreu como um verdadeiro exercício de telepatia, em que eu tentava tirar o sentido de cada frase pelas duas ou três palavras que percebia. Foi difícil!&lt;br /&gt;Depois o temido regresso pela mesma picada, desta vez até uma localidade a 15 km de Meru para apanhar um matatu. Tudo muito bem até se sentar ao meu lado, a meio do caminho, a pessoa mais mal-cheirosa que eu já cheirei. E não havia pastilhas para o enjoo que me valessem.&lt;br /&gt;Depois de chegar ao hotel coberta de pó, enjoada e com dores nas costas, depois do duche desinfectante e da reorganização dos meus apontamentos da entrevista telepática, caí na cama e dormi umas 10h seguidas.&lt;br /&gt;E acho que a FCT devia prever um subsídio de risco para perguntadores a trabalhar em condições extremas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1492011990906534341?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1492011990906534341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1492011990906534341' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1492011990906534341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1492011990906534341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/mtafiti-maisha-vida-de-perguntador.html' title='MTAFITI MAISHA (Vida de perguntador)'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-9050149234254096328</id><published>2009-04-17T20:09:00.013+01:00</published><updated>2009-04-17T21:48:26.789+01:00</updated><title type='text'>PELAS TERRAS ALTAS DO QUÉNIA II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejl-3vkyII/AAAAAAAAAxY/yrf6wEN_x2g/s1600-h/DSC03312.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 239px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejl-3vkyII/AAAAAAAAAxY/yrf6wEN_x2g/s320/DSC03312.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325759427643754626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejnBKlC25I/AAAAAAAAAxg/X7EHU_m7Y5M/s1600-h/DSC03271.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejnBKlC25I/AAAAAAAAAxg/X7EHU_m7Y5M/s200/DSC03271.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325760566571228050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tumaini Childre&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;n’&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;s Home&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Tumaini” significa “esperança” em Swahili. Não é lá muito criativo e não faltam pequenas lojas e bancas no mercado com o mesmo nome, mas este projecto é  especial. É uma casa de acolhimento para órfãos seropositivos, cujos pais faleceram devido ao vírus da SIDA e que foram rejeitados pelos familiares mais próximos, por falta de condições para os criar mas sobretudo por ignorância, preconceito e medo da doença. Todas as crianças e jovens da casa estão saudáveis, vão à escola (uma batalha ganha pelos profissionais do projecto pois nenhuma escola privada os aceita  e mesmo a escola pública de Nanyuki ofereceu muita resistência), têm acompanhamento clínico, psicológico e jurídico, os mais velhos têm formação profissional e constituem uma grande família de cerca de 50 membros. A instituição trabalha também no sentido de sensibilizar e informar os familiares e a população em geral sobre o HIV/SIDA com vista à integração destas crianças e jov&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejn3zRgqkI/AAAAAAAAAxo/7C-2aBd_OUA/s1600-h/DSC03300.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejn3zRgqkI/AAAAAAAAAxo/7C-2aBd_OUA/s200/DSC03300.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325761505208085058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ens nas suas famílias. São muito carentes e afectuosos pois vivem histórias tristes de rejeição e descriminação. Em “casa” onde as pessoas os abraçam, acarinham e se preocupam com eles têm um comportamento extremamente afectuoso, ou seja, estão constantemente a agarrar-nos, a abraçar-nos, a acariciar-nos e a tentar ganhar a nossa atenção. Se não impusermos alguma ordem em 2 minutos temos os mais pequenos agarrados às pernas, os maiores a abraçar-nos pela cintura, a puxar-nos os braços e no meu caso a tentar pentear-me os caracóis. Para quem tem estado sozinha e a adaptar-se à solidão, a experiência é radical e por isso preciso do meu momento Greta Garbo “I want to be alone!” de vez em quando. A falta de privacidade é uma questão cultural que aqui é levada ao extremo.&lt;br /&gt;E perguntam vocês, e bem, “mas como foste aí parar?”. Há algumas semanas conheci o casal de italianos que gere este projecto em Nairobi, no albergue onde estou alojada e “parole” puxa “parole” acharam que eu era boa rapariga e convidaram-me para passar uns tempos com eles nas montanhas. Como ainda por cima descobri várias organizações na zona do Monte Quénia que me interessava estudar, fiz a mochila e abalei para cá. Foi muito bom passar estes últimos dias no meio de uma “família” numerosa e afectuosa e acompanha-los em algumas visitas a famílias das crianças e a outros projectos. Ficamos amigos, eu, a Caterina e o Fausto. O único senão foi a babel linguística: eles falam mal inglês, falam inglês literalmente em italiano e misturado com palavras de swahili. O Swahili falam mal, literalmente com som italiano e com palavras de inglês. O italiano falam com palavras Swahili pelo meio… é hilariante e dá-me conta dos nervos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejb5uFLR4I/AAAAAAAAAwo/MfbSaasi0_s/s1600-h/DSC03322.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 141px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejb5uFLR4I/AAAAAAAAAwo/MfbSaasi0_s/s200/DSC03322.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325748344034379650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejgOlGc6hI/AAAAAAAAAxA/qbfOMBdYBt4/s1600-h/DSC03310.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejgOlGc6hI/AAAAAAAAAxA/qbfOMBdYBt4/s200/DSC03310.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325753100447574546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejhbjSRYiI/AAAAAAAAAxI/MfCn3sJcqgc/s1600-h/DSC03302.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 200px; height: 137px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejhbjSRYiI/AAAAAAAAAxI/MfCn3sJcqgc/s200/DSC03302.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325754422810206754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Meru ou “Quantos tons de verde tem a natureza?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para chegar a Meru subimos a montanha, a partir de Nanyuki e vamos vendo a paisagem a ganha&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Seji9VMO54I/AAAAAAAAAxQ/_yBrfmzsrQA/s1600-h/DSC03237.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 206px; height: 155px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Seji9VMO54I/AAAAAAAAAxQ/_yBrfmzsrQA/s320/DSC03237.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325756102653962114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;r tons de vermelho e amarelo e o horizonte a prolongar-se sobre os cumes dos montes e picos circundantes. Estamos na estepe. Mas depois conforme vamos circundando o Monte Quénia e vamos descendo para altitudes medianas a paisagem transforma-se num manto de vegetação sem fim com as encostas das montanhas a competir para ver qual delas oferece mais tons de verde. É maravilhoso o contraste destes dois cenários, mas o verde de Meru conquistou-me o coração. É uma terra abençoada com fartura e apesar de as pessoas serem pobres, não passam fome como em outros lugares do país afectados pela seca. Aqui as encostas das montanhas estão cobertas por plantações de chá, café, bananeiras e produtos hortícolas. Há uma estrada nacional alcatroada, com condições suficientemente boas para permitir os escoamento desta produção para outras partes do país e para exportação. As pequenas cidades e localidades não têm interesse, não &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejpF84xhvI/AAAAAAAAAxw/j9LOd30aCK8/s1600-h/DSC03311.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 152px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejpF84xhvI/AAAAAAAAAxw/j9LOd30aCK8/s200/DSC03311.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325762847818483442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;são bonitas e não passam de pequenos aglomerados de comércio para servir as populações rurais. No entanto, todas estão rodeadas de uma paisagem espectacular. A cidade de Meru é a principal da região e um polo de referência para o povo Meru, mas não é mais do que uma avenida com duas ou três ruas paralelas em terra batida e um amontoado de lojas, feiras, vendas de rua, serviços públicos e meia dúzia de hotéis (na maioria a evitar). Felizmente tem o Meru County Hotel, um verdadeiro 5 estrelas para os padrões locais que é limpinho, ajeitadinho, que até me oferece uma suite com varanda e TV e que tem uma esplanada catita. Ao contrário de Nanyuki e outras localidades da região, Meru não é uma cidade turística de acesso ao parque Nacional do Monte Quénia, o que significa que as pessoas estão pouco habituadas a estrangeiros. Por um lado é bom porque ninguém me persegue a impingir artesanato, serviços de guia de montanha, viagens de táxi e coisas que tal, mas suspeito fortemente, depois da minha primeira viagem de reconhecimento que sou a única &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mzungu&lt;/span&gt; das redondezas e algumas pessoas  ficam literalmente esbugalhadas a olhar para mim, o que é um bocadinho desconfortável.&lt;br /&gt;Entretanto, nestes últimos dias tive oportunidade de visitar várias aldeias locais, de constatar (com todo o meu esqueleto) o estado miserável das estradas de terra batida, de provar “especialidades” locais nas tascas da região, onde se come uma refeição por menos de 2 euros. Obviamente, a ASA&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejqZZKinuI/AAAAAAAAAx4/kWY3iyp2two/s1600-h/DSC03270.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 154px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SejqZZKinuI/AAAAAAAAAx4/kWY3iyp2two/s200/DSC03270.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325764281338339042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E fecharia toda a região e mandava rezar uma missa pelos estômagos dos comensais. Pior do que as chamuças gordurosas, as batatas fritas meio cruas, a carne crua pendurada sobre o balcão sem refrigeração… pior que tudo isso é beber uma bela garrafa de água inteirinha e verificar no fim que o prazo de validade tinha expirado em Fevereiro de 2008. Para já estou bem, mas aguardo sintomas estranhos a qualquer momento.&lt;br /&gt;Para não variar, a juntar aos verdes encantadores das montanhas temos as flores a colorir a paisagem e eu estou a ficar viciada em fotografá-las.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-9050149234254096328?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/9050149234254096328/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=9050149234254096328' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9050149234254096328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9050149234254096328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/pelas-terras-altas-do-quenia-ii.html' title='PELAS TERRAS ALTAS DO QUÉNIA II'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sejl-3vkyII/AAAAAAAAAxY/yrf6wEN_x2g/s72-c/DSC03312.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8589125487907425078</id><published>2009-04-14T17:09:00.012+01:00</published><updated>2009-04-14T17:45:52.306+01:00</updated><title type='text'>PELAS TERRAS ALTAS DO QUÉNIA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS5jhSZhlI/AAAAAAAAAwI/aXBWsfPWQIA/s1600-h/DSC03113.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 320px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS5jhSZhlI/AAAAAAAAAwI/aXBWsfPWQIA/s320/DSC03113.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324584679340869202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS37Z1QR0I/AAAAAAAAAv4/poZ3xER6GbY/s1600-h/DSC03093.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 200px; height: 144px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS37Z1QR0I/AAAAAAAAAv4/poZ3xER6GbY/s200/DSC03093.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324582890633185090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A viagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Chegar aqui foi interessante. Tinha as referências todas, o local de partida dos transportes, em Nairobi, os tipos de autocarros e matatus, os horários… só não estava preparada para o caos da Accra Road (nunca estou mesmo depois de estar farta de experimentar sítios assim). Na mesma rua poeirenta e esburacada, encontram-se autocarros de luxo de 2 andares, com TV, AC, WC e mais uns quantos extras, matatus de 21 e 14 lugares, táxis partilhados de 7 lugares, sinais de destino para todos os cantos do Quénia (quase todos, que para o Norte não há transporte e quase metade do país fica no meio do deserto e isolado do mundo), gente a gritar para atrair clientes para as viaturas, um mundo de estabelecimentos comerciais decadentes, com cores garridas, produtos fora de prazo e música altíssima, bagagens, sacos gigantes e embrulhos, gente por todo o lado (gente feliz a cantar e a gritar, a receber um ente querido, gente a chorar a despedir-se, gente a carregar coisas incríveis), uma manta de retalhos de cores, aromas e sons.&lt;br /&gt;É um espectáculo interessante se nos conseguirmos abstrair e fazer de conta que não estamos lá. É um pouco assust&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS673AhKOI/AAAAAAAAAwY/yT7ZoBhuuWQ/s1600-h/DSC03096.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 144px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS673AhKOI/AAAAAAAAAwY/yT7ZoBhuuWQ/s200/DSC03096.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324586196999940322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ador se se levar a tarefa de encontrar um transporte e iniciar a viagem, demasiado a sério. Eu consigo abstrair-me tranquilamente. Olhei para o cenário caótico, comecei a dizer mecanicamente “Hapana. Asante” (Não, obrigada!) a toda a gente que me abordava para me enfiar num autocarro qualquer, comprei o jornal e sentei-me no degrau de uma loja aberta para a rua como se soubesse exactamente o que fazer. Com o jornal à frente do nariz, ia espreitando por cima dele e observava a rua, os destinos, os veículos, até perceber onde estava o meu táxi partilhado de 7 lugares com destino a Nanyuki, à 1h da tarde. Era cedo, deixei-me estar sossegada enquanto apreciava o reboliço e depois lá me levantei e dirigi-me para o meu veículo. Confirmei com uma senhora se era mesmo o que eu queria, e depois, paguei o bilhete com o dinheiro certo para não pensarem que eu não sabia o preço e me cobrarem mais, como é costume. Escolhi um lugar à janela e instalei-me até começar a viagem.&lt;br /&gt;Demoramos quase 4h a chegar ao nosso destino o que é um pouco cansativo quando a viagem tem alguns solavancos e vamos batendo com a cabeça no tejadilho (também provoca algumas&lt;br /&gt;dores de cabeça, é certo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS3BAdrreI/AAAAAAAAAvw/1Sj4UB9zsnA/s1600-h/DSC03090.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 320px; height: 179px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS3BAdrreI/AAAAAAAAAvw/1Sj4UB9zsnA/s320/DSC03090.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324581887391018466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nanyuki, Monte Quénia, a três &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;quilómetros do Equador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A paisagem altera-se conforme a altitude vai aumentando. Primeiro, os subúrbios da grande cidade, depois o tráfego intenso na estrada principal e finalmente o verde, a terra cultivada, a floresta, a chuva e o cheiro a terra, até chegarmos aos prados secos, extensos, a cheirar a capim e finalmente Nanyuki. É uma pequena cidade cheia de comércio, mercados e lojas. Não é bonita, nem é feia. É uma das entradas para o Parque Nacional Monte Quénia. E a montanha, imponente, nos seus mais de 5000 mt, está sempre presente no horizonte mesmo que esteja coberta de nuvens pois transforma-se numa espécie de montanha etérea. No primeiro dia acordei muito cedo, antes das 6h da manhã e espreitei pela janela do quarto o sol a nascer, vermelho-fogo, por trás do Monte Quénia.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS6G-291SI/AAAAAAAAAwQ/XqK9WtaiMFs/s1600-h/DSC03124.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 232px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS6G-291SI/AAAAAAAAAwQ/XqK9WtaiMFs/s320/DSC03124.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324585288574293282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Não é à toa que os Kikuyus, a tribo da região e a mais populosa do país consideram a montanha sagrada e acreditam que lá vive o seu deus. Também se encontram algumas aldeias Masai aqui na região. É interessante: Kikuyus tradicionalmente agricultores e  Masai tradicionalmente pastores. É importante salientar que esta, a região do Monte Quénia, é um dos principais centros de produção agrícola do país. Apesar de se terem cometido algumas atrocidades ecológicas (e outras) desde a época colonial - o clima ameno da montanha e a fertilidade dos solos atraíram uma grande parte dos colonos ingleses que ao longo do século 20 expropriaram  os Kikuyus para criarem grandes propriedades agrícolas, remetendo-os para reservas periféricas e destruíram grande parte da floresta e do ecossistema original -  parece haver um esforço grande para cuidar das florestas e da vida selvagem que restam. Percebe-se bem porque é que foi nesta região que começaram as lutas contra o colonialismo, com o movimento Mau Mau.&lt;br /&gt;Mas adiante… uma das coisas que mais me chamou a atenção desde o primeiro momento foram os pássaros… é verdade.  Primeiro é impossível não reparar neles porque fazem uma barulheira deliciosa, depois, é impossível ficar indiferente às cores que pintam o céu de um lado para o outro. Descobri que preciso de uma máquina fotográfica melhor para os fotografar bem. Outro pormenor encantador, são as flores e as cores intensas das flores. E com uma natureza tão generosamente colorida não percebo porque é que em swahili só se identificam 5 cores.&lt;br /&gt;Outro fenómeno encantador (mau para a agricultura, é certo) é que parece que Nanyuki fica numa clareira de sol e&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS7zB0cU-I/AAAAAAAAAwg/xmk18tc6qHE/s1600-h/DSC03119.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 164px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS7zB0cU-I/AAAAAAAAAwg/xmk18tc6qHE/s200/DSC03119.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324587144794887138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; céu azul, ao passo que tudo à volta se rende ao calendário da época das chuvas longas. Eu gosto de tempestades e é lindo sentar-me nas traseiras da casa, no meu momento Greta Garbo do dia “I want to be alone!”, em cima do tanque de lavar a roupa e apreciar o horizonte à minha volta: 180º de nuvens escuras e ameaçadoras, que rugem à distância, rajadas por relâmpagos coloridos, enquanto o céu por cima de mim continua azul e vai deixando vislumbrar as estrelas da noite.&lt;br /&gt;(continua...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8589125487907425078?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8589125487907425078/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8589125487907425078' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8589125487907425078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8589125487907425078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/pelas-terras-altas-do-quenia.html' title='PELAS TERRAS ALTAS DO QUÉNIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SeS5jhSZhlI/AAAAAAAAAwI/aXBWsfPWQIA/s72-c/DSC03113.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3870681918387293579</id><published>2009-04-10T08:02:00.007+01:00</published><updated>2009-04-10T09:24:16.776+01:00</updated><title type='text'>A OUTRA CIDADE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd8CG3vMx4I/AAAAAAAAAvo/-kHPElC26CI/s1600-h/mathare+valley+1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd8CG3vMx4I/AAAAAAAAAvo/-kHPElC26CI/s320/mathare+valley+1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322975601639606146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa coisa boa deste meu trabalho é que me obriga a girar e a levantar as pedras para ver o que está por baixo e assim fico com uma perspectiva abrangente da realidade. Isto nem sempre é fácil ou agradável mas é fundamental. Já tinha aqui referido que Nairobi é uma cidade cheia de contrastes mas ainda não tinha mergulhado neles (e convenhamos que ainda não mergulhei, estou só a fazer snorkling).&lt;br /&gt;Esta semana visitei uma organização de Comércio Justo que fica no Bairro de Lata de Mathare Valley, um dos mais antigos e o segundo maior da cidade. O maior, o famoso bairro de Kibera, tem mais de meio milhão de habitantes e fica já aqui ao lado da zona "bem" onde eu estou instalada. Já visitei e trabalhei em outros bairros de lata, em outras cidades (nomeadamente em Maputo, que conheço bem), mas nada se parece com o que encontrei aqui em Nairobi. Ao contrário daquilo que me é familiar os bairros de lata não se desenvolvem como um anel à volta da cidade. Aqui, eles crescem e aparecem onde há espaço e até parece haver uma lógica diferente, pois muitas das zonas periféricas da cidade são mais nobres e aí abundam as casas de luxo e grandes propriedades. Assim, toda a cidade é pontuada por estes bairros, maiores ou mais pequenos, e que estão em constante crescimento com o fluxo crescente de pessoas que abandonam o campo para tentar a sorte na cidade. De cerca forma constituem um microcosmos (muito macro em alguns casos), com regras sociais muito próprias, com&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd7_3y8O9TI/AAAAAAAAAvY/VczBtFS5hVA/s1600-h/mathare+valley.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 131px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd7_3y8O9TI/AAAAAAAAAvY/VczBtFS5hVA/s200/mathare+valley.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322973143630804274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; um mercado imobiliário dinâmico (pois é, muitos dos "barracos" são alugados e fonte de rendimento e investimento para muita gente), etc.&lt;br /&gt;Um facto que me surpreendeu é que a maioria das casas e "estabelecimentos comerciais" do bairro, são mesmo totalmente construídos em chapa. Parece lógico, eu sei, por isso mesmo se chamam bairros de lata, mas os que eu conheço são frequentemente construídos em adobe, com lama e pedras (o que mantém as casas mais frescas), com algumas casas com paredes de tijolo mesmo e a chapa apenas a servir de telhado e a remendar uma ou outra parede. Mas aqui, a chapa domina tudo. A chapa, o pó, o fumo e o lixo. As "casas" são quase coladas umas às outras, a privacidade é nula. O saneamento e a electricidade inexistentes, as vielas (sim, que não se pode chamar rua a sítios onde quase só se passa de lado) em terra batida. E claro, o verde da cidade, que tanto me encantou à chegada, não existe nestas paragens, nem os ecopontos, nem os "beautification programs". Por vezes, o verde termina no quarteirão ao lado, mas nunca chega aos bairros. Aqui reina a paisagem árida, lunar, ao estilo "Mad Max", coberta de chapa reluzente e um sentido de humor brilhante. É impossível não reparar em pormenores como o "Confort &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd8AjBC4J4I/AAAAAAAAAvg/_2Ok6Q0OWvY/s1600-h/mathare+valley+7.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd8AjBC4J4I/AAAAAAAAAvg/_2Ok6Q0OWvY/s200/mathare+valley+7.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322973886151141250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Funeral Services", anunciado por uma tabuleta gigante pintada à mão na frontaria de um "barraco" esburacado e manhoso. (Depois de uma vida neste caos, há que pelo menos ser sepultado com conforto... é justo!)Lindo também é o "Sunshine Hotel", que não deve ter um único raio de Sol durante todo o dia, pois está enfiado no meio de outros barracos num buraco lamacento. E não podemos esquecer o Hotel Barcelona e o Hotel New York a dar um ar cosmopolita à vizinhança. Igualmente impressionante é o número de Igrejas, de todos os credos que nascem como cogumelos pela cidade toda, mas que aqui, nos bairros de lata, encontram uma espécie incubadora. Os nomes são reveladores "Friends Church" (pois claro, valham-nos os amigos num sítio destes), "Hope Church" (booooring!), "End Times Glory Minister" (uns visionários bem informados) e por aí em diante. (A questão das Igrejas merece um post próprio. Eu ando a anotar os nomes sempre que passo por uma nova e a tentar perceber o fenómeno. A seu tempo voltarei ao assunto).&lt;br /&gt;Esta foi uma primeira impressão, muito superficial. Mas vou voltar aqui e vou conhecer outros bairros de lata e irei dando conta do que vejo. Para já, vou mudar-me por umas semanas para o Monte Quénia. Não vai ser fácil sobreviver ao ar limpo e despoluído. Estou tão "agarrada" ao monóxido de carbono que temo pela minha saúde. Mas é a vida do "Perguntador" (tradução literal do swahili para investigador).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3870681918387293579?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3870681918387293579/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3870681918387293579' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3870681918387293579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3870681918387293579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/outra-cidade.html' title='A OUTRA CIDADE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sd8CG3vMx4I/AAAAAAAAAvo/-kHPElC26CI/s72-c/mathare+valley+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2498987752730069151</id><published>2009-04-08T13:30:00.002+01:00</published><updated>2009-04-08T14:01:34.729+01:00</updated><title type='text'>TAXÍMETROS PRECISAM-SE!</title><content type='html'>Os táxis em Nairobi são caros, normalmente sem manutenção ou a desfazer-se. É normal haver janelas partidas ou que não abrem, painéis laterais e chão esventrados, muita chapa amassada e limpeza quase zero. Há uma ou outra empresa mais catita mas aí os preços são ainda piores. E o pior de tudo é que não há preços fixos, é preciso regatear! Ainda por cima a descriminação é descarada. Há preços para residentes, preços para outros africanos e preços para mim que devo ter ar de burguesa dos trópicos. A minha amiga Julie diz que os taxistas não me resistem, passam por mim e param a perguntar se preciso deles, ao passo que a ela nunca nenhum perguntou nada (eu acho que é por ela ser freira, tem protecção do Senhor :) contra a descriminação da classe). &lt;br /&gt;Ora eu até nem me importo de regatear, tenho paciência, sou teimosa... mas convenhamos que quando uma pessoa está com pressa e tem de estar ali a negociar e a fazer o filme do virar costas para irem atrás de nós e bater o pé no meio da rua a dizer que não pagamos nem mais um tostão, até o taxista dizer que sim... é um frete. Eu normalmente ando a pé ou uso os Matatus (Hiaces em Angola, Chapas em Moçambique... é tudo igual; a Toyota monopoliza o mercado dos transportes públicos em África), mas de vez em quando lá preciso de um táxi. Já fiquei por duas vezes parada no meio de nenhures a tomar conta do táxi, literalmente, por termos ficado sem gasolina... que custa 0,70 o litro (é um escândalo!) Isto depois de os taxistas abrirem as goelas às viaturas, empurrarem e tentarem de tudo até se conformarem com o facto de terem ficado sem gasolina. Nessa altura, pedem mil desculpas, perguntam se posso ficar a tomar conta do carro (em sítios no meio nenhures e longe de tudo) e partem com uma garrafita de água de litro e meio até desaparecerem no horizonte para só voltarem muito tempo depois. Não é bonito! &lt;br /&gt;O melhor negócio que fiz até hoje foi baixar o preço de uma viagem de 11 euros para 6 euros, isto porque com a maior das calmas eu dizia ao taxista "Olhe, ou são 6 euros ou vou a pé!", "O quê?! São 10 km, não pode ser", "Isso é comigo" dizia eu e ia indo rua acima... bem, o senhor ficou tão zangado que depois de concordar arrancou quase sem me deixar fechar a porta do carro e fez &lt;span style="font-style:italic;"&gt;slalon&lt;/span&gt; por toda a cidade. No fim, quando saí disse-lhe "Olhe que eu havia de ter baixado ainda mais o preço, você chegou aqui num instante!"... e podia ter ficado caladinha, é certo, pois o homem arrancou esbaforido e deixou-me para trás coberta por uma nuvem de pó e fumo. Também é interessante a estratégia de pedir a um autóctone para chamar o táxi e negociar o preço. Ficam doidos quando me veem a mim a entrar no carro. Ainda hoje precisei de um táxi de manhã para ir para os quintos dos Infernos, num bairro de lata na periferia da cidade mas estava com tanto receio de chegar tarde que o mais que consegui foi baixar dos 12 para os 10 euros. Claro que na volta pedi a outra pessoa para negociar a viagem e a coisa ficou só por 7... é mesmo uma descriminação!&lt;br /&gt;Mas o pior de tudo é tentar negociar a tarifa em Swahili. No princípio até parece que vai correr bem.... sente-se no ar um "respeitinho" diferente... o pior é quando ainda não se decoraram os números todos e ficamos com falta de vocabulário para regatear e acabamos por pagar 5 euros porque não sabemos dizer 4, nem 3 em Swahili. É triste!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2498987752730069151?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2498987752730069151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2498987752730069151' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2498987752730069151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2498987752730069151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/taximetros-precisam-se.html' title='TAXÍMETROS PRECISAM-SE!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-1253252733337908221</id><published>2009-04-07T14:25:00.002+01:00</published><updated>2009-04-07T14:40:37.784+01:00</updated><title type='text'>VIVA A TECNOLOGIA!</title><content type='html'>Eu não resisto a partilhar este estado de encantamento. É extraordinário estar tão longe e poder estar tão perto da minha gente e do resto do mundo.&lt;br /&gt;Eu explico: estou para aqui a trabalhar na esplanada do Savana, a preparar questionários, e ao mesmo tempo estou online com uns quantos amigos, que em lugares diferentes também estão a tentar trabalhar e entretanto uso a câmara do portátil para lhes mostrar onde estou e parece que estamos mesmo pertinho. Depois lembro-me de um amigo que faz anos e ligo-lhe do Skype, que é baratinho para lhe dar os parabéns e matar saudades. Depois, farta de ouvir a playlist dos anos oitenta daqui do Savana, ligo a minha lista do Last FM e trabalho ao som da minha música preferida. Ouvir NIN e Young Gods enquanto actualizo o blogue... é lindo!&lt;br /&gt;Só falta mesmo o teletransporte! &lt;br /&gt;E é preciso dizer que não sou propriamente uma geek... bem pelo contrário, como alguns de vocês sabem :). Sou uma utilizadora calculista. Só aprendo aquilo que preciso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-1253252733337908221?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/1253252733337908221/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=1253252733337908221' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1253252733337908221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/1253252733337908221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/viva-tecnologia.html' title='VIVA A TECNOLOGIA!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6385210901066779659</id><published>2009-04-03T15:17:00.008+01:00</published><updated>2009-04-03T15:38:41.635+01:00</updated><title type='text'>MIMI NINAPENDA KISWAHILI SANA*</title><content type='html'>&lt;meta equiv="CONTENT-TYPE" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta name="GENERATOR" content="StarOffice 8 ASUS Edition (Win32)"&gt;&lt;style type="text/css"&gt; 	&lt;!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21&lt;/style&gt;Hoje f&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYbVltTLGI/AAAAAAAAAt8/XfdTIvznxeM/s1600-h/DSC03038.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYbVltTLGI/AAAAAAAAAt8/XfdTIvznxeM/s200/DSC03038.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320470067498134626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;oi o meu último dia de aulas de Swahili. Ao todo fizemos um curso intensivo de 54h, ao longo de quatro semanas e foi uma experiência extraordinária. Para mim, que gosto de línguas, foi particularmente interessante porque além de ser um desafio novo, a aprendizagem da língua permitiu-me conhecer melhor a cultura local. Foi também um bocadinho esquizofrénico aprender uma língua nova tendo por referência uma outra língua que não a minha  língua materna (o inglês, neste caso) e falado com uma pronúncia que eu dificilmente entendo (a do Quénia). Agora já me safo melhor mas no início “Dásdei” não me parecia nada “Thursday”, “Gál” não me soava a “girl” e “uád” parecia tudo menos “word” e tudo se complicava quando uma frase inteira como “insáted in the midáu ovauád” não &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYcKIja3HI/AAAAAAAAAuM/Cq4PJX0UFOc/s1600-h/DSC03031+%28800x600%29.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYcKIja3HI/AAAAAAAAAuM/Cq4PJX0UFOc/s200/DSC03031+%28800x600%29.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320470970205133938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;me soava nada a “inserted in the middle of a word”. Claro que o meu inglês com pronúncia britânica (segundo os locais, claro) também não soava familiar ao Mr. Musyoka (nosso ilustre professor, intelectual, linguista, conselheiro sentimental e pastor). Valeu-nos a preciosa ajuda da Julie, a minha colega de curso, que é canadiana e &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYbz_JuANI/AAAAAAAAAuE/02WPrJz5g58/s1600-h/DSC03034.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYbz_JuANI/AAAAAAAAAuE/02WPrJz5g58/s200/DSC03034.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320470589724295378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;serviu de intérprete. E valeu-nos sobretudo a boa disposição pois muito nos rimos ao longo destas semanas de aulas. Já agora, por falar de pronúncias, devo dizer que falar Swahili é fácil para qualquer tripeiro ou tripeira bem falante. Estamos habituados a abrir as vogais e a pronunciá-las bem... e isso é fundamental. Claro que com a gramática a história é outra, pois a língua, de raiz bantu, com 30 por cento de palavras árabes, não se parece com nada... mas já lá iremos. A pr&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYdyoVLosI/AAAAAAAAAuk/FkT1ybDsOqU/s1600-h/DSC03037.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYdyoVLosI/AAAAAAAAAuk/FkT1ybDsOqU/s200/DSC03037.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320472765441745602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ópria escola é um lugar especial, uma espécie de babilónia onde se aprendem todas as línguas bantu do Quénia, e ainda inglês, francês e espanhol e onde, portanto se encontram pessoas dos quatro cantos do mundo, com os mais diversos interesses na vida e as mais diversas profissões. Para mim foi particularmente útil porque conheci pessoas que estão a aprender línguas locais para irem trabalhar nas várias regiões do país e agora tenho contactos de muita gente junto das comunidades que me interessa estudar. A escola tem também a melhor esplanada das redondezas, instalada num belo jardim, onde me habituei a tomar o pequeno-almoço todos os dias, onde fiquei viciada em &lt;i&gt;mandazi&lt;/i&gt; (doce, pouco doce, local) e onde baralhava os neurónios dos empregados sempre que pedia  “Kahawa bila maziwa, tafadahali” (café sem leite, por favor!). &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Cinquenta e quatro horas de aulas pode parecer muito pouco para aprender uma língua nova, particularmente difícil, mas o facto é que esta foi a minha principal tarefa este mês e o professor era mesmo bom, o que significa que aprendi toda a estrutura da língua e muito vocabulário e agora só me falta praticar (o que é muito difícil em Nairobi, pois as pessoas querem mostrar que dominam o inglês), mas que vai acontecer dentro de uma semana quando me mudar para o Monte Quén&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYcx1LK0kI/AAAAAAAAAuU/c7Egl5b0v5E/s1600-h/DSC03040.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYcx1LK0kI/AAAAAAAAAuU/c7Egl5b0v5E/s200/DSC03040.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320471652197913154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Sobre o kiswahili e sobre quem o fala descobri coisas fascinantes. Por exemplo, gostei particularmente do significado de “mtafiti” (investigador) que se traduz literalmente “perguntador”, depois há a questão do verbo “to have” que não significa “ter” pois não existe o conceito de propriedade, mas sim “estar com”, que implica transitoriedade. Ou seja, nada&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYdRR37bCI/AAAAAAAAAuc/ZWhUJ0nS38s/s1600-h/DSC03041.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYdRR37bCI/AAAAAAAAAuc/ZWhUJ0nS38s/s200/DSC03041.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320472192477785122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; nos pertence, apenas estamos com as coisas, por exemplo, durante algum tempo. A questão das horas e da divisão do dia tira do sério qualquer ocidental porque em swahili o relógio é diferente, as horas contam-se com outra lógica e o dia tem 8 partes muito bem definidas. Sendo um país atravessado pelo Equador, o Quénia tem 12h de dia e 12h de noite e a vida activa rege-se pela luz do dia. Assim, a primeira hora do dia, é a primeira hora de actividade, ou seja as 7h da manhã. Entre as 6h e as 7h é “alfariji” a aurora, altura em que as pessoas se preparam para a actividade na primeira hora. Quando se pergunta as horas, se forem, por exemplo, 8h da manhã para nós, em swahili são 2h (a segunda hora do dia) e por aí em diante. Esta parte é de doidos!  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Também é bonito, no meio desta cacofonia de sons estranhos aparecerem palavras emprestadas como “limau”, “meza”, “daktari”, “wiki”, “komputa”, “eropleni”... (limão, mesa, doutor, week, computador, aeroplano”.  &lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O Swahili é uma língua muito harmoniosa em que tudo tem de concordar com tudo através de um esquema complexo de prefixos, sufixos e partículas que formam palavras de quilómetros que integram pronomes, marcadores temporais, verbos, adverbios de lugar etc. Por exemplo, isto escreve-se tudo junto: ni (eu) + na (particula do verbo fazer) + wa (gerúndio) + andiki (verbo escrever) + eni (tu) = ninawaandikieni = estou a escrever-te (I'm writing to you)... fácil, Humm?&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Interessante também é o facto de só existirem 5 cores em swahili (preto, branco, vermelho, verde e  azul) todas as outras são composições destas cores básicas como cor-de-rosa = e&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYebkNC5II/AAAAAAAAAus/0WABHgzhYsc/s1600-h/DSC03046.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYebkNC5II/AAAAAAAAAus/0WABHgzhYsc/s200/DSC03046.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5320473468708512898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;kundu eupe (vermelho e branco).&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Tenho muito que aprender e que praticar e se calhar mais tarde nesta aventura, se tiver tempo, volto às aulas para fazer um curso intermédio.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Entretanto, no meio da cacofonia swahiliana há expressões que soam melhor que outras “Mimi ninakupenda sana” (amo-te muito) não me parece lá muito romântico, ao passo que “Mimi ninalala” (vou dormir), a minha preferida, me parece deliciosa!.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;*&lt;i&gt;Eu gosto muito de Swahili.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6385210901066779659?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6385210901066779659/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6385210901066779659' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6385210901066779659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6385210901066779659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/mimi-ninapenda-kiswahili-sana.html' title='MIMI NINAPENDA KISWAHILI SANA*'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SdYbVltTLGI/AAAAAAAAAt8/XfdTIvznxeM/s72-c/DSC03038.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3319923849972955556</id><published>2009-04-01T13:15:00.003+01:00</published><updated>2009-04-01T13:47:38.600+01:00</updated><title type='text'>DESCOBERTAS II</title><content type='html'>Pois, elas não páram... as descobertas. É tudo novidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O preço da fruta&lt;/span&gt;. Não custa quase nada e é extraordinária. Por exemplo, as mangas que não se comparam com as dos nossos supermercados custam no máximo 0,50 cêntimos o quilo. Nada mau! E os sumos naturais também têm preços amigos; por 1 euro ou 1,50 afogamos a sede no melhor sumo de maracujá, manga, ananás, papaia, laranja... Uma maravilha! (Claro que vinho nem vê-lo, que é caríssimo, mas não se pode ter tudo!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os serviços de saúde&lt;/span&gt;. Já tinha percebido que muitas pessoas de outros países da região procuram o Quénia para tratamentos médicos mas eu ainda não tinha experimentado. Infelizmente o início da época da chuva (tão desejado) provocou mudanças bruscas no tempo e eu ressenti-me. Ontem estava pior que o chapéu de um pobre e na dúvida entre ter gripe ou malária lá fui visitar o Sr. Doutor e só vos digo que fui muito bem tratada. Fizeram-me logo montes de exames, nomeadamente o teste da malária, receitaram-me medicamentos que me puseram quase boa de um dia para o outro e Voilá! Ainda por cima foi super barato. Fui a uma clínica privada e paguei por tudo menos de 7 euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os idosos&lt;/span&gt;. Afinal não é só na Europa que nos debatemos com o abandono dos idosos. Aqui em África também é um problema, nomeadamente entre algumas tribos nómadas, que literalmente deixam para trás aqueles que não os podem acompanhar. Algumas pessoas que trabalham com estas populações queixam-se do facto de num país com tantas ONGDs, a maior parte do trabalho se concentrar nas crianças e os idosos serem completamente esquecidos.  Fiquei a pensar, o quanto somos priosioneiros dos nossos esteriótipos. Acreditamos que as sociedades africanas são exemplares no que respeita ao cuidado prestado aos mais velhos e no entanto, a realidade pode ser bem diferente. Fiquei com uma enorme vontade de explorar este assunto.... mas não posso, já sei! Tenho outras prioridades!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3319923849972955556?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3319923849972955556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3319923849972955556' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3319923849972955556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3319923849972955556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/04/descobertas-ii.html' title='DESCOBERTAS II'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4009024518859835173</id><published>2009-03-28T14:23:00.011Z</published><updated>2009-03-28T16:29:28.979Z</updated><title type='text'>UM SÁBADO DIFERENTE DOS OUTROS</title><content type='html'>Depois de uma semana dura de trabalho achei que merecia uma folga e combinei com a minha colega do curso de swahili um safari fotográfico pelo Santuário das Borboletas, nos arredores de Nairobi. Ainda tinha pensado ir ver leões e rinocerontes ao Parque Nacional de  Nairobi, mas o meu estado de espirito estava mais virado para as borboletas e depois de ter lido sobre o santuário, não me restaram dúvidas de que seria a melhor opção para o meu belo sábado. Acordamos cedinh&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5NPDyFHRI/AAAAAAAAAts/xFsBAN6qANU/s1600-h/DSC03017.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5NPDyFHRI/AAAAAAAAAts/xFsBAN6qANU/s200/DSC03017.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318273131079867666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;o e apanhamos o matatu (a célebre toyota hiace) para o distrito de Karen (assim chamado por causa da Karen Blixen, sim, a do África Minha - cuja quinta era mesmo nesta zona). Nada melhor do que começar o dia ao som do mais urbano hip hop, literalmente aos berros, esmagada no meio de mais 18 pessoas que seguiam viagem num carro para 12. Tudo pelas borboletas! O distrito de Karen, na periferia da cidade, concentra a maior parte de expatriados e europeus que têm aqui quintas e casas enormes, e portanto ao longo da estrada só se veem sebes e muros a ocultar as propriedades.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Eis que chegamos ao&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; Santuário das Borboletas e depois de nos desembrulharmos e sairmos do matatu, demos por nós no meio do nada, em frente a um portão, sem qualquer indicação. Entramos! E depois de muito andar sem ver &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;borboleta nenhuma, vemos aproximar-se um jipe. Quando perguntamos pelas borbol&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;etas o condutor desfez-se em desculpas e explicou-nos que o santuário fechou há.... e reparem bem... nem um, nem dois, nem mesmo três... mas cinco anos. A coisa não existe h&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;á cinco anos! &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E ainda ninguem se lembrou de a retirar dos mapas e dos guias turísticos! Ora bem, sem borboletas à vista e no meio de nenhures, valeu-nos a boleia do Richard que se ofereceu para nos levar ao cruzameento no centro de Karen e chamou um taxista para nos andar a passear pelo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;distrito, o resto da manhã, por um preço amigo. (O Richard é o cientista das borboletas, que estuda espécies de borboletas africanas e que teve de desistir de ter uma parte aberta ao público porque o estado lhe quis cobrar uma fortuna... enfim!)&lt;br /&gt;Dali abala&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5HNgNViYI/AAAAAAAAAtE/KUlvlJhwSR8/s1600-h/DSC03008.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5HNgNViYI/AAAAAAAAAtE/KUlvlJhwSR8/s200/DSC03008.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318266507280877954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;mos então para o Centro das Girafas. É um lugar engraçado, feito de maneira a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; que as pessoa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;s possam acariciar e alimentar os animais ao mesmo tempo que observam o seu h&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;abitat. Eu achei tudo muito bem, mas nada de tocar no bicho. É maior que eu e eu tenho muito respeitinho por bicharada com mais de 1,7&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;0. O Centro tem também uma esplanada simpática de onde se podem ver os animais e vários trilhos pela floresta para qu&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;em os quiser ver mesmo de perto. Ora está claro, que eu não podia ter ficado quietinha a beber um sumito natural e a ver as girafas a uma distancia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;segura. Claro que não! Podia lá ser? Lá nos metemos chei&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5Kg039EbI/AAAAAAAAAtc/D9FLp8JhntU/s1600-h/DSC03006.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5Kg039EbI/AAAAAAAAAtc/D9FLp8JhntU/s200/DSC03006.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318270137780736434" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;as de entusiamo&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5JtBOh2NI/AAAAAAAAAtU/z_efhWmpsYY/s1600-h/DSC03012.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5JtBOh2NI/AAAAAAAAAtU/z_efhWmpsYY/s200/DSC03012.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318269247743449298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; pelo trilho e l&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;á fomos fotografando o que nos aparecia pelo caminho até que nos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;perdemos... é verda&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;de. Aquilo era mais um labiribnto de trilhos do que outra coisa e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; nós&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, entretidas a tirar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; fotos aos b&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ichinhos, ao mesmo tempo que tentavamos e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;vitar cobras e outros bichos menos simp&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5InRjtjwI/AAAAAAAAAtM/Y7TH-bIhtgA/s1600-h/DSC03013.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5InRjtjwI/AAAAAAAAAtM/Y7TH-bIhtgA/s200/DSC03013.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318268049536421634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;áticos, quando &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;demos conta não faz&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;iamos a mínima id&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;eia de onde estávamos n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;em de como sair dali e o calor começava a aperta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;r. E foi en&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;tão que os arbustos se começaram a mexer e as folhas secas a fazer barulho e eu com o cor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ação aos saltos e a máquina&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; apontada e focada vejo uma girafa descomunal a vir na minha direcção. Ora eu sei que o bicho só come &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;verdagens, mas convenhamos que se ela, sei lá, tropeçasse em &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5N8nlLLZI/AAAAAAAAAt0/EFN9EK3T0Do/s1600-h/DSC03016.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 138px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5N8nlLLZI/AAAAAAAAAt0/EFN9EK3T0Do/s200/DSC03016.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318273913783528850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;mim, era capaz de causar alguns danos. Além disso havia montes de avisos para se manter uma distância de 15m das girafas o que é difícil quando nós nos tentamos afastar e elas continuam a aproximar-se. A minha colega tinha desaparecido aos gritos e eu lá tentei com grande dificuldade manter a girafa à distância recomendada. Quando finalmente encontro a Julie, olho para trás e vejo a desavergonhada da bicha a insistir na aproximação e nisto vo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;lto a ouvir gritos, viro-me e vejo outra girafa a sair dos arbustos. Entala&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5Mp8_wPGI/AAAAAAAAAtk/jKNnWCPgeyA/s1600-h/DSC03018.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5Mp8_wPGI/AAAAAAAAAtk/jKNnWCPgeyA/s200/DSC03018.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318272493603011682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;das entre duas girafas enormes no meio de um trilho estreito com uma colega a gritar, só me restava aproveitar o momento para tirar fotografias. E foi o que fiz. Consegui tirar belos grandes planos sem zoom e no meio da emoção, já em fuga para a saída, porque finalmente tinhamos dado com o trilho certo, eis que vejo A BORBOLETA. Parecia que estava ali de asas abertas só à minha espera para a fot&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;ografar. É claro que o facto de estar a ser perseguida por duas girafas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; não me deixou focar a borboleta tão bem quanto gostaria.&lt;br /&gt;E eis que, já quase a sair do trilho chega a terceira girafa... foi um bocadinho exagerado&lt;/span&gt;. Eu naquela altura já nem as podia ver e a minha colega tinha-se evaporado. Guardei a máquina fotográfica para andar mais ligeira e saí dali para fora. Escusado será dizer que quando nos vimos em segurança muito nos rimos do encontro com as girafas e depois fomos a outros sítios e fizemos compras e tudo mas sobre isso já não há nada para contar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4009024518859835173?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4009024518859835173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4009024518859835173' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4009024518859835173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4009024518859835173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/um-sabado-diferente-dos-outros.html' title='UM SÁBADO DIFERENTE DOS OUTROS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sc5NPDyFHRI/AAAAAAAAAts/xFsBAN6qANU/s72-c/DSC03017.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2320897365729844680</id><published>2009-03-25T19:25:00.005Z</published><updated>2009-03-25T20:15:51.874Z</updated><title type='text'>THE ETHIOPIAN RESTAURANT EXPERIENCE</title><content type='html'>Hoje fui jantar fora. Faz 20 dias que estou em Nairobi (apesar de a mim me parecer que já cá estou há meses) e pareceu-me uma bela oportunidade para comemorar.&lt;br /&gt;Conheci a Alice, uma tutsi do Burundi, com quem tenho aprendido muito (nomeadamente sobre o imbróglio entre hutus e tutsis) e que é uma excelente companhia e a sugestão do restaurante etíope foi dela, depois de me ouvir dizer que queria aproveitar para dar um saltinho à Etiópia nos próximos tempos. Eu confesso que qualquer sugestão era bem-vinda desde que significasse sair à noite, que já me sinto como se estivesse mesmo num convento :).&lt;br /&gt;Começamos pelo martini bianco na Trattoria... perfeito! E depois lá fomos ao Blue Nile. Ela avisou-me que a comida é muito picante e isso para mim até me pareceu bem... mas não me avisou de mais nada.&lt;br /&gt;Eu não tenho problemas culturais com a comida, eu como cão, rato, coelho, porco, cobra, elefante... o que vier, desde que venha morto e bem cozinhado. O mesmo não acontece com a maneira de comer e aí a coisa é mais complicada. No restaurante etíope não há talheres... mesmo. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScqO6srRncI/AAAAAAAAAsU/zQzDEqlWStA/s1600-h/ethiopian_food.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317219449140518338" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScqO6srRncI/AAAAAAAAAsU/zQzDEqlWStA/s200/ethiopian_food.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nem adianta pedir que não têm e come-se tudo com as mãozinhas. Ora quem me conhece sabe que eu sou mesmo nojentinha com essa coisa de comer com as mãos. Agora imaginem a minha cara a ver chegar a comidinha: colocam um tabuleiro redondo do tamanho da mesa à nossa frente. O tabuleiro está "forrado"por uma massa fina que não sabe a nada e parece crepe, no centro bocados de frango cobertos por um molho tipo bolonhesa e isto tudo rodeado de queijo fresco caseiro e legumes. O segredo é ir partindo a massa e apanhar o resto da comida com ela. Não imaginam o que eu me ri! Consegui sujar só três dedos e comer como um alarve :) e acabei a refeição besuntada e com uma montanha de guardanapos de papel sujos ao meu lado. A comida era boa, gostei, mas era tão picante que chorei e funguei o tempo todo. Uma desgraça! Para terminar em beleza, servem-nos um belo café tradicional e colocam incenso (mesmo incenso, tipo bocados de resina) a queimar na mesa. O incenso tinha um cheiro tão forte que eu tive um ataque de alergia e juntei às lágrimas e fungadelas uma imensa sinfonia de espirros.&lt;br /&gt;Vinte dias no Quénia... bela comemoração! (E sim, vou voltar a comer no restaurante etíope, mas para a próxima vou preparada!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2320897365729844680?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2320897365729844680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2320897365729844680' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2320897365729844680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2320897365729844680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/ethiopian-restaurant-experience.html' title='THE ETHIOPIAN RESTAURANT EXPERIENCE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScqO6srRncI/AAAAAAAAAsU/zQzDEqlWStA/s72-c/ethiopian_food.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4707535565083332402</id><published>2009-03-25T11:27:00.003Z</published><updated>2009-03-25T11:49:33.431Z</updated><title type='text'>CURIOSIDADES</title><content type='html'>1 - Todos os dias de manhã, a caminho da escola de línguas, passo pela "rua mais segura de Nairobi". É verdade, tem um outdoor no início com a esta mensagem e depois dois smileys a avisar "avance para 'friendly checkpoint'" e mais um outdoor no final da rua a agradecer a visita. Ao longo da rua estão sempre uns 6 militares armados e vários obstáculos. Na verdade a rua parece uma chincana de brincar. Os carros têm de passar um a um, são inspeccionados pelos militares que abrem as bagageiras e espeitam para o chasis com a ajuda de um espelho e depois têm de contornar os obstáculos (bases com pregos para furar pneus, vasos gigantes etc). E isto tudo porquê??? Porque fica nesta rua a embaixada de Israel :) o que faz com que para além desta parafernália militar ainda tenha uns senhores da Mossad (uma espécie de "Men in Black"dos trópicos) a correr sempre de um lado para o outro de walkie talkies na mão. É uma emoção!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - A minha colega de curso está responsável pela construção de um edifício em Kisumu e é um filme supervisionar as coisas porque o empreiteiro não discute o assunto com mulheres. Manda uma espécie de secretários para falar com ela, porque ele não se pode rebaixar a tal situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Pela manhã, quando tomo o meu belo pequeno-almoço no jardim da escola, costumo estar rodeada de colibris. São tão bonitos! Nunca tinha visto nenhum antes, mas lá há muitas flores e os passaritos, delicados e coloridos, lá andam a debicar as flores. É um momento alto do meu dia :).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4707535565083332402?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4707535565083332402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4707535565083332402' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4707535565083332402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4707535565083332402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/curiosidades.html' title='CURIOSIDADES'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-599062980673254636</id><published>2009-03-23T15:19:00.002Z</published><updated>2009-03-23T15:35:17.273Z</updated><title type='text'>NOTÍCIA DO DIA</title><content type='html'>Hoje o "Daily Nation" publicou uma notícia deveras curiosa. Parece que um marido ciumento, desconfiado de uma possível traição, resolveu cortar as mãos da mulher à catanada. Até aqui, tudo bem, a notícia é triste mas há gente doida em todo o lado. Agora a parte inquietante da notícia é que o homem está convencido que vai ser absolvido, pelo simples facto, de agora ter em casa uma mulher inválida, de quem vai ter de cuidar! E pelo que tenho visto, ouvido e lido até é mesmo capaz de se safar. Ultimamente estes assuntos até já me dão taquicardia, de tão mal que as mulheress são tratadas por aqui.&lt;br /&gt;Uma mulher sem marido é absolutamente uma não pessoa e há vários casos de instituições especializadas no apoio a viúvas, por exemplo. A indelicadeza e falta de educação do cidadão comum relativamente às mulheres até dói (a forma como quase as atropelam na rua, como lhes falam com rudeza, como as insultam ao volante) e eu falo como se não fosse nada comigo, porque sou branca e é essa a única diferença que me faz sentir um pouco mais bem tratada. Fosse eu pintada de outra cor e era uma não pessoa ou era propriedade de alguem (como disse o meu professor de swahili sobre a violência doméstica "a mulher é propriedade do marido, ele pagou por ela à família, ele pode fazer o que ele quiser".&lt;br /&gt;A violência doméstica assume tais proporções que ao conversar comigo sobre o assunto uma senhora perguntou-me "O quê? Mas lá em Portugal as mulheres não andam marcadas? Não têm nódoas negras?" E perante o meu "Noooooooo!" Ela fez o ar mais incrédulo do mundo, como se fosse algo absolutamente impossível.&lt;br /&gt;Pois é, isto é tudo muito bonito e tal mas ser mulher por cá tem muito que se lhe diga!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-599062980673254636?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/599062980673254636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=599062980673254636' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/599062980673254636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/599062980673254636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/noticia-do-dia.html' title='NOTÍCIA DO DIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-514947073832656462</id><published>2009-03-20T17:08:00.004Z</published><updated>2009-03-20T17:56:28.137Z</updated><title type='text'>THE "GRAN TORINO" EXPERIENCE</title><content type='html'>Hoje fui ao cinema! Já tinha percebido que existem boas salas de cinema e bons filmes em cartaz, mas ainda não tinha tido oportunidade. Mas hoje, depois de uma semana cansativa e de uma conversa matinal que me tirou do sério e que me fez "hit the roof", como tanto gostam de dizer por aqui, sobre a relativização e desvalorização da violência doméstica, achei que merecia um belo filme e fui ao moderno centro comercial de Nakumatt Junction.&lt;br /&gt;Antes de mais, deixem-me informar-vos que finalmente descobri o habit natural da espécie do &lt;em&gt;Homo Ocidentalis&lt;/em&gt;. Eu estranhava não os ver na rua, nas lojas, nos jardins, nos transportes públicos e hoje, pela primeira vez, fez-se luz: a espécie habita os centro comerciais, desloca-se de carro e provavelmente tranca-se em casa (são muito estranhos!).&lt;br /&gt;Mas adiante... resolvi ir ver o "Gran Torino", o último filme do Clint Eastwood, que adorei e recomendo a todos os que ainda não tiveram oportunidade de ver. Mas o mais interessante, ou melhor o incidente crítico da sessão não foi o filme em si, mas o facto de após meia hora de publicidade, aparecer uma advertência para que os espectadortes se levantassem pois ia tocar o hino nacional... tal e qual!!! Eu nem queria acreditar no que estava a ver e devo ter ficado de olhos esbogalhados a olhar para as pessoas que se levantavam como se tivessem molas nos bancos e olhavam seriamente para uma bandeira esvoaçanto no ecrã. Paralizada e em estado de choque, começo a ouvir as pessoas a dizer "stand up", "you must stand up" e devia estar tão aparvalhada que uma senhora teve a amabilidade de vir ter comigo e dizer "stand up my dear, please... It's a crime not to stand up. You may be arrested!". Claro que perante argumentos tão convincentes eu lá me levantei e fiquei a olhar feita parva para a bandeira esvoaçante e sem sentido nenhum para mim.&lt;br /&gt;Intelectualmente eu chego lá, mas a pessoa que eu sou nunca vai compreender esta adoração dos símbolos patrióticos e nacionalitas... e não há relativização cultural que me valha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-514947073832656462?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/514947073832656462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=514947073832656462' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/514947073832656462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/514947073832656462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/gran-torino-experience.html' title='THE &quot;GRAN TORINO&quot; EXPERIENCE'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7781568428332155094</id><published>2009-03-18T11:46:00.007Z</published><updated>2009-03-18T12:18:33.960Z</updated><title type='text'>DESCOBERTAS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Como devem imaginar ando a descobrir coisas novas todos os dias, umas mais interessantes, outras mais insignificantes, mas todas surpreendentes, pelo menos para mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;1 A literatura africana anglófona.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Esta é talvez a maior e melhor descoberta de todas. Até agora a literatura &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDkjvGxyII/AAAAAAAAArs/ClfKqfDOdRM/s1600-h/CNAdichie1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314498862888634498" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDkjvGxyII/AAAAAAAAArs/ClfKqfDOdRM/s200/CNAdichie1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;africana que eu conhecia resumia-se exclusivamente à lusófona, pela qual tenho uma grande apreciação, é certo... mas convenhamos que estava muito limitda. No outro dia descobri uma livraria fantástica, com livros novos e usados e bom preço e saí de lá carregadinha de livros, muitos de autores africanos desconhecidos para mim. Estou a terminar um livro maravilhoso... dos melhores que já li. Chama-se "Half of a Yellow Sun" e é escrito por uma nigeriana chamada Chimamanda Ngozi Adichie e está publicado pela Random House. Aconselho vivamente... e entretanto vou dedicar-me a descobrir outros autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDlhO376TI/AAAAAAAAAsE/x_KAPHAWDgY/s1600-h/Masai.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314499919388338482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDlhO376TI/AAAAAAAAAsE/x_KAPHAWDgY/s200/Masai.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;2 Os Masai.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Ontem vi um masai na rua. Tinha deles a imagem colorida e etnográfica de uma tribo muito "explorada" pelo turismo. Achei que toda aquela parafernália colorida e de adereços tradicionais era usada exclusivamente para as fotos dos turistas e para "ilustrar" o parque de Masai Mara. Pelos vistos não é verddade. Se por um lado é certo que eles próprios tentam aproveitar o fluxo denso de turistas à reserva, por outro também parece ser certo que estão seriamente empenhados em manter a sua identidade e tradições. O masai que vi ontem, em plena baixa da cidade parecia uma visão de outro mundo, com o seu manto vermelho, colares de contas e brincos e um olhar altivo do alto dos seus quase 2 metros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDlJXtxB7I/AAAAAAAAAr8/kkJJ8j74p5A/s1600-h/apartments.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314499509444741042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 133px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDlJXtxB7I/AAAAAAAAAr8/kkJJ8j74p5A/s200/apartments.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;3. O preço exorbitante dos apartamentos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Tenho andado a procurar uma casita para alugar, um espaço que eu possa personalizar e fazer-me sentir mais em casa. Mas o mais barato que encontrei e depois de muita negociação foi um estudio de 500 euros por mês. É certo que é mobilado, tem serviço de limpeza, piscina e jardim comum e tudo e tudo e tudo. Parece que não há meio termo (ou pelo menos ainda não encontrei), ou vou viver para um bairro de lata ou para um condomínio de luxo...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;4. Ainda consigo falar italiano&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Conheci um casal de italianos super simpático lá no albergue que vive no parque nacional do Monte Quénia e gere uma casa de acolhimento para crianças deficientes. Descobri que ainda consigo conversar em italiano... e já não pratico há uns 2 anos. Fiquei feliz :).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7781568428332155094?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7781568428332155094/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7781568428332155094' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7781568428332155094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7781568428332155094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/descobertas.html' title='DESCOBERTAS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/ScDkjvGxyII/AAAAAAAAArs/ClfKqfDOdRM/s72-c/CNAdichie1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6997233469399329142</id><published>2009-03-16T16:34:00.005Z</published><updated>2009-03-16T17:10:05.539Z</updated><title type='text'>MORAL DA HISTÓRIA</title><content type='html'>O professor de Swahili desenvolveu o hábito de nos contar um conto tradicional em todas as aulas para podermos adivinhar a moral da história.&lt;br /&gt;Até hoje, já passaram cinco histórias e eu não acertei uma :). A última, supostamente um conto infantil tenebroso (sim... é pior que o capuchinho vermelho!) kukuyu (a tribo do professor), rezava assim.&lt;br /&gt;Andava uma menina na floresta (como sempre!) que chegou a um pequeno caminho que conduzia montanha acima. Na aldeia todos sabiam que não se podia subir a montanha pois aconteceriam coisas terríveis e as crianças eram advertidas para se manterem à distância. A menina hesitou, mas ouvia lá em cima o barulho da água e o dia estava muito quente e portanto pôs-se a caminho (como sempre também!). Quando chegou ao cimo e se refrescava numa nascente apareceu-lhe um ogre (e... la! yeye si Shrek!) horrível que disse que tinha de a comer (tal e qual!). A menina chorou muito, implorou piedade e o monstro lá lhe disse:&lt;br /&gt;- Olha, o mais que posso fazer por ti, é comer-te apenas um seio (e não há nenhuma maneita bonita de dizer isto!!... e sim, a menina já devia ser crescidota!). Mas depois voltas para casa e não podes dizer a ninguém que aqui estiveste e o que te aconteceu.&lt;br /&gt;E assim foi!&lt;br /&gt;A menina lá voltou a casa, com um seio a menos e um buraco ensanguentado no lugar deste. Como se sentia mal (aquilo deve ter doido um bocadinho, pois claro!) e não podia andar por ali a mostrar-se porque lhe iam perguntar o que lhe tinha acontecido e ela não podia dizer, enfiou-se na cama, encolhida e disse que lhe doida a cabeça (é uma boa desculpa para muitas coisas!). Passado alguns dias, sempre com a mesma desculpa, a mãe insistiu para ela contar o que tinha que assim não podia continuar.&lt;br /&gt;Ora a menina com medo do ogre (que é um espirito mau e ouve e sabe de tudo) pediu então á mãe para convocar toda a aldeia e para todos estarem a postos com todas as armas disponíveis (ele eram catanas, arcos e flechas, pedras que nunca mais acabavam).&lt;br /&gt;A mãe assim fez e assim aconteceu. Enquanto a menina se preparava para enfrentar a aldeia e contar a verdade, a mãe, como é tradição fez uma bela panela de sopa (outro ingrediente comum às histórias infantis) e partilhou-a com todos os vizinhos.&lt;br /&gt;É então que o espirito do ogre se materializa no meio da sala e diz:&lt;br /&gt;- Ah! com que então pensavas que me enganavas! Todos os que comeram desta sopa vão morrer agora e a ti vou comer-te devagarinho, bocadinho por bocadinho (não é bonito!).&lt;br /&gt;E assim foi, toda a gente quinou menos a menina e ele começou a tirar-lhe uma orelha, depois um dedo e... (perceberam, não perceberam?).&lt;br /&gt;Então chega o irmão da menina que vinha de pastar as cabras e vê aquela cena. Pega silenciosamente no arco e na flecha e dispara certeiro para o olho do ogre, que morre imediatamente (isto não me parece bem! tanta coisa, tão poderoso e quina com uma flechazita nos olhos).&lt;br /&gt;Com a morte do ogre desfazem-se todos os feitiços dele. Ou seja, os mortos ressuscitam e os bocados que faltavam á menina voltam todos para o seu lugar (incluindo o primeiro seio a ser comido!)&lt;br /&gt;Moral da história: Devemos sempre obedecer e cumprir as regras.&lt;br /&gt;Moral da história para a minha colega: há sempre esperança pois quando menos se espera aparece sempre alguém para nos ajudar.&lt;br /&gt;Moral da história para mim (e motivo de grande risota na aula): se vamos enfrentar um ogre que é um espirito mau, não vale a pena convocar os guerreiros da aldeia, o melhor é contratar um exército de espiritos bons para lhe dar no canastro, pois lutam de igual para igual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6997233469399329142?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6997233469399329142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6997233469399329142' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6997233469399329142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6997233469399329142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/moral-da-historia.html' title='MORAL DA HISTÓRIA'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4395062901751612968</id><published>2009-03-14T14:22:00.010Z</published><updated>2009-03-15T10:57:41.255Z</updated><title type='text'>IMAGENS DE NAIROBI</title><content type='html'>Já que tanta gente manifestou vontade de visitar o Kenya resolvi pegar na máquina fotográfica e começar a tirar fotografias para verem o que vos espera. São todos muito bem-vindos! E olhem, toda agente me diz que Nairobi é o que o país tem de menos bonito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzQn8KUtuI/AAAAAAAAArE/Egiruf0Te3c/s1600-h/museu+nac24.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313351044973246178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzQn8KUtuI/AAAAAAAAArE/Egiruf0Te3c/s320/museu+nac24.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Entrada do museu nacional. A exposição é interessante, o espaço do museu é muito bonito e as obras de arte espalhadas pelo jardim são excelentes... e o restaurante com esplanada é uma pérola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzRlVUjPRI/AAAAAAAAArU/AXZ9qJDVabc/s1600-h/museu+nac9.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313352099699047698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzRlVUjPRI/AAAAAAAAArU/AXZ9qJDVabc/s200/museu+nac9.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzSWqwcXmI/AAAAAAAAArc/9vnlgpxZd6Q/s1600-h/mjuseu+nac16.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313352947266772578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzSWqwcXmI/AAAAAAAAArc/9vnlgpxZd6Q/s200/mjuseu+nac16.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restaurante do museu&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzRGiBilKI/AAAAAAAAArM/RpY51gDDdI8/s1600-h/museu+nac6.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313351570533029026" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzRGiBilKI/AAAAAAAAArM/RpY51gDDdI8/s200/museu+nac6.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Instalação com fotos antigas e arte no jardim do museu.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbvATZUUClI/AAAAAAAAAqk/GnsiRdbYBJ8/s1600-h/cen+tral+park+nairobi+15.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313051624859765330" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbvATZUUClI/AAAAAAAAAqk/GnsiRdbYBJ8/s320/cen+tral+park+nairobi+15.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Central Park de Nairobi. É proibido sujar e estragar. Apoiado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sbvjop9_6WI/AAAAAAAAAqs/HFPexLTEb2Y/s1600-h/central+park+nairobi7.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313090473013799266" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/Sbvjop9_6WI/AAAAAAAAAqs/HFPexLTEb2Y/s200/central+park+nairobi7.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzPZ21g2fI/AAAAAAAAAq0/SuBUUHRej44/s1600-h/central+park+nairoboi12.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313349703513987570" style="WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzPZ21g2fI/AAAAAAAAAq0/SuBUUHRej44/s200/central+park+nairoboi12.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzQCE1PwYI/AAAAAAAAAq8/tLqdhG9CDgU/s1600-h/central+park+nairobi14.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313350394465730946" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzQCE1PwYI/AAAAAAAAAq8/tLqdhG9CDgU/s200/central+park+nairobi14.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O parque, a baixa da cidade e as flores por todo o lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-4395062901751612968?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/4395062901751612968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=4395062901751612968' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4395062901751612968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/4395062901751612968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/imagens-de-nairobi.html' title='IMAGENS DE NAIROBI'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbzQn8KUtuI/AAAAAAAAArE/Egiruf0Te3c/s72-c/museu+nac24.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-977522658514293785</id><published>2009-03-12T17:08:00.004Z</published><updated>2009-03-12T17:15:38.198Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Centro Cultural'/><title type='text'>CONTRASTES E SINTONIAS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil chegar completamente sozinha a um sítio desconhecido. É estranho e às vezes ainda acordo a pensar onde estou porque não reconheço nada à minha volta (e também porque acordo muito cedo e o meu cérebro ainda está parado, é verdade). De qualquer forma, há uma coisa que eu acho extraordinária: ficamos totalmente alerta e disponíveis. Absorvemos tudo o que acontece à nossa volta com voragem e damos conta de pormenores em que jamais repararíamos se tivéssemos a nossa atenção dispersa.&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais me tem chamado a atenção nestes dias de alerta é a diversidade. São coisas que todos sabemos na teoria, que eu me farto de ensinar em formações sobre interculturalidade mas nas quais raramente nos detemos a sério.&lt;br /&gt;Estou feliz por ter escolhido o Quénia para o meu trabalho de campo. Da África subsariana só conhecia países lusófonos e ficaria para sempre com uma imagem distorcida do continente se não experimentasse outras realidades. Claro que os países lusófonos são todos diferentes, muito diferentes, mas partilham uma herança colonial e referências que os aproximam e que nos aproximam, a nós portugueses deles. Aqui tenho encontrado uma realidade muito diferente, desde a arquitectura (em Nairobi pelo menos, que é uma cidade com cerca de 100 anos apenas - em Mombassa e na costa já nos sentimos mais familiarizados), à língua, que é inglesa e dominada por uma mestiçagem que me tira do sério, aos pequenos hábitos quotidianos, aos códigos de comportamento. Mas hoje vi outra coisa… assim como se tivesse mudado de lentes e pudesse ver outras dimensões da realidade.&lt;br /&gt;Já tenho um lugar de eleição no centro da cidade, o Centro Cultural da Alliance Française, que além de actividades excelentes tem um restaurante com esplanada num pequeno jardim encantador&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SblClJZWzDI/AAAAAAAAAqc/c2C9IXDnEU4/s1600-h/jardim+AF.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5312350441405074482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SblClJZWzDI/AAAAAAAAAqc/c2C9IXDnEU4/s320/jardim+AF.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;, resguardado do correrio do resto da cidade, ok! e tem café expresso e paninis e croissants e tartes de framboesa… adiante, e vou lá às vezes para ler, trabalhar e descansar. Hoje parei lá um par de horas pela tarde enquanto revia as últimas aulas de swahili e apercebi-me da música (que não costuma haver). Num canto do jardim um grupo de adolescentes tinha colocado colunas de som num computador portátil e presenteavam toda a gente com o último álbum do Justin Timberlake, ao mesmo tempo que ensaiavam uma coreografia do mais fiel hip hop e se divertiam com jogos de sedução próprios da idade. Desde o vestuário, ao comportamento, à música, tudo neles me fazia lembrar outros miúdos da mesma idade, portugueses e de outros lugares. Era uma banda sonora adequada (what goes around, goes around, goes around…) Noutro recanto mais afastado do jardim e mais resguardados e tímidos estavam outros miúdos a tocar violino e guitarra. Mais tímidos e recatados mas igualmente iguais a tantos outros miúdos de tantos lugares. Eu a estudar Swahili, eles a ser adolescentes. E que contraste com outros miúdos que encontrei ontem quando me perdi a pé numa zona menos “recomendável” da cidade. Miúdos maltrapilhos, que escolhiam objectos no meio de uma lixeira durante o horário em que deviam estar na escola e outros que carregavam mercadorias pesadas para os carros de gente grande que podia melhor com elas mas que não queriam sujar a roupa, e que olhavam com desconfiança para mim, que seguia segura e determinada como se soubesse exactamente para onde ia. Estes não devem conhecer o Timberlake, e não têm computador, nem roupas da moda, nem violinos. Os outros provavelmente não sabem que a alguns quarteirões de distância há uma lixeira nauseabunda que serve de mercado e parque de diversões. Uns pode pensar-se à primeira vista que saíram de qualquer grande cidade ocidental, os outros que poderiam ser de qualquer país africano. Na verdade são todos quenianos, vizinhos mesmo. Na verdade também há lixeiras no meu país.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-977522658514293785?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/977522658514293785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=977522658514293785' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/977522658514293785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/977522658514293785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/contrastes-e-sintonias.html' title='CONTRASTES E SINTONIAS'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SblClJZWzDI/AAAAAAAAAqc/c2C9IXDnEU4/s72-c/jardim+AF.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8206693251360929216</id><published>2009-03-10T12:01:00.010Z</published><updated>2009-03-10T12:37:44.030Z</updated><title type='text'>NAIROBI... FINALMENTE!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Primeiras impressões&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois d&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZdyOESsvI/AAAAAAAAAqM/58lUrjt98_I/s1600-h/monte+kenya.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311535927881020146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; CURSOR: hand; HEIGHT: 115px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZdyOESsvI/AAAAAAAAAqM/58lUrjt98_I/s400/monte+kenya.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;e uma série de atrasos e atribulações ainda em Portugal, lá consegui chegar à capital do Quénia. Confesso que nunca viajei para nenhum lugar sobre o qual tivesse tão poucas referências e portanto, não sabia que a cidade ficava a apenas uns 150km do Monte Quénia, a segunda maior montanha de África, com mais de 5000m, uma das poucas situada junto à linha do Equador com glaciares permanentes. Foi com espanto e encantamento que ao chegar vi o Sol nascer sob a montanha, colada à janela do avião.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E esta foi apenas a primeira surpresa boa da viagem. A cidade conquistou-me desde a primeira hora. O trânsito intenso e a poluição rodoviária são atenuados por uma camada de verde difícil de comparar. A cidade está cheia de parques e jardins com árvores magníficas&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZdGs9FdqI/AAAAAAAAAqE/Xnj64Upxdlc/s1600-h/nairobi+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311535180258047650" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 159px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZdGs9FdqI/AAAAAAAAAqE/Xnj64Upxdlc/s400/nairobi+1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; e flores por todo o lado e está rodeada por floresta, o Parque Nacional de Nairobi. As ruas e avenidas estão ladeadas por árvores também, o que torna qualquer passeio agradável e menos penoso com os mais de 30º que se fazem sentir durante o dia. E quando os jacarandás florirem a cidade vai explodir de azul e eu não saio daqui até ver esse fenómeno! A cidade até tem um “Beautification Program” e campanhas ecológicas e de reciclagem o que demonstra uma séria preocupação com a preservação e embelezamento do espaço urbano. Está-se muito bem aqui! E dizem que a época da chuva está muito atrasada e que ainda vai chegar. Eu, sinceramente, não consigo imaginar o que vai acontecer. Se isto é assim com a seca… Por outro lado Nairobi é também uma cidade cosmopolita, com uma gr&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZavKwgbvI/AAAAAAAAApk/vy1NOM1SCPQ/s1600-h/nairobi+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311532576918236914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 163px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZavKwgbvI/AAAAAAAAApk/vy1NOM1SCPQ/s320/nairobi+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;ande concentração de estrangeiros de toda a África e de outros continentes, o que significa que somos todos cidadãos anónimos no meio da multidão multicultural. Há restaurantes da Etiópia e do México, há o centro cultural da Aliance Française e o centro cultural do Irão, há multiplexes de cinema, teatros, salas de espectáculos e lugares de diversão para todos os gostos. Até há o Cristinao Ronaldo em outdoors por toda a cidade a fazer publicidade à Rádio Jambo. Enfim… há um mundo de coisas a explorar. As deslocações também são fáceis pois há muitos transportes, para todos os gostos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quanto ao meu alojamento, não poderia estar melhor, pelo menos nesta fase inicial em que não conheço nada nem ninguém. O Albergue é uma espécie de oásis na cidade, rodeado de jardins e tranquilidade, na zona do “Hill” junto aos ministérios e embaixadas, a apenas 20min a pé do centro da cidade. Perfeito!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As pessoas são, na sua maioria, simpáticas e muito prestáveis. O meu único problema, por enquanto, é o facto de me custar imenso compreender a pronúncia local do inglês e estou a ficar preocupada com o risco de apanhar este sotaque, em que “warm” soa a “one”, “hope” soa a “hópi” e por aí em diante. Ok, o café também é muito mau (café aqui é Nescafé) e alguns hábitos britânicos que subtilmente se entranharam no quotidiano são esquisitos, como a mania de meter leite em tudo. Mas são apenas pequenos pormenores.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Primeira aula de Kiswahili&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi hoje, e a partir de agora tenho 4h diárias de aulas de língua e cultura swahili, logo pela manhã e durante as próximas semanas. Começo a perceber de onde vem a pronúncia que me soa tão estranha do inglês. O swahili é uma língua banto e a mais falada na África oriental, sendo língua nacional no Quénia e na Tanzânia e falada por vários grupos étnicos em toda a região. Decidi aprender a língua por vários motivos: primeiro porque me vai ajudar imenso a comunicar quando estiver em zonas rurais a fazer trabalho de campo, em segundo lugar porque é uma boa maneira de começar a conhecer pessoas, a ter rotinas diárias e a conhecer a cultura local. E depois também porque é uma língua encantadora… tão diferente de todas as que conheço, com imensas influências árabes e de todos os povos colonizadores da região, inclusive até alguma influência do português. “Visuri sana!” (é muito fixe!). Foneticamente tem palavras e expressões fantásticas como “Mimi ni Mreno” (Sou portuguesa) ou “ Tutaonana” (Até logo!). Vai ser uma aventura!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Kwareri tutaonana&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Adeus e até breve!)&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8206693251360929216?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8206693251360929216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8206693251360929216' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8206693251360929216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8206693251360929216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2009/03/nairobi-finalmente.html' title='NAIROBI... FINALMENTE!'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SbZdyOESsvI/AAAAAAAAAqM/58lUrjt98_I/s72-c/monte+kenya.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-8979338162059786386</id><published>2008-05-28T13:15:00.002+01:00</published><updated>2008-05-28T13:22:42.975+01:00</updated><title type='text'>Temporariamente indisponível</title><content type='html'>A contadora de histórias de serviço neste blogue não está a conseguir dar conta de recado. Anda a tratar de muitas coisas ao mesmo tempo, cheia de trabalho, prazos para cumprir e umas viagenzitas pelo meio e apesar de andar com umas histórias novas na cabeça, não consegue escreve-las. Convenci-a a fazer uma pausa na escrita para se organizar e voltar em Julho quando eu celebro o primeiro ano de vida.&lt;br /&gt;Ela concordou e prometeu que em Julho voltava com mais histórias... voltem vocês também nessa altura :).&lt;br /&gt;Beijinhos para todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-8979338162059786386?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/8979338162059786386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=8979338162059786386' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8979338162059786386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/8979338162059786386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/05/temporariamente-indisponvel.html' title='Temporariamente indisponível'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-604234866409542725</id><published>2008-04-07T18:56:00.000+01:00</published><updated>2008-04-07T19:00:18.361+01:00</updated><title type='text'>Não me lembro do dia em que morri</title><content type='html'>“Lá está ele outra vez. Mas de onde saiu aquele miúdo que agora passa os dias nesta terra de ninguém? Meu Deus! Será que há mais crianças lá do sítio de onde ele vem? E se um dia me aparecem todas por cá… Tenho de ter muito cuidado, não me podem ver aqui. Era só o que me faltava agora ter de me esconder deles e não poder andar por onde quero. Mas há tanto tempo que não via nenhum. Ele até é engraçado, tem ar de reguila e tem uma genica! Gosto de o ver a descer a encosta, parece que voa em cima da bicicleta e depois quando chega ao riacho faz aquela habilidade de parar de repente e virar a bicicleta de lado… ehehehehe levanta tanta poeira que até deixo de o ver e depois larga tudo e atira-se ao riacho. Mas tenho de ter cuidado para ele não me ver. Até pode morrer de susto, sei lá! O melhor é eu ter cuidado… Ele está a cantar! Desafinado, que até faz doer os ouvidos… já nem me lembro da última vez que ouvi um deles. E se eu me aproximasse devagarinho? … E tentasse falar com ele? Nem sei se ainda sou capaz de falar. E será que eles me veem mesmo? … É melhor parar com estes disparates e ficar sossegada no meu canto, longe do miúdo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- João! Anda para casa que o jantar já está pronto! – gritou a mãe, junto ao alpendre.&lt;br /&gt;E repetiu o nome dele vezes sem conta, como acontecia quase sempre quando iam para a casa de campo.&lt;br /&gt;- Já vou mãe, estou quase a chegar! – gritou o João ao longe, ofegante, a subir a encosta de bicicleta.&lt;br /&gt;- Vai lavar as mãos e anda para a mesa, que está tudo a arrefecer – disse-lhe a mãe num tom reprovador, entrando em casa.&lt;br /&gt;- Olá pai, mãe… que cheirinho, estou cheio de fome – disse o João enquanto distribuía beijos e se sentava.&lt;br /&gt;- Tens de me explicar por onde é que tu andas todo o dia quando estamos aqui? É que ninguém te põe a vista em cima … - afirmou o pai curioso.&lt;br /&gt;- Ando a fazer o reconhecimento geográfico e a descobrir a região. Há duas aldeias abandonadas aqui perto, algumas casas em ruínas espalhadas pelos montes, um riacho com quedas de água e uma piscina natural ao fundo da encosta… - respondeu o João muito sério.&lt;br /&gt;- Ó filho, mas não gosto que andes por aí sozinho tantas horas, podes perder-te, ou pode acontecer-te alguma coisa e depois ficamos aflitos – afirmou a mãe preocupada.&lt;br /&gt;- Não há ninguém nas redondezas para me fazer mal. Vocês queriam uma casa de fim-de-semana num lugar sossegado, não queriam? – respondeu o João com alguma ironia.&lt;br /&gt;- Ele tem razão Fátima! Aqui não há vivalma e ele pode andar por onde quiser à vontade. Além do mais nós não conseguimos convencer os irmãos mais velhos a vir para cá ao fim-de-semana por isso o João tem de se entreter de alguma maneira – disse o pai condescendente.&lt;br /&gt;- Eu sei que tens razão, mas fico sempre preocupada. Que querem? Ainda por cima sempre que vou à vila fazer compras e digo às pessoas que estamos na Casa das Glicínias, ficam a olhar para mim muito surpreendidas e dizem sempre a mesma coisa “Ai valha-me Deus minha senhora, e não tem medo de estar lá para em baixo sozinha?”, “Credo, ali não há vivalma, se lhes acontece alguma coisa ninguém vos socorre”…&lt;br /&gt;- Ó mulher pára lá com isso que ainda assustas o miúdo – interrompeu o pai, preocupado -, já sabemos que o povo da vila acha estranho nós termos comprado esta casa, mas nós estamos muito bem aqui, não é verdade?&lt;br /&gt;- Eu sei Carlos, mas não consigo deixar de ficar inquieta de cada vez que vou à vila. Ainda ontem na mercearia me contaram uma história sem pés nem cabeça mas que me deixou preocupada; dizem que a aldeia do Fundo da Serra está assombrada, que algumas pessoas já viram o fantasma de uma mulher por lá e que os pastores contam histórias muito estranhas que se passam lá para aquelas bandas – disse a mãe.&lt;br /&gt;- Não é verdade, mãe! Eu vou lá muitas vezes e nunca vi nada esquisito. É no Fundo da Serra que tem a piscina natural, mesmo perto da aldeia, ainda hoje lá estive. Lá só há pedras, mata e o riacho – disse o João tentando serenar a mãe.&lt;br /&gt;- Que disparate Fátima. Andas a dar ouvidos às crendices desta gente? Nem parece teu.&lt;br /&gt;- Pronto, pronto, já cá não está quem falou, só repeti o que me contaram – disse a mãe mudando logo a seguir de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje estás a demorar muito rapazinho. Já estou cansada de estar aqui sentada, escondida à tua espera. Agora custa-me mais a passar os dias porque fico à espera que apareças. Acho que não devia sentir estas coisas. As criaturas como eu não deviam sentir nada mas eu tenho cada vez mais vontade de ir falar com ele. De quebrar o ritmo dos meus dias, de passar a fronteira entre os vivos e os mortos e ir falar com aquele rapazinho cheio de vida. Não posso! As pessoas têm medo dos fantasmas, o miúdo pode sentir-se mal com o susto. Não, tenho de ficar bem escondida e sossegada!... Aí vem ele a toda a velocidade pela encosta abaixo… ai meu Deus… ele caiu e bateu com a cabeça nas pedras!... Vá, levanta-se menino. Levanta-te, sacode a poeira e vai dar o teu mergulho… Ele não se mexe. Está ali estendido no chão sem se mexer. O que é que eu faço? Vou aproximar-me para o ver melhor… mas sem ele me ver. Mas ele está desacordado… será que ainda está vivo? Visto assim de mais perto parece que está a dormir e parece mais novinho do que eu pensava…. Mas o que é que eu sei de crianças? Nada! Nunca tive filhos e já não via nenhuma há tantos anos que até me tinha esquecido que existiam. Acorda menino! O que é que eu faço? Eu que estou no reino dos mortos! Vou aproximar-me ainda mais… com muito cuidado… ui, ele está a sangrar da testa e tem os braços esmurrados… Vou lá! Ele não há-de acordar já. Deixa-me ajoelhar aqui deste lado…. Devagarinho… será que lhe posso tocar? (suspirou) Ai, tantas coisas que eu não sei sobre esta minha nova condição! Quando estamos vivos é tudo mais fácil, sabemos o que fazer, as pessoas reconhecem-nos e não fogem de nós. Vivemos em função dos outros. Somos fulana de tal, filha de fulano de tal, mulher de alguém, irmã de alguém, amiga de alguém, inimiga de alguém, amada ou desprezada por alguém… Mas agora não sei o que fazer. E ele não acorda… Se o rapazinho morresse podia fazer-me companhia, ficávamos com a mesma condição e eu já podia falar com ele sem ele se assustar… que disparate! O que estou eu para aqui a pensar? Um rapazinho com tanta vida não pode morrer assim. Vou tocar-lhe!.. Ai, tem o corpo quente e suado… está vivo. E se eu tentar chamar por ele? Será que ainda consigo falar? Ou será que ele consegue ouvir os mortos?”&lt;br /&gt;- Rrrrapazzzzinho, acorda! – disse a mulher com esforço e hesitante. – Acorda vá, abre os olhos – continuou ela enquanto o abanava devagarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O João sentia a cabeça a andar à roda e uma dor intensa sobre o olho esquerdo. Tentava abrir os olhos mas não era capaz e ouvia alguém a chamá-lo ao longe. Tentou concentrar-se naquela voz estranha que o mandava acordar e tentou abrir os olhos novamente. No início sentiu-se ofuscado pela luz do dia, via tudo desfocado, depois, aos poucos começou a sentir-se melhor. Lentamente virou a cabeça para o lado direito e foi então que a viu, ajoelhada ao lado dele, com as mãos cruzadas sobre o colo, a olhá-lo angustiada. Era uma mulher pequenina, miudinha, muito frágil. Era impossível adivinhar-lhe a idade. Podia ter oitenta anos, podia ter cem anos, podia ter mais ainda. O João nunca tinha visto uma mulher tão velha. Ele ainda estava um pouco tonto mas não conseguia afastar os olhos dela. O rosto coberto de rugas profundas, a pele manchada, os olhos brilhantes e serenos a sobressair do rosto miúdo. E o cabelo, todo branco, enorme a cair-lhe ondulado sobre as costas. O João começou a sentir-se melhor e deu-lhe a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que torci o tornozelo, a senhora ajuda-me a levantar? – perguntou ele.&lt;br /&gt;A mulher olhou-o perplexa, quase sem acreditar no que acabava de ouvir.&lt;br /&gt;- Tu não tens medo de mim rapazinho? – perguntou a mulher, intrigada, com um ar quase assustado.&lt;br /&gt;- Medo?! Da senhora? Não, porquê? – afirmou o João com estranheza.&lt;br /&gt;A mulher ajudou-o a sentar-se e olhou muito fixamente para ele. Depois afagou-lhe suavemente o cabelo, tocou-lhe na testa e disse-lhe com um ar muito sério e triste:&lt;br /&gt;- Rapazinho, eu acho que tu morreste quando caíste da bicicleta. Agora estás do outro lado da vida como eu, passaste para o mundo dos mortos,  por isso é que não tens medo mim.&lt;br /&gt;O João, segurou com mais força na mão da mulher e pôs-se em pé. A custo cambaleou até uma pedra e sentou-se lá a olhar incrédulo para aquela figura pequenina que lhe falava da vida e da morte.&lt;br /&gt;- Eu estou bem vivo, dói-me o corpo todo e a senhora também está bem viva aqui ao pé de mim. Onde é que mora? – afirmou o João muito seguro de si.&lt;br /&gt;A mulher, muito velha, com aqueles longos cabelos brancos a esvoaçar ao vento parecia um pouco louca, mas os olhos brilhantes e serenos tranquilizavam o João e transmitiam-lhe afecto.&lt;br /&gt;- Eu morava naquela casinha em ruínas que tem a varanda de madeira no primeiro andar. Morei lá sempre. Era a casa mais bonita da aldeia. Lembro-me que a minha mãe punha vasos de sardinheiras em todas as janelas, na varanda e ao longo das escadas e a casa ficava tão linda, tão colorida. E tínhamos árvores de fruta na leira e eu e as minhas irmãs brincávamos por lá despreocupadas. Éramos tão felizes! O meu pai era da Guarda. Era muito respeitado na aldeia. E a minha mãe gostava de nos aperaltar a todos, ao domingo para irmos à missa à vila… - contava a mulher com um ar sonhador, ausente.&lt;br /&gt;- Mas o que aconteceu quando as pessoas foram embora? A senhora ficou aqui sozinha? – perguntou o João curioso.&lt;br /&gt;A mulher olhou para ele intrigada.&lt;br /&gt;“Este rapazinho faz perguntas muito difíceis… eu já morri há tanto tempo, que já só me lembro dos dias felizes… e ele não acredita que está morto. Valha-me Deus… o que hei-de fazer?”&lt;br /&gt;- Eu não me lembro do dia em que morri, já passou muito tempo – disse a mulher -, acho que primeiro foi o meu irmão que imigrou, depois as minhas irmãs casaram e partiram… os meus pais morreram também, depois morreu a minha irmã Maria, depois morreu a Lurdes… morreram todos.&lt;br /&gt;O João ouvia-a atentamente quando começou a sentir tonturas novamente. Deixou o corpo escorregar para o chão e ficou encostado à pedra. Fechou os olhos e adormeceu a ouvir a mulher contar aquela história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ele continua desacordado. E já é quase de noite… Será que o rapazinho adormeceu para a vida lhe voltar ao corpo? Que barulho é este? Estou a ouvir gente a gritar… devem andar à procura dele. Vou continuar aqui escondida, não volto para lá que ainda me veem. Desçam, ele está aqui, isso, continuem a descer… Ah! Lá estão eles; três homens com candeias para alumiar o lusco fusco. Já o viram! Aquele deve ser o pai dele, está a chorar a tentar acordá-lo. O rapazinho acordou e está a abraçar o pai. Eu sabia! Eu sabia que ele ia voltar à vida. Ainda bem que me afastei, senão aqueles homens ainda tinham fugido de mim e largavam para ali o miúdo a pensar que estava morto. Ai, mas foi tão bom hoje… ainda bem que ele morreu só durante um bocadinho e pôde falar comigo.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-604234866409542725?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/604234866409542725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=604234866409542725' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/604234866409542725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/604234866409542725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/04/no-me-lembro-do-dia-em-que-morri.html' title='Não me lembro do dia em que morri'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7776079518219614005</id><published>2008-03-12T09:09:00.002Z</published><updated>2008-03-12T10:48:59.874Z</updated><title type='text'>História com história</title><content type='html'>&lt;em&gt;Corria o ano de 1984, em plena guerra fria,  quando eu, então com 14 aninhos, no auge do meu período punk, grande admiradora do Carl Sagan, do Isac Asimov e de ficção científica escrevi esta história. Descobri há dias, durante uma crise de fada do lar, enquanto revirava a minha sala num frenesim de limpeza, uma pasta com as minhas histórias da adolescência. Foi um momento raro e empolgante, foi uma espécie de arqueologia da memória. E perante a dificuldade de terminar um novo conto, nesta fase de muito trabalho, achei por bem partilhar uma dessas histórias, escrita para um concurso de Português, no 8º ano e com o tema obrigatório "Um dia na vida de um jovem do ano 2020".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Espero que se divirtam, como eu me diverti quando a encontrei, com a minha percepção do futuro há vinte anos atrás. E até breve, que vêm novas histórias a caminho :).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia estava quente e nem parecia que as aulas iam recomeçar daí a pouco mais de duas semanas. A Cati acabava de chegar do acampamento de férias. Decididamente não tinham sido as melhores férias que já passara. Depois de introduzir no computador da escola os dados sobre o que queria encontrar nas férias, este decidiu que ela iria para as selvas protegidas da América do Sul e claro, foi sozinha que mais ninguém teve resultados tão estranhos.&lt;br /&gt;Agora, de regresso à cidade, a Cati sentia-me bastante mais feliz pois já estava com saudades, sobretudo dos amigos. Mal saiu do túnel de chegada dirigiu-se para casa e ao chegar viu-se obrigada a ligar a caixa de comunicação para pedir ao pai que lhe abrisse a porta.&lt;br /&gt;- Olá pai! Desculpa mas o meu cartão automático perdeu a validade. Está tudo bem cá em casa? A mãe está?&lt;br /&gt;- A tua mãe hoje chega mais tarde. Está a trabalhar num projecto novo. Que tal as férias? Melhores que as do ano passado? - perguntou.&lt;br /&gt;- Nem por isso. Francamente até se tornaram aborrecidas - queixou-se.&lt;br /&gt;- Isso é mesmo de ti. Desde os 5 anos que nunca gostas das férias.&lt;br /&gt;- Há alguma coisa para comer? - perguntou a Cati.&lt;br /&gt;- Pede ao novo robot. Chama-se Niki. Tenho de me ir embora, vê se encontras alguns amigos. Até logo!&lt;br /&gt;- Olá Niki - disse a Cati para o novo robot. - Quero que me prepares um gelado enorme e delicioso, o melhor que souberes fazer.&lt;br /&gt;- Não posso, a tua mãe pediu dieta para ti - disse o Niki muito sério.&lt;br /&gt;A Cati riu-se, entusiasmada e sentiu-se bem por estar de volta a casa. Mas apetecia-lhe mesmo comer gelado e por isso saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sentada na mesa do café quando viu um grupo de amigos a aproximar-se.&lt;br /&gt;- Cati, que surpresa, não sabia que já estavas de volta - disse a Vanda.&lt;br /&gt;Falaram durante todo o almoço das férias e dos planos que tinham para o ano seguinte. Mais tarde o Ivo sugeriu que fossem a casa dele para experimentar o novo computador da amizade. Quando chegaram identificaram-se e entraram e ele levou-os logo ao quarto.&lt;br /&gt;- Aqui está a pequena maravilha - disse o Ivo apontando para o computador.&lt;br /&gt;- Quem quer experimentar primeiro? - perguntou.&lt;br /&gt;- Eu - disse a Cati rapidamente.&lt;br /&gt;- Ok, tens de preencher este questionário e depois esperar o resultado.&lt;br /&gt;Alguns segundos depois apareceram os resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovem 17 anos&lt;br /&gt;Sexo masculino&lt;br /&gt;Residência - base espacial 16&lt;br /&gt;Código para comunicar: GLB46&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de observar os dados a Cati começou a rir.&lt;br /&gt;- Realmente a mim só me acontecem coisas incríveis, primeiro foram as férias na selva e agora um amigo que mora numa base espacial.&lt;br /&gt;- Liga depressa para a base espacial que também quero conhecer esse teu amigo - disse a Vanda.&lt;br /&gt;Depois de escrever o código, a Cati esperou alguns momentos até que apareceu uma imagem no ecran e ouviu-se:&lt;br /&gt;- Olá! Eu sou o Ian e gostava de conhecer-te melhor. Queres vir até á base espacial 16?&lt;br /&gt;- Sim, claro, quero muito. Mas posso levar alguns amigos?&lt;br /&gt;- Sim, não há problema nenhuma. Têm é de apresentar na Estação 4 o meu número de código por questões de segurança. Sem ele não podem passar o campo de forças que protege a base de intrusos. Aqui vai O3TL962. Até logo!&lt;br /&gt;A imagem desapareceu do ecran. Estavam todos muito entusiasmados pois nunca nenhum deles tinha visitado uma base espacial. Avisaram os pais que não dormiam em casa, com a desculpa de ficarem em casa uns dos outros e partiram.&lt;br /&gt;- Vamos depressa para apanharmos a nave de passageiros das 3 da tarde - disse o Ivo.&lt;br /&gt;Já dentro da nave e quase a chegar à base 16 o grupo de amigos estava fascinado. A Base ficava muito mais longe do que eles imaginavam. Fica próxima da primeira Lua de Júpiter e eles nunca tinham feito uma viagem tão longa. A nave demorou duas imensas horas a chegar mas finalmente os amigos sentiram os bancos moverem-se em direcção a um tunel iluminado. Chegaram ao fim e pararam pois qualquer coisa os impedia de continuar e então o Bruno lembrou-se do código para passar o campo de forças. Inseriram o código e foram levados até uma sala onde o Ian os esperava. Ele também tinha trazido alguns amigos para que todos se conhecessem. Decidiram separar-se aos pares e encontrar-se no angar de partida mais tarde.&lt;br /&gt;Distraidamente, enquanto o Ian lhe mostrava a base espacial, a Cati observava-o. Era alto e forte, tinha os olhos grandes e expressivos de um castanho muito claro, quase dourado e o cabelo levemente encaraclado no mesmo tom dos olhos e o sorriso mais lindo que ela já vira.&lt;br /&gt;Entretanto ele pegou-lhe na mão e levou-a para um  bar.&lt;br /&gt;- Vamos parar aqui para beber qualquer coisa. Aposto que não ouviste uma palavra do que eu disse, em que estavas a pensar? - disse ele a rir.&lt;br /&gt;Atrapalhada, a Cati disse-lhe qu estava apenas fascinada com tudo aquilo pois era muito diferente da Terra.&lt;br /&gt;- E então o que achas da vida aqui? - perguntou o Ian.&lt;br /&gt;- Sei lá! Conheço muito pouco a vida nas bases espaciais. Lá na Terra as pessoas preocupam-se sobretudo com a recuperação da natureza e não temos muita informação sobre o que se passa fora. Mas explica-me tu. Aliás, eu nem sei bem o que aconteceu antes das bases espaciais.&lt;br /&gt;- Ok, mas é uma história comprida, se te aborrecer diz que eu paro. Tudo começou em 1996 quando os Estados Unidos resolveram construir uma base espacial em órbita da Lua. Teoricamente o objectivo seria a investigação científica, no entanto, escondido da população terrestre construiram 3 bases espaciais para refúgio de um grupo de pessoas selecionado em caso de guerra nuclear. Acidentalmente a farsa foi descoberta por um satélite de espionagem da URSS. Pensando tratar-se de bases militares no espaço este país ataca algumas, aparentemente sem qualquer motivo e sem aviso. Repentinamente as pessoas veem-se no meio de uma guerra mundial. Então, um grupo de pessoas conseguiu apoderar-se das bases espaciais e levaram-nas para longe da Terra na esperança de salvar a espécie humana. Quando a guerra acabou quase todo o planeta estava destruído.&lt;br /&gt;- É incrível como as pessoas se deixaram levar a esse ponto - disse a Cati.&lt;br /&gt;- É verdade, mas felizmente nem tudo estava perdido, pois nessa altura a população sobrevivente organizou um governo comunitário e começou a recuperar a Terra. Já alguma vez viste fotografias da Terra antes da guerra?&lt;br /&gt;- Já - disse a Cati. - Os meus pais mostram-me muitas vezes. Têm muita pena de a nossa geração nunca ter visto aquelas paisagens maravilhosas e acho que todos os adultos se sentem culpados por isso.&lt;br /&gt;- Mas continuando - disse o Ian - o pequeno grupo que tinha partido com as bases espaciais voltou e ajudou muito a população terrestre. No entanto, pouco a pouco foram-se afastando e foi crescendo uma barreira entre os que tinham partido e os que tinham ficado. O resto tu já sabes: o governo construiu cidades e selvas protegidas por campos de força que dentro de pouco tempo serão retirados  pois a tecnologia criada para limpar a atmosfera está a ter resultados incríveis. Aqui em cima e apesar de continuarmos ligados à Terra, achamos que já não somos precisos e dedicamo-nos sobretudo à pesquisa científica.&lt;br /&gt;- Estou fascinada - disse a Cati. - As coisas que tu sabes! Nunca imaginei a história dessa maneira. O meu computador de ensino torna tudo mais difícil, por isso nunca passei do primeiro grau em História.&lt;br /&gt;- Se quiseres faço-te um programa novo, mais interessante.&lt;br /&gt;- A sério?! És um génio.&lt;br /&gt;- Bem... vamos continuar a ver a base? - perguntou o Ian.&lt;br /&gt;- Vamos claro! Tu és o melhor guia do mundo.&lt;br /&gt;Continuaram então a visita e Ian mostrou-lhe tudo, desde a sua casa, até à torre de controlo e aos espaços de lazer. E no final, conduziu a Cati através de um corredor enorme, até uma porta enorme que se abriu automáticamente.&lt;br /&gt;- Isto é uma surpresa para ti - disse o Ian.&lt;br /&gt;- Esta é uma espécie de sala de recordações. Os nossos pais quando deixaram a Terra trouxeram com eles tudo o que puderam para recordarem sempre a sua beleza. Estão aqui fotografias, filmes, animais e plantas de todos os lugares do planeta.&lt;br /&gt;- Ian, nem sei o que dizer. Estou fascinada e vou voltar cá mais vezes de certeza.&lt;br /&gt;O Ian sorriu com carinho e disse:&lt;br /&gt;- Acho que vamos ser muito bons amigos. E agora que tal voltarmos que já devem estar à nossa espera?&lt;br /&gt;Correram para o angar, despediram-se uns dos outros e partiram de regresso a casa. Estavam todos muito entusiasmados e falavam ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Chegaram ao Porto muito tarde, partiram a toda a velocidade no passeio magnético e chegaram o mais depressa que puderam.&lt;br /&gt;A Cati chegou a casa, identificou-see entrou. Lá estavam os pais mais um grupo de amigos que falavam alegremente das suas férias. Ela disse que tinha estado em casa da Vanda e que já tinham decidido onde queriam passar as férias do Natal, independentemente do que o computador da escola decidisse.&lt;br /&gt;- Esta minha filha nunca pára de fazer planos - disse a mãe a brincar. - E então para onde é que vocês querem ir?&lt;br /&gt;- Para a Base Espacial 16 - disse ela decidida enquanto todos à sua volta a olhavam surpreendidos. - Mas agora vou dormir que estou muito cansada. Até amanhã!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7776079518219614005?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7776079518219614005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7776079518219614005' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7776079518219614005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7776079518219614005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/03/histria-com-histria.html' title='História com história'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-3020475980467363378</id><published>2008-01-21T22:44:00.000Z</published><updated>2008-01-21T22:56:05.934Z</updated><title type='text'>A Casa dos Relógios III</title><content type='html'>&lt;em&gt;(terceira e última parte do conto que começa no post de 08.01)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Através da porta entreaberta, podia ver-se a árvore de Natal enfeitada, o presépio, as crianças a abrir os presentes embrulhados com papéis e fitas delicadas, Afonso sentado numa cadeira a ler o jornal e Carolina, sentada no chão, no meio dos filhos a rir como uma criança.&lt;br /&gt;- Olha! Repara no relógio da parede – disse o Simão baixinho puxando o braço de Helena.&lt;br /&gt;Ela olhou para o relógio de cuco, onde faltava menos de um minuto para as oito da manhã e olhou para o mesmo relógio, amparado entre os braços pequenos do Simão e voltou a olhar para a cena familiar à sua frente. Aí, podia ver Simão entusiasmado, a tentar desembrulhar um presente enorme com a ajuda da mãe, onde se via emergir a cabeça de um simpático cavalo de madeira colorido. Então… ecoou por toda a casa o cuco repetitivo do relógio a marcar a hora certa. Olhou rapidamente para o relógio que o Simão segurava ao seu lado, que marcava oito horas em ponto, e viu o rostinho dele hipnotizado… e quando voltou a olhar para a sala viu-a vazia, decadente, sem vida.&lt;br /&gt;- Já acabou! – disse o Simão muito triste. – Mas vês como funciona a magia? Eu posso voltar a ver os meus pais, os meus irmãos, os meus dias mais felizes…&lt;br /&gt;- Podes voltar ao tempo marcado nos relógios todos? – perguntou Helena assombrada.&lt;br /&gt;- Não! Há relógios que não funcionam comigo. Não acontece nada quando pego neles. Não percebo porquê e não me lembro de a colecção do meu pai ser tão grande – explicou ele taciturno. – Mas posso voltar sempre para junto dos meus irmãos, ver a minha mãe… viste como ela é bonita? Nunca me canso de os visitar.&lt;br /&gt;Helena pegou-lhe na mão e correu para a sala dos relógios.&lt;br /&gt;- Qual é o relógio que mais gostas e que não funciona contigo, Simão? – perguntou Helena.&lt;br /&gt;- Não está aqui. É o Velho Mudo que o tem – respondeu prontamente o Simão, arrastando-a para fora da sala.&lt;br /&gt;Pararam em frente à escultura do Velho, muito velho, com ar triste e um relógio enorme nas mãos e ficaram ambos a olhar aquela imagem na parede.&lt;br /&gt;- Ele também sai da parede como tu? – perguntou a Helena sem desviar o olhar.&lt;br /&gt;- Só quando eu lhe tiro o relógio. E olha que não é fácil que ele agarra-o com muita força… mas depois como o relógio não tem magia ele acaba por o levar outra vez e voltar ao seu lugar. Tenta tu – incentivou o Simão.&lt;br /&gt;Helena hesitou. A figura daquele homem provocava-lhe sentimentos contraditórios de ansiedade e profunda tristeza. O coração parecia que ia saltar-lhe do peito, enfurecido, a respiração era-lhe difícil mas mesmo assim, ela estendeu as mãos trémulas para o relógio que o Velho segurava. Quase morreu de susto quando uma mão lhe segurou firmemente o pulso afastando-a do seu objectivo. Helena podia sentir a pele seca, sem vida, as mãos ossudas que lhe magoavam o pulso e quando levantou os olhos para o rosto do Velho, que a aprisionava, viu-o fitá-la com um olhar inquiridor. Era como se não entendesse porque motivo o seu relógio podia suscitar tanta cobiça e ao mesmo tempo como se se interrogasse porque não o deixavam em paz, sozinho. Helena puxou o braço para se soltar, assustada e quando conseguiu viu o pulso vermelho e olhou para o Simão.&lt;br /&gt;- É preciso lutar com ele! Fazer muita força para lhe tirar o relógio – afirmou ele conhecedor.&lt;br /&gt;- Simão, este relógio não nos pertence por isso não devemos insistir – explicou a Helena.&lt;br /&gt;- Mas esta casa é minha! Não é justo! – choramingou.&lt;br /&gt;Entretanto, o Simão ficou muito calado, a escutar. A Helena começou também a ouvir o som dos violinos ao longe.&lt;br /&gt;- Tenho de ir! – disse ele sorridente e a começar a correr. – Vou ver a festa com os meus irmãos. Não digas a ninguém! É um segredo nosso.&lt;br /&gt;Helena ficou sozinha na sala azul e sentiu um arrepio. Era incapaz de racionalizar os últimos  acontecimentos. Mas também era incapaz de ir embora. Tinha a alma cheia de perguntas e a tempestade continuava intensa lá fora.&lt;br /&gt;Ficou a olhar para a figura do Velho, na parede. Depois voltou para a sala dos relógios. Abriu as gavetas e portas dos armários com delicadeza, ciente de estar a invadir um espaço alheio mas incapaz de conter a curiosidade. De repente, por trás de alguns livros da estante apercebeu-se de um fundo falso. Esticou a mão e retirou alguns documentos. Aproximou-os do candeeiro e leu-os atentamente.&lt;br /&gt;“Declarações de dívida de Afonso Bandeira para com Diogo Cunha… os dois homens que eu vi aqui… meu Deus, uma fortuna, mesmo em… 1926”, pensou Helena enquanto perscrutava os documentos. “E uma hipoteca da casa, também, em favor de Diogo Cunha!”&lt;br /&gt;Helena voltou a meter a mão no fundo falso. Tacteou toda a superfície e num canto, difícil de alcançar, sentiu qualquer coisa metálica. Esticou-se o mais possível e conseguiu agarrar no objecto. Era outro relógio de bolso, pequeno, delicado, que marcava 4h47. Helena apertou-o nas mãos e sentiu-se flutuar como se a gravidade tivesse confundido a física e decidido ausentar-se naquele momento.&lt;br /&gt;Num ápice, o Sol brilhava intensamente à sua volta e Helena deu si no jardim da casa. Ouviu vozes a sussurrar. Olhou em volta angustiada. Ao fundo, junto ao lago, longe do alcance da casa podia distinguir dois vultos. O relógio que trazia nas mãos marcava 4h40. Correu por entre as sebes e arbustos simétricos tentando não fazer barulho e não dar nas vistas. Conforme se ia aproximando podia distinguir claramente os dois vultos. Eram Diogo e Carolina, muito próximos, muito íntimos. Ele a acariciar-lhe o rosto. Ela a segurar a cesta de flores e a aconchegar o rosto na mão dele.&lt;br /&gt;- Não consigo passar nem mais um dia sem ti, meu amor – ouviu Helena .&lt;br /&gt;- Diogo, eu amei-te e vou amar-te sempre mas não posso abandonar os meus filhos e ele nunca os vai deixar ir connosco – disse Carolina.&lt;br /&gt;- Carolina, está tudo planeado. Vamos fugir hoje! É a festa de fim de ano, vai haver uma enorme agitação na casa. Tu e as crianças vão comigo para o Brasil e vamos ser felizes, finalmente!&lt;br /&gt;- Meu amor, como és ingénuo. O Afonso nunca nos vai perdoar e vai perseguir-nos até ao fim do mundo se assim tiver de ser – disse Carolina infeliz aconchegando-se no abraço do amante. – Não é por me amar, nem pelas crianças… mas o orgulho… vamos feri-lo de morte.&lt;br /&gt;- Sossega e confia em mim. Ele não vai ter recursos para ir atrás de nós. Eu passei os últimos anos a planear este dia e não deixei nada ao acaso. Eu sonho contigo Carolina, desde criança e vivi apenas para conseguir conquistar-te e dar-te tudo o que tu mereces – sussurrou Diogo, abraçando-a emocionado. – Logo quando todos festejarem o Ano Novo nós partimos. Preparei uma surpresa especial para a noite de hoje que vai monopolizar a atenção de toda a gente.&lt;br /&gt;- Eu confio em ti, meu amor! E beijaram-se apaixonadamente, felizes, sem urgência, como quem tem a vida inteira para saborear os lábios do outro.&lt;br /&gt;Nesse preciso momento, Helena sentiu-se levitar novamente, olhou para o relógio e este, parado, marcava 4h47. Deu por si novamente na sala dos relógios, com um sentimento de angústia inexplicável. Voltou a guardar tudo no fundo falso e a colocar os livros na prateleira e saiu. Na sala azul parou em frente ao Velho. Podia ver claramente uma lágrima escorrer-lhe pela face de mármore.&lt;br /&gt;Entretanto a música soava mais alto, o burburinho de pessoas a falar e a rir também e Helena, num impulso correu para o corredor e atravessou a casa até chegar às escadas.&lt;br /&gt;A festa decorria no salão de baile, em baixo. Do outro lado da escadaria, ela viu o Simão com os irmãos escondidos, a rir, a olhar para baixo. Helena olhou bem para a escadaria. Queria descer mas tinha medo de ser vista e tentava perceber que lanço de escadas a levaria para perto daqueles cortinados de veludo, ao fundo, onde ela se podia esconder. Quando parecia que ninguém estava a ver, correu pelas escadas abaixo e deu por si, ao contrário do que pensara, precisamente na entrada do salão. Escondeu-se rapidamente atrás de uma coluna enorme.&lt;br /&gt;Foi então que viu em cima, Carolina a correr, a agarrar nas crianças enquanto as repreendia e a atravessar o corredor. E em baixo, um homem, que saía de detrás dos cortinados de veludo, do outro lado do hall, e atirava qualquer coisa para debaixo das escadas. Antes que pudesse pensar no que estava a acontecer Helena ouviu um estrondo ensurdecedor e viu a escadaria a explodir juntamente com parte do primeiro andar. Ela encolheu-se atrás da coluna, em pânico, com as mãos a cobrir a cabeça, rodeada de gritos, de ruído de coisas a partir e ficou assim, sem se mexer, sem abrir os olhos, por muito tempo. A última coisa que tinha visto tinha sido Carolina e as crianças a cair do primeiro andar, projectadas pela violência da explosão.&lt;br /&gt;Aos poucos Helena sentiu tudo a acalmar à sua volta. Lentamente abriu os olhos e ergueu-se. Quando saiu detrás da coluna viu a casa exactamente como estava no momento em que lá entrou. Olhava incrédula a toda a volta e não via indícios do que tinha presenciado.&lt;br /&gt;Sentou-se nas escadas, a olhar para tudo e a repensar os últimos acontecimentos. Depois ouviu um ligeiro ruído vindo dos cortinados, olhou e viu sair devagarinho, o Velho, muito velho, agarrado ao seu relógio.&lt;br /&gt;- Você?... aqui?... pensei que não… - gaguejou Helena.&lt;br /&gt;- Eu venho aqui todos os dias, ou todas as horas, já nem sei quantas vezes revivo este momento – murmurou o homem com visível dificuldade em falar e mover-se.&lt;br /&gt;- Quem é você? – perguntou Helena sem resistir à curiosidade.&lt;br /&gt;- Sou um assassino, imoral, condenado a viver nas trevas da minha memória para toda a eternidade. O meu nome é Diogo Cunha – disse o Velho sem emoção.&lt;br /&gt;- Eles morreram…? – perguntou Helena.&lt;br /&gt;- Sim e com eles perdi a minha vida também.&lt;br /&gt;- Você também morreu na explosão?&lt;br /&gt;- Não! Eu sobrevivi para morrer de dor todos os dias e horas da minha vida até ao meu último suspiro.&lt;br /&gt;- E os relógios? E as crianças? O seu relógio? Como é que… - começou Helena, dando asas a todas as dúvidas que a assaltavam.&lt;br /&gt;- Esta casa foi o meu túmulo. Quis morrer com eles também. O relógio na parte da frente da casa, fui eu que o mandei fazer para assinalar o meu último momento de vida. A partir daquele momento nada mais vivi, apenas revivi. E neste relógio que trago junto a mim estão todas as horas da minha vida – explicou o Velho.&lt;br /&gt;- Mas… você morreu, muitos anos depois de se fechar nesta casa… mas você está...? - inquiriu Helena perplexa.&lt;br /&gt;- Eu só sei que morri naquele dia, naquele minuto… desde então os dias e horas são todos iguais… não tente compreender tudo, minha filha, eu próprio não sou capaz.&lt;br /&gt;- Sabe porque é que eu estou aqui? – perguntou Helena, que se questionava há muito sobre o que lhe estava a acontecer.&lt;br /&gt;- Porque chovia e você precisava de se abrigar – respondeu o Velho enquanto se agarrava ao corrimão para começar a subir as escadas.&lt;br /&gt;Nesse momento, Helena desviou os olhos dele e viu o relógio, enorme, pousado no degrau, ao seu lado.&lt;br /&gt;- O seu relógio…&lt;br /&gt;O Velho olhou para trás a custo, fitou-a e sorriu.&lt;br /&gt;- Eu estarei para sempre aprisionado nesta casa, refém do tempo que passou. Leve consigo o relógio, o guardião dos meus dias, horas e minutos e volte a dar-lhe vida através da magia das palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-3020475980467363378?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/3020475980467363378/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=3020475980467363378' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3020475980467363378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/3020475980467363378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/01/casa-dos-relgios-iii.html' title='A Casa dos Relógios III'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-9135404237538258545</id><published>2008-01-12T19:14:00.000Z</published><updated>2008-01-12T19:21:44.371Z</updated><title type='text'>A casa dos relógios II</title><content type='html'>&lt;em&gt;(continuação do conto que começa no post anterior)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Helena estava paralisada, de medo, de fascínio, de curiosidade segurando contra o peito o pequeno relógio de bolso quando ouviu vozes a aproximarem-se. Conseguia ouvir perfeitamente a voz de dois homens que se aproximavam da porta da sala e num instante de audácia, olhou em volta e correu para trás de um enorme biombo oriental, delicadamente lacado, onde se escondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entre, meu caro amigo, mas que alegria me dá a sua visita… é tão raro vê-lo hoje em dia!&lt;br /&gt;- Os negócios, Afonso, os negócios prendem-me e acabo por passar mais tempo no Brasil do que aqui.&lt;br /&gt;- Vão longe os tempos despreocupados de Coimbra, não é meu caro Diogo? As voltas que a vida deu desde então… – disse Afonso com um sorriso, enquanto indicava ao amigo uma cadeira para se sentar.&lt;br /&gt;- É verdade, estamos mais velhos, mais cansados, mais ricos também – retorquiu Diogo com um ar sarcástico. – Mas afinal que maravilha era essa que me queria mostrar? Se bem que é difícil suplantar esta casa que está a construir, que é uma verdadeira jóia.&lt;br /&gt;- Esta casa é um disparate onde a minha mulher anda a ver se gasta toda a minha fortuna. Tem aquela inclinação para as artes e para as coisas delicadas e inúteis, que fazem com que as mulheres sejam incapazes de ter tino para negócios. Enfim, quanto mais ela andar entretida com a casa e com os filhos, menos me incomoda. Quase não nos vemos, a não ser quando recebemos convidados ou vamos a eventos sociais, e nisso ela é extraordinária, ninguém é mais elegante e requintado.&lt;br /&gt;- Meu amigo, se bem me lembro a sua esposa é uma mulher requintadíssima e muito bela e esta casa faz juz à sua reputação – disse Diogo sem tirar os olhos do chão.&lt;br /&gt;- Sim, sim, mas não viemos aqui para falar de mulheres – respondeu ansioso. – O que lhe queria mostrar era esta extraordinária colecção de relógios que comecei há uns dez anos, pouco depois de Coimbra e de o amigo ter ido tentar a sua sorte para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura, Helena, que via a cena através de uma frincha no biombo reparou que não havia mais relógios na sala para além dos que estavam expostos nos armários com portas de vidro. Os dois homens observaram atentamente a colecção toda. Afonso extasiado a relatar a proveniência de cada relógio, as aventuras por que passara para o adquirir e Diogo, distante, a tentar seguir o amigo mas sem interesse nenhum na colecção.&lt;br /&gt;De repente, Afonso olhou para um relógio e disse constrangido para o amigo:&lt;br /&gt;- Perdoe-me, meu caro, mas esqueci-me completamente que tenho uma reunião importantíssima dentro de algum tempo na cidade. Fiquei tão feliz por o rever e entusiasmei-me tanto a mostrar-lhe os relógios que perdi a noção das horas e tenho mesmo de ir. Mil desculpas pela indelicadeza… mas temos de continuar a nossa conversa. Fique para jantar. Será um enorme prazer… Vou pedir para chamarem a Carolina, ela vai ficar encantada por lhe mostrar a casa e eu não demoro… pode ser?&lt;br /&gt;Diogo engoliu em seco e ficou lívido mas retorqui com segurança:&lt;br /&gt;- Sim, será um prazer meu caro amigo, temos muitas coisas para pôr em dia.&lt;br /&gt;- Muito bem! Venha então até à sala azul, vou pedir para lhe trazerem um chá e entretanto a minha esposa virá recebe-lo. Até logo, meu caro Diogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os dois homens saíram. Helena suspirou de alívio e esgueirou-se até à porta para espreitar o que se passava na sala azul através da fechadura. Lá estava Diogo sentado. Uma empregada a servir-lhe um chá. A sala toda forrada a azul e mármore branco era luminosa, parecia um pedaço de céu. Então, Diogo retirou o seu relógio de bolso para ver as horas. Helena olhou perplexa. Era igualzinho ao relógio que ela tinha na mão, que agora surpreendentemente marcava 6h22. Segundos depois entrou na sala a esposa de Afonso, Carolina. Trazia no braço uma pequena cesta com flores, que com certeza tinha acabado de colher no jardim, e parecia aos olhos de Helena, uma princesa saída de um conto clássico. Trazia um vestido verde que lhe realçava os olhos felinos, dourados e segurava o chapéu de palha que protegera a sua pele alva e o rosto perfeito, do sol do fim da tarde. Era a imagem da delicadeza.&lt;br /&gt;As mãos de Diogo tremeram quando a viu, entornando o chá e ele levantou-se desajeitado mas sem jamais conseguir desviar os olhos daquela mulher. Ela não se movia desde que o vira. Tinha uma expressão de incredulidade e ternura no rosto que parecia dominar todo o espaço à volta deles. Helena sentiu uma angústia profunda perante aquela cena, como se pressentisse algo terrível. Olhou para o relógio que tinha na mão e ele estava parado novamente, marcando 6h23. Quando voltou a olhar pela fechadura viu apenas a sala vazia, como quando chegara à casa. Levantou-se e olhou em volta e voltou a ver todos os relógios que cobriam a sala. Pousou instantaneamente o relógio de bolso na mesinha ao seu lado e abriu a porta. Voltou a olhar as esculturas na parede, rodopiou pela sala, sentiu o ar frio e pensou que se calhar tinha tido um sonho estranho, que nada daquilo era possível, que estava a sonhar ainda.&lt;br /&gt;“Gostaste do meu tesouro?” ouviu uma voz infantil a perguntar e olhou em seu redor sem ver ninguém.&lt;br /&gt;“Estou aqui, olha para mim”, continuou a voz.&lt;br /&gt;Helena olhou com mais atenção e então reparou no menino de mármore na parede, a brincar em cima de um cavalo de madeira. E viu perplexa o cavalinho começar a balançar, para a frente e para traz, para a frente e para traz e o rosto da criança risonho, às gargalhadas.&lt;br /&gt;“Ora toca-me!” dizia ele. E Helena sem acreditar no que via aproximou-se como um autómato e obedeceu. Quando a sua mão se aproximou da mão da criança que segurava o cavalinho, esta soltou-o, agarrou a mão da Helena e saltou para o chão. Helena deu um passo atrás e caiu assustada. A criança ria sem parar e aproximou-se dela oferecendo-lhe a mão para a ajudar a levantar.&lt;br /&gt;- Quem és tu? – perguntou Helena. – Como é possível… tu estavas na parede…&lt;br /&gt;- Eu sou o Simão e esta casa é minha e eu queria mostrar-te o meu tesouro.&lt;br /&gt;- Os relógios? – perguntou a Helena.&lt;br /&gt;- Não… esse era o tesouro do meu pai. A magia… eu queria mostrar-te a magia…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(e continua ainda...)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-9135404237538258545?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/9135404237538258545/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=9135404237538258545' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9135404237538258545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/9135404237538258545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/01/casa-dos-relgios-ii.html' title='A casa dos relógios II'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-2531244737188150433</id><published>2008-01-08T02:39:00.000Z</published><updated>2008-01-08T02:45:08.918Z</updated><title type='text'>A casa dos relógios I</title><content type='html'>Há muitos dias que não acontecia uma gloriosa manhã de sol como aquela. Sol de Inverno, intenso, teimoso, a romper o ar gélido e a iluminar o mar furioso que fustigava as rochas. Helena passeava na praia, com os braços cruzados sobre o poncho quente de lã e os pés descalços na areia molhada e fria. Desde pequena que adorava andar descalça, numa espécie de ritual íntimo com a terra-mãe, e percorria o areal com pequenos passos seguros enterrando os pés um atrás do outro e olhando para trás, para ver as pegadas desaparecerem no momento seguinte, efémeras, como se ela própria desaparecesse e se renovasse a cada passo.&lt;br /&gt;Já tinha perdido a conta dos dias passados na casa da praia. Helena tinha-se refugiado ali, como sempre, para escrever. Precisava de estar sozinha, de não contabilizar os dias e horas que passavam para se sentir livre e dar vida às ideias que depois transformava em histórias, que entregava à sua editora, que depois as transformava em mais um livro. Às vezes passava meses sozinha na casa da praia e invariavelmente, quando terminava, partia sem regresso marcado para qualquer lado do mundo, indiferente ao maior ou menor sucesso do seu trabalho, alheia ao frenesim promocional, que enlouquecia a editora e que involuntariamente criava à sua volta uma aura de mistério. Helena S. era uma romancista de sucesso, um fenómeno literário, mas ninguém conhecia aquela mulher pequenina, de cabelos negros em desalinho, sorriso tímido e olhar penetrante.&lt;br /&gt;Durante os últimos dias, talvez semanas, não tinha sido capaz de escrever uma única linha. Passava horas a fio à frente do computador, a ouvir música e a escrever frases que apagava mal colocava o ponto final. Naquela manhã decidiu não escrever; decidiu aproveitar o sol raro de Inverno e passear na praia. Ria-se sozinha, olhando para os passos que desenhava na areia a desaparecer atrás de si. Rodopiava, corria, arrastava os pés, saltava, numa espécie de escrita efémera que o mar teimava em apagar. Deixou-se levar por esse impulso, que a divertia, e caminhou mais do que alguma vez tinha caminhado. A determinada altura, ofegante e cansada decidiu sentar-se a contemplar o mar. Recuou até ao cimo das dunas, que eram altíssimas naquela zona e parou. Respirou fundo e sentiu o ar frio invadir-lhe o peito, fechou os olhos e ouviu a cadência silenciosa do mar. Quando se sentiu revigorada e pronta para voltar à casa da praia, ergueu-se e olhou em volta. Nunca tinha estado antes naquele lugar e então reparou num pequeno caminho de areia que partia dali e penetrava no canavial imenso que se estendia até um pinhal bem mais atrás. Resolveu segui-lo e ver até onde a levava.&lt;br /&gt;Deparou-se, algum tempo depois, com uma imponente mansão abandonada, em ruínas. Na sua época, tinha sido sem dúvida uma casa maravilhosa. Era fácil imaginar como tinha sido a fachada arte nova, com frisos belíssimos a emoldurar as janelas, com varandas ondulantes e esculpidas com elementos do mar e da terra, com vitrais coloridos que brincavam com a luz. Nem a invasão de plantas que se apoderou da casa, nem a degradação dos anos que apagou frescos, destruiu vitrais, varandas, frisos e esculturas, nem o ferrugem que cobriu os maravilhosos contornos do ferro forjado eram capazes de apagar a imponência e o esplendor daquela casa. Helena passou horas a observar cada detalhe, como se lesse em cada centímetro de parede uma história perdida no tempo. Era extraordinária e havia um detalhe, acima de todos, que a intrigava, que não combinava com a arquitectura cuidadosamente planeada da casa. Na fachada principal, por cima da belíssima porta de entrada, em madeira maciça, gasta, recortada sem um único ângulo recto, encontrava-se um relógio enorme, incorporado num friso que fazia lembrar uma estrela-do-mar. As horas esculpidas em numeração romana tinham-se esvanecido sob o efeito da erosão, mas os ponteiros, ainda que completamente cobertos de ferrugem, estavam lá, intactos a marcar a última hora: 11h59.&lt;br /&gt;Subitamente, Helena foi arrancada ao estado de encantamento que a casa lhe provocara por um trovão ensurdecedor, seguido de chuva intensa que em segundos a deixou completamente encharcada. Tinha perdido a noção do tempo. Estava a escurecer, estava frio e abatera-se sobre ela uma tempestade violenta. Num impulso, Helena deu um encontrão com o ombro na porta da casa e esta abriu-se deixando ver o chão de mármore, os frescos apagados das paredes, a decoração em estuque que restava no tecto, os candeeiros monumentais e a escadaria; uma escadaria como ela nunca tinha visto, que a partir de uma base comum rodopiada e se separava criando três acessos a diferentes partes da casa. Helena fechou a porta atrás de si, deixou de ouvir a trovoada, de se sentir intimidada pelos relâmpagos e olhou em volta, maravilhada. A escadaria parecia o coração da casa a pulsar de vida, os frescos ganharam cores intensas e pareciam iluminar o interior do salão, as figuras esculpidas a estuque pareciam querer sair do tecto e dançar à sua volta, os candeeiros pintados com cores fortes, maravilhosos, pareciam iluminar o mundo. Helena começou a andar lentamente, rodopiando sobre si própria para não perder um único pormenor. Foi então que começou a ouvir a música. Primeiro ao longe, muito longe, um piano soltava notas delicadas de uma melodia encantadora. Depois a música foi-se aproximando, começaram a ouvir-se violinos também, em perfeita sintonia. E depois vozes, muitas vozes. Vozes de homens e mulheres, risos e gargalhadas, sons de festa e alegria. E então, Helena ouviu claramente um burburinho de crianças que brincavam e riam e corriam pela casa. Ela olhou em volta e não viu ninguém, mas ouvia as crianças cada vez mais intensamente. O som vinha do andar de cima e não só as ouvia a brincar como podia sentir os seus passos enquanto corriam alegremente.&lt;br /&gt;Colocou a mão no corrimão de madeira e começou a subir tentando encontrar o caminho naquele labirinto de escadas que se entrelaçavam e separavam como se tivessem vida própria. Foi então que ouviu claramente “Anda! Quero mostrar-te o meu tesouro!” seguido de gargalhadas e burburinho de riso de crianças. Tentou seguir aquela voz e quando chegou ao cimo das escadas e olhou para o corredor à sua frente viu, num ápice, um vulto de criança dobrar a esquina a correr. Apressou-se para o tentar apanhar, continuou a ouvir o desafio “Anda!” e o riso alegre de crianças. Entrou num labirinto de salas e salões que se abriam uns para os outros e para novos corredores e escadas. Voltou a ver o vulto dobrar outra esquina, continuou a segui-lo e deu por si numa sala forrada a veludo azul celeste, decorada com esculturas que saíam das paredes como se tivessem um dia tido vida própria e tivessem sido aprisionadas por um feitiço qualquer. Eram figuras de homens, mulheres e crianças, de várias idades, em várias situações. Helena reparou atentamente numa delas; um velho, muito velho, no fim da vida, com o olhar mais triste do mundo, que segurava nos braços, um enorme relógio. E depois viu a porta entreaberta. Ela era capaz de jurar que quando entrara naquela sala não havia mais nenhuma porta, mas agora lá estava ela, mesmo à sua frente, paralela à porta por onde tinha entrado e lá dentro ouvia-se agora, claramente, o burburinho alegre das crianças. Avançou curiosa, empurrou lentamente a porta e entrou. Olhou em volta perplexa e encantada. Nas paredes, no tecto, em cima dos móveis, por todo o lado podiam ver-se centenas de relógios, todos parados, todos com uma hora diferente. Quando olhou para a delicada mesinha de mármore mesmo ao seu lado, Helena não pôde deixar de reparar num belíssimo relógio de bolso antigo, em ouro, uma verdadeira obra de arte que estava pousado no meio de vários outros relógios. Pegou nele com cuidado. Marcava 6h23. No mesmo instante, sentiu a porta fechar-se violentamente nas suas costas e sobressaltada reparou que todos os relógios tinham começado a trabalhar, em sentido contrário, como se estivessem a recuar no tempo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(continua brevemente)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-2531244737188150433?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/2531244737188150433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=2531244737188150433' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2531244737188150433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/2531244737188150433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2008/01/casa-dos-relgios.html' title='A casa dos relógios I'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-6221114957112160121</id><published>2007-11-29T23:46:00.000Z</published><updated>2007-11-30T00:02:00.639Z</updated><title type='text'>Catwomen</title><content type='html'>A noite caía rapidamente sobre a cidade. Em poucos minutos a luz amarela dos candeeiros de ferro substituiria o sol e as sombras tomariam o lugar das árvores, dos edifícios, dos vultos, das estátuas de anjos e das lápides do cemitério. Dentro de pouco tempo apenas as velas a arder, com as chamas intermitentes e açoitadas pelo vento frio do Inverno pareceriam ter vida naquele lugar.&lt;br /&gt;O guarda fazia a ronda habitual para se certificar que todos tinham saído e que podia fechar o cemitério. Só se ouviam os passos dele a percorrer o labirinto de caminhos sem saída. Sem um único ruído e sem aviso, algo saiu de traz de uma lápide lançando-se no ar mesmo à frente do guarda, para cair do outro lado do caminho e desaparecer de imediato por entre as sombras do mar de velas que se abria do lado esquerdo.&lt;br /&gt;- Aghhh! Raios… malditos gatos! – gritou e praguejou o homem, tentando recompor-se do susto – Não admira que andem a envenenar esta bicharada toda. Parece uma praga!&lt;br /&gt;E apressou-se na ronda para sair dali o mais rapidamente possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pretinha! Onde estás? Anda comer… olha as coisas boas que te trouxe hoje – chamou a D. Cininha baixinho, a sussurrar, enquanto abria um saco de plástico e retirava uma lata de comida para gatos.&lt;br /&gt;- Linda… isso… anda papar que a Cininha não te faz mal. Isso, linda menina… é bom, não é? Vocês não podem comer sempre comida seca, têm de papar desta também… hummmm tem um cheirinho… papa tudo Pretinha, tudo, que estás muito magrinha.&lt;br /&gt;A Pretinha era a grande preocupação da D. Cininha. Há muitos anos que diariamente alimentava e protegia todos os gatos do bairro. À sua passagem os pequenos felinos saíam dos seus esconderijos para a cumprimentar, para lhe roçarem as pernas, para lhe seguirem os passos na esperança dela lhes dar petiscos e mimos. Todos, menos a Pretinha. Essa nunca se aproximava, só vinha comer depois de todos terem desaparecido e a D. Cininha tinha desenvolvido uma teoria para justificar este estranho comportamento. Ela achava que a gatinha tinha sido muito maltratada por alguém, de forma tão vil que ficou traumatizada e se recusava a aproximar-se das pessoas. Era uma mulher doce, a D. Cininha, muito serena, franzina, com o cabelo todo branco e o rosto bem sulcado pelo tempo, que passou por ela sem generosidade.&lt;br /&gt;- Então e os outros meninos, onde andam eles, pequenina? – perguntou curiosa, enquanto observava a gata a comer mantendo alguma distância respeitosa. – Os da rua de traz já comeram, passei por lá antes de vir para casa. Havias de ter visto a Malhada! Já está boa da operação. Está linda, com o pêlo brilhante, parece uma rainha… que foi? Não queres mais? Paraste de comer… que se passa, meu amor?&lt;br /&gt;Num ápice, a gata desapareceu na noite e a D. Cininha começou a ver outros gatos a aproximarem-se.&lt;br /&gt;- Ai, Valha Deus que aquela bichinha é tão medrosa… Vá lá que comeu quase tudo hoje – inquietou-se. – Venham meus queridos, venham à mamã, olhem as coisas boas que vos trouxe hoje para o jantar – disse ela para os gatos que lhe rodeavam as pernas e que a olhavam expectantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia D. Cininha! Como estão os seus meninos?&lt;br /&gt;- Ó D. Aninhas, ando tão preocupada com a minha Pretinha… ela anda tão magrinha. Tenho medo que se não comer bem depois acabe por comer porcarias e tocar em alguma coisa envenenada.&lt;br /&gt;- Pois é… já viu que coisa medonha. Quem é que tem coragem de matar assim os bichinhos. Eu também ando com o coração nas mãos por causa dos meus D. Cininha. É certo que a minha zona ainda é longe do cemitério, mas vá-se lá saber… com um criminoso desses à solta. Olhe quem vem lá… - interrompeu - … D. Tininha, então a senhora está boazinha? Vem para a nossa beira hoje?&lt;br /&gt;- Bom dia senhoras. Vim saber desse assassino dos bichos. Há dois bichanos que não me aparecem há que tempos e não foram às gatas senão já tinham voltado.&lt;br /&gt;- Ai D. Tininha, que até se me dá um aperto no peito só de pensar nesse malvado – disse a D. Aninhas muito perturbada.&lt;br /&gt;- Hoje até vinha a notícia no jornal – afirmou a D. Cininha – quase todos os dias têm encontrado gatos mortos aqui no cemitério. Ninguém imagina quem andará a fazer tamanha maldade, mas eu vou descobrir… ai se vou!&lt;br /&gt;- Olhem, vem aí o Sr. Freitas, o guarda… será que ele sabe de mais alguma coisa? – perguntou a D. Aninhas, encaminhando-se rapidamente para ele.&lt;br /&gt;- Bom dia, minhas senhoras – cumprimentou o guarda a sorrir -, como está a Comissão de Defesa dos Gatos?&lt;br /&gt;- Lá está o senhor Freitas a brincar com a gente. Olhe que andamos bem aflitas com esta história dos gatos envenenados. Não há direito! Até pode não se gostar dos bichos, mas não é preciso fazer-lhes mal, meu Deus – disse a D. Aninhas indignada. – Já sabem de mais alguma coisa?&lt;br /&gt;- Olhem, eu estou convencido que o assassino dos gatos mora cá no cemitério – afirmou peremptório o guarda, enquanto se benzia; – têm acontecido para aqui umas coisas muito estranhas, barulhos na noite, restos de comida, coisas partidas e fora do sítio… Só vos digo que tem de ser uma alma do outro mundo, que eu não saio daqui sem vasculhar o cemitério todo e nunca cá vi ninguém.&lt;br /&gt;As três mulheres ficaram em alvoroço, incrédulas com tamanha insanidade e depois de tentarem chamar o guarda à razão, de lhe fazerem ver o disparate daquela ideia, lá voltaram costas e seguiram pela rua principal do cemitério, de braço dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pretinha, onde estás? Anda, minha pequenina… anda papar – gritava a D. Cininha, para fazer-se ouvir no meio daquele temporal.&lt;br /&gt;A chuva e o vento cortante a salpicar a lama dos caminhos, a curvar as copas das árvores e a fazer voar jarras, lamparinas e flores tornavam aquela tarefa muito mais difícil. A pobre mulher, coberta por um poncho impermeável, mas completamente encharcada, de saúde débil, percorria o cemitério com a ajuda de uma pequena lanterna que mal lhe iluminava os passos. O vento silvava com fúria e não havia sinais dos gatos, nem de vivalma nas redondezas. A D. Cininha, dando-se por vencida, atou o saco plástico da comida ao pulso, apertou com mais força o poncho junto ao pescoço, para se aconchegar, e seguiu a custo para casa, curvada, a tentar iluminar o caminho e a respirar com dificuldade.&lt;br /&gt;Depois de atravessar a avenida, onde ainda havia alguma luz, dirigiu-se para o caminho estreito e escuro que levava ao pequeno beco onde morava. A chuva intensificou-se e não deixava ver nem um palmo à sua frente quando de repente, ouviu miar e sentiu o desconforto do pêlo molhado a roçar-lhe as pernas. Era a Malhada, que seguia à sua frente a miar para lhe mostrar o caminho de casa. Quando chegou ao fim do beco onde morava subiu o primeiro degrau e apoiou-se numa saliência da parede granítica, escorregadia, para abrir o ferrolho do portão de ferro. Um relâmpago iluminava as trevas da noite quando a D. Cininha conseguiu a custo abrir o portão e arrastar-se ofegante para dentro. Cambaleou um pouco e acabou por cair no chão, encostada a uma das paredes. Tirou a custo o poncho encharcado, puxou uma manta para se aquecer e esticou o braço para alcançar um retrato do filho que abraçou junto ao peito, ao mesmo tempo que fechava os olhos e tentava superar a dor que sentia e a dificuldade em respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia Sr. Freitas – disse a D. Tininha ao entrar no cemitério de braço dado com a D. Aninhas. – Já se sabe mais alguma coisa sobre o assassino dos gatos?&lt;br /&gt;- Ó minhas senhoras! Ó valha-me Deus, nem imaginam o que por aqui se passou! Eu nem estou em mim…. Isto tem estado uma desgraça desde que aqui cheguei hoje cedo – afirmou o guarda muito agitado e nervoso. – Já sabemos quem envenenava os gatos! As senhoras nem imaginam… nem imaginam!&lt;br /&gt;- Credo, você está a deixar-me nervosa também. Diga lá de uma vez por todas… mas… o que é que aconteceu por aqui? – perguntou a D. Aninhas.&lt;br /&gt;- A outra senhora que costuma andar com vocês, que mora aqui perto e que tem o hábito de dar de comer aos gatos… apareceu morta, dentro do cemitério esta manhã.&lt;br /&gt;- Ai valha-me Deus, pobre D. Cininha, como é que pode ter acontecido uma coisa dessas? Como é que ela ficou aqui dentro a noite toda, ainda por cima, com aquele temporal de ontem… ai coitada da pobre… como é que isto foi acontecer? – interrogou-se a D. Tininha enquanto amparava a D. Aninhas e a ajudava a sentar-se num banco.&lt;br /&gt;- Já veio a judiciária e tudo… ele há coisas que ninguém imagina! Então não é que a D. Cininha vivia aqui dentro do cemitério? É verdade! É verdade – repetiu ele perante o olhar incrédulo das duas mulheres. - Descobriu-se que ela vivia no seu jazigo de família, um dos mais imponentes do cemitério, que fica na ala este, num canto afastado e escondido. Foi um dos coveiros que descobriu o corpo dela de manhã cedo. Viu o portão do jazigo aberto, foi espreitar e deu com o corpo da senhora estendido no chão, já sem vida – explicou o guarda.&lt;br /&gt;- Mas Sr. Freitas ela vinha visitar o jazigo todos os dias. Era lá que estavam o marido e o filho, deve ter acontecido alguma coisa para ela ter ficado presa lá dentro… mas por amor de Deus, daí a viver lá… - afirmou a D. Aninhas muito consternada.&lt;br /&gt;- Pois é minha senhora, mas a sua amiga tinha dentro do jazigo tudo o que precisava para viver: cobertores, lanterna, comida, objectos pessoais e um armazenamento de comida para gatos que nem imaginam… só não percebo porque é que ela os envenenava.&lt;br /&gt;- Ai, não posso crer! A D. Cininha era incapaz de fazer mal aos bichos. Era tudo o que ela tinha desde que o filho morreu há uns anos. Era a única companhia dela e ficou completamente sozinha… os gatos eram a sua família, Sr. Freitas, pode lá ser uma coisa dessas? – explicou a D. Tininha.&lt;br /&gt;- Não sou eu que digo, minhas senhoras, é a polícia. Chegaram à conclusão que a senhora devia estar mal da cabeça e que lhe deu para isto… Encerraram o caso – afirmou o guarda. – E olhem, por falar neles, vêm aí com o corpo… deixem-me ver se precisam de alguma coisa… ai que dia, minhas senhoras… que dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram as duas muito chocadas a olhar a cena. Um grupo de polícias a aproximar-se, com um cadáver coberto numa maca, uma pequena multidão a juntar-se, um dos coveiros a avançar na direcção deles com uma sachola ao ombro e um saco de lixo cheio na mão e a Pretinha a saltar de traz de uma lápide para a Avenida e a Malhada a saltar de uma árvore e os gatos a aparecerem todos, um por um, vindos dos quatro cantos do cemitério… e ainda ninguém tinha dado pela presença deles, além das mulheres que observavam de mais longe, quando de repente, como se um maestro comandasse na perfeição uma orquestra de dezenas de gatos, estes se lançaram em uníssono sobre o coveiro, que entretanto estava no meio da pequena multidão. As pessoas fugiram aos gritos enquanto o homem rolava pelo chão e tentava tapar a cara para se proteger do ataque dos gatos. Os polícias deixaram cair a maca com o cadáver e ficaram perplexos a ver aquela cena. Ninguém podia aproximar-se para ajudar o pobre homem que estava completamente ensanguentado, sem ser atacado também. Quando o homem perdeu as forças para se mexer, os gatos pararam repentinamente, mas as pessoas, perplexas, continuaram imobilizadas a olhar e então, a Pretinha saiu de cima dele e atirou-se ao saco do lixo com as unhas até o conseguir rasgar. Quando o saco se desfez podia ver-se lá dentro comida para gatos suficiente para alimentar toda a comunidade do cemitério e um saco de veneno para ratos, que entretanto escorregou para fora e ficou à vista de toda a gente. Nessa altura, a Pretinha e os outros gatos abandonaram o homem em farrapos, aproximaram-se da D. Cininha e deitaram-se sobre ela e a toda a volta como se estivessem a velar o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podia lá ser, D. Aninhas? É que não lembrava ao Diabo, a pobre da nossa amiga andar para aí a matar os gatos! – disse muito séria a D. Tininha.&lt;br /&gt;- Que disparate! Nunca tinha ouvido nada mais estúpido. Mas viu o que os pequeninos fizeram? Como desmascararam o traste do coveiro? Ai, D. Tininha estou tão comovida… a Cininha, onde quer que esteja, deve estar cheia de orgulho nos meninos dela.&lt;br /&gt;- Vamos, minha amiga, vamos embora que aqui, já não há mais nada para ver… vamos embora que a partir de hoje temos muito mais trabalho… vamos ter de nos organizar para dar de comer aos gatos do cemitério – disse a D. Aninhas, enquanto se levantava e dava o braço à amiga para saírem juntas e voltarem as costas àquela cena trágica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-6221114957112160121?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/6221114957112160121/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=6221114957112160121' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6221114957112160121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/6221114957112160121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2007/11/catwomen.html' title='Catwomen'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-5720599725157319764</id><published>2007-10-29T18:37:00.000Z</published><updated>2007-10-29T18:38:37.925Z</updated><title type='text'>Super Catarina</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para a Catarina que faz seis anos hoje&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa de aniversário acabou e estava na hora de ir dormir. Tinha sido um dia cheio de surpresas e coisas boas. Mal a Catarina deitou a cabeça na almofada adormeceu, de tão cansada que estava depois de passar o dia a correr, a brincar, a abrir prendas e a comer coisas boas. Mas passado pouco tempo e apesar do cansaço, começou a sentir frio e acordou. Os cobertores tinham levantado voo e esvoaçavam de um lado para o outro do quarto. Ela não achou piada nenhuma. Tinha sono e frio e queria dormir e por isso mal um dos cobertores passou perto dela, agarrou-o com força para o obrigar a voltar para a cama. Mas qual quê? O cobertor ganhou ainda mais velocidade e quando a Catarina deu fé voava também pelo quarto fora sem conseguir pôr os pés no chão até que, de repente, o cobertor pairou sobre a cama e caiu atirando com ela para o colchão.&lt;br /&gt;- Cobertor, pára quieto! Quero dormir! – disse-lhe a Catarina muito séria a ver se ele se deixava de brincadeiras.&lt;br /&gt;“Parabéns a você! Parabéns a você!…” Alguém cantava no quarto com uma voz linda, muito suave e alegre. Mas, estranhamente não se via ninguém. A Catarina, sentada no meio da cama, olhava de um lado para o outro a tentar perceber de onde vinha aquela vozinha, mas não via nada.&lt;br /&gt;- Ei! Estou aqui em baixo, sentada no teu joelho, olha para mim! – gritou a vozinha.&lt;br /&gt;Era uma linda fada, das que voam e são pequeninas, com um vestido azul comprido que esvoaçava quando ela voava e os cabelos loiros muito compridos.&lt;br /&gt;- Catarina, sou a tua fada dos sonhos e hoje estou aqui por um motivo muito especial – disse ela com ar divertido.&lt;br /&gt;- Uma fada! Que fixe!... Onde está a tua varinha de condão? – perguntou a Catarina intrigada.&lt;br /&gt;- Isso já não se usa, miúda! Andas a ler contos de fadas muito antigos. Agora o que está na moda são os sopros de estrelas. Eu sopro na tua direcção e atiro-te com milhares de estrelinhas à cara para fazer cumprir os teus desejos – informou a fada.&lt;br /&gt;- E posso pedir o que eu quiser!? – diz a Catarina a bater palmas de contente.&lt;br /&gt;- Não! Nada disso! Hoje é um dia muito especial, fizeste seis anos. E todos os meninos, na noite em que fazem seis anos são visitados pela sua fada dos sonhos para escolherem um super poder.&lt;br /&gt;- E posso escolher o que eu quiser?&lt;br /&gt;- Não! Nada disso! Hoje vais experimentar cinco super poderes durante a noite e de manhã, antes de acordares, vais ter de escolher um que vai ficar contigo para sempre e fazer de ti uma menina muito especial – disse a fada enquanto batia as asinhas delicadas e puxava os cobertores para cima da Catarina para ela adormecer.&lt;br /&gt;A fada dos sonhos soprou e atirou com milhares de estrelinhas para o ar. A Catarina fechou os olhos e começou a ver-se no recreio da escola a brincar com os amigos. A fada segredou-lhe ao ouvido que o primeiro super poder que ela ia experimentar era a super força. Ia ficar tão forte que podia levantar as árvores só com uma mão. Então, ao fundo, começaram uma zaragata. Um grupo de meninos começou a empurrar e a bater em outros meninos que brincavam sossegados. Era hora de a super Catarina entrar em acção. Atravessou o recreio a correr e quando chegou perto do grupo agarrou nos braços dos dois meninos mais fortes que estavam a bater nos outros e muito zangada começou a girar com eles à volta e atirou-os ao chão. Só que ela tinha mesmo muita força e não estava habituada por isso quando os largou, os infelizes meninos voaram para tão longe que quando caíram no chão partiram três costelas, dois dedos, quatro dentes e não paravam de chorar. Enquanto todos batiam palmas à Catarina por ela ter sido tão forte e corajosa e por os ter defendido ela correu para os dois miúdos e começou a chorar quando viu que os tinha magoado tanto.&lt;br /&gt;Nessa altura chegou a fada dos sonhos, voltou a soprar-lhe estrelinhas e segredou-lhe ao ouvido que o segundo poder ia transformá-la na menina mais inteligente do mundo. A Catarina estava então na sala de aula e a professora, mais à frente, ensinava muitas coisas novas. Sempre que ela tentava ensinar algo novo, enquanto todos os meninos ficavam entusiasmados por aprender, a Catarina dizia logo “Eu sei, eu sei, posso ir mostrar como se faz?” e passado pouco tempo os colegas já não a suportavam. Ela sabia tudo, não os deixava aprender, mais ninguém falava na aula e a professora já não sabia o que lhe havia de fazer. No fim do dia, a própria Catarina estava muito triste. Os outros meninos já não gostavam dela e ela já não gostava da escola porque era aborrecido não haver nada para aprender, não haver nada de novo.&lt;br /&gt;Então a fada dos sonhos chegou, soprou-lhe estrelas mais uma vez e disse-lhe que o terceiro super poder ia permitir-lhe voar. Desta vez, na praia, a Catarina feliz da vida abre os braços, corre e levanta voo. As pessoas que a viam nem queriam acreditar. Como era possível uma menina voar assim? Que maravilha! E ela ria e ganhava cada vez mais velocidade com os cabelos a esvoaçar ao vento e acenava para as pessoas que na praia a olhavam maravilhadas. Foi então que de repente sentiu uma bicada na testa, uma grande confusão de penas e se desequilibrou. Distraída, sem estar habituada a voar e sem conhecer as regras de trânsito dos pássaros tinha atropelado um grupo de gaivotas que iam sossegadas a caminho do seu rochedo no meio do mar. Com o acidente e a atrapalhação, ouviram-se muitos gritos, soltaram-se muitas penas e a Catarina caiu estatelada no areal.&lt;br /&gt;A fada dos sonhos aparece de novo e diz-lhe que o super poder seguinte ia fazer dela a menina mais doce do mundo, pois tudo em que tocasse ficava doce. Na cozinha, o pai prepara-lhe uma linda torrada com azeite e sementes de mostarda, mesmo como ela gosta e quando a Catarina pega nela e mete à boca começa a torcer o nariz porque lhe sabia a chocolate. A seguir vem para a mesa um belo rolo de carne, mas mal o mete na boca fica a saber a caramelo. Tudo o que ela experimentava fica a saber a doces e pelo fim do jantar já estava enjoada.&lt;br /&gt;Mais uma vez, e agora a última, a fada dos sonhos chega ao pé dela, sopra-lhe estrelas e segreda-lhe ao ouvido que o quinto super poder a vai transformar na menina mais rápida do mundo. A correr a Catarina é mais veloz do que ninguém. Na escola a professora dá inicio a uma corrida e a Catarina sai disparada, mal se vê e atravessa a meta toda contente. Depois senta-se à espera que os outros cheguem, o que só acontece muito tempo depois. Na praia, a brincar com outros meninos, acontece o mesmo, chega sempre muito mais depressa que os outros e depois fica sozinha à espera. Até entrou num concurso e fez a mesma corrida vinte vezes só para não ficar sozinha mas depois também se cansou de chegar à meta e voltar ao início, e chegar à meta e voltar ao início e chegar à meta e voltar ao início e acabou por ficar, como sempre, à espera dos outros e nem sequer estava feliz por ter ganho porque já sabia que ganhava sempre.&lt;br /&gt;Então a fada dos sonhos voltou, fez-lhe cócegas no nariz para ela acordar e perguntou-lhe com que super poder queria ficar. A Catarina sentou-se na cama ensonada e começou a pensar em voz alta.&lt;br /&gt;- A força, não quero. É muito perigoso e posso magoar os outros meninos. A inteligência também não pois não tem piada nenhuma saber tudo; é bom aprender. Voar também não quero. É muito bom mas o céu é para os pássaros e podem haver muitos acidentes. A doçura enjoa e eu gosto de todos os sabores, não quero passar a vida a comer coisas doces, tudo com sabor a chocolate, caramelo, chantily… não, quero os sabores todos. E também não quero a rapidez. É aborrecido saber que vamos ganhar as corridas todas e não gosto de ficar sozinha à espera de toda a gente.&lt;br /&gt;- E então não vais querer nenhum super poder? – perguntou a fada dos sonhos muito intrigada.&lt;br /&gt;- Não! – disse muito séria a Catarina – Não quero ter super poderes, pensava que era mais divertido.&lt;br /&gt;- Então vais ter de descobrir os teus próprios super poderes, aqueles que nenhuma fada te pode dar e que mais ninguém tem – disse a fada a sorrir para ela.&lt;br /&gt;- Mas eu tenho super poderes? – perguntou a Catarina.&lt;br /&gt;- Claro que tens, muitos. Toda a gente tem super poderes. Só tens de os descobrir. Tens de confiar em ti e descobrir os super poderes que fazem de ti uma menina tão especial, diferente de todas as outras. Tens de descobrir a Super Catarina.&lt;br /&gt;E então a fada bateu as asinhas novamente e puxou os cobertores, soprou mais estrelinhas e disse baixinho “Bons sonhos e feliz aniversário!”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-5720599725157319764?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/5720599725157319764/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=5720599725157319764' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5720599725157319764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/5720599725157319764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2007/10/super-catarina.html' title='Super Catarina'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-7430985619140179767</id><published>2007-10-28T11:24:00.000Z</published><updated>2007-10-28T11:26:17.716Z</updated><title type='text'>Conto de Fadas</title><content type='html'>Está uma noite mágica, ambígua, iluminada. A Lua sempre me fascinou. Mesmo quando a Lua era apenas a Lua e não resplandecia com memórias. Sou uma mulher lunar. Estou sentada na varanda, a beber gin e a fumar um cigarro. Estou sozinha e olho o mar à minha frente, por trás do casario que desce até ao porto, por trás dos mastros de barcos que atravessaram o Atlântico para repousar aqui. E por trás do mar iluminado, quase dourado está a montanha imensa. Não tem luz própria como as estrelas, não reflecte a luz como o mar e portanto nem o luar denuncia a sua presença imponente. Só eu sei que está lá, depois do casario, depois dos mastros dos barcos, depois do mar. Não é uma questão de fé. É que eu sei que a Lua é um astro extremamente selectivo, que nem tudo revela. Abraço as pernas e pouso a cabeça nos joelhos para recordar.&lt;br /&gt;No local onde nasci, muito longe, do outro lado do mundo somos um pouco diferentes. Se alguém nascer durante o dia tem o dom de tudo ver. Pode ver com os olhos e com o coração. Pode ver a alma das pessoas também. Mas se alguém nascer durante a noite, é um ser mais frágil e delicado e tem o dom de se tornar invisível sempre que se sente em perigo, para se proteger. O local onde eu nasci é uma pequena ilha perdida no mar. Não sei porque motivo somos diferentes de todas as outras pessoas. Há lendas e mitos sobre a nossa Criação, é certo, mas nenhuma explicação verdadeiramente satisfatória. Levamos uma vida simples e tranquila. Vivemos da comunhão com o mar. É do mar que retiramos alimentos, energia, medicamentos, histórias. É de mar que fazemos as nossas estradas para encontrar outros povos com quem convivemos e fazemos transacções. É no mar que encontramos satisfação, quando o contemplamos, quando mergulhamos, quando cheiramos a maresia. Raramente saímos da nossa ilha, sobretudo as pessoas lunares que são mais frágeis e delicadas e sofrem mais com as doenças do mundo.&lt;br /&gt;Um dia, acabava de sair da água depois do meu mergulho matinal quando uma nuvem branca poisou na praia à minha frente envolvendo tudo num abraço de neblina que não me permitia ver as minhas próprias mãos. Sentei-me no areal à espera que o sol voltasse. E então vi-o claramente a caminhar na minha direcção. Era um rapazinho espevitado de uns sete anos, com um andar muito seguro de si e um olhar doce e sábio impróprio para a idade dele.&lt;br /&gt;“Quem és tu? Andas perdido?” perguntei eu curiosa.&lt;br /&gt;“Não, acabei de encontrar o que queria. Vim propositadamente à tua procura, Luana” respondeu ele muito sério.&lt;br /&gt;“À minha procura?! Porquê?” continuei, sem perceber nada do que se estava a passar.&lt;br /&gt;“ Sou o teu Guardião. Queres muito sair para o mundo exterior, conhecer o que há para lá da ilha, conhecer as outras pessoas, mas não podes ir sozinha. Eu vou contigo” disse o rapaz com autoridade.&lt;br /&gt;“Mas eu posso proteger-me, fico invisível, nada me poderá fazer mal. Não é um miúdo como tu que me vai ajudar, pelo contrário ainda me vais atrapalhar mais e tenho eu de tomar conta de ti” respondi já cansada daquela conversa.&lt;br /&gt;Foi então que a neblina se tornou mais púrpura e num ápice o rapazinho deu lugar a uma bela jovem de cabelos negros e sorriso delicado.&lt;br /&gt;“Luana, já devias saber que tudo tem muitas formas e muitas faces. Eu posso ser o que eu quiser” disse ela num tom provocador, quando o púrpura deu lugar ao rosa e a jovem se transformou num ancião de cabelos muito brancos e o rosto sulcado por rugas.&lt;br /&gt;“Eu sou um Guardião. Não somos um mito nem seres encantados. Somos tão diferentes de vocês aqui na ilha, como vocês de todas as pessoas do mundo exterior e a nossa missão é proteger-vos, sobretudo a vocês lunares quando querem aventurar-se para lá do mar. É muito fácil esquecer quem são lá fora. A minha missão é zelar para que isso não aconteça” afirmou ele com determinação e ternura na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cheguei ao mundo exterior fiquei fascinada com tudo. Vivia em sobressalto, é certo, e durante os primeiros meses acho que quase ninguém me viu. Tinha medo dos automóveis, dos barulhos, da forma de falar mais brusca das pessoas, dos animais que nunca tinha visto, dos objectos desconhecidos. Tinha medo de tudo mas por outro lado vivia fascinada com as descobertas intermináveis, com os novos mundos, pessoas, formas de estar que desfilavam na minha frente. Pouco a pouco fui-me habituando ao mundo exterior e perdi o medo e deixei de me tornar invisível e estava feliz.&lt;br /&gt;Um dia ao entardecer, enquanto lia tranquilamente num banco em frente ao mar senti que alguém se aproximava e se sentava ao meu lado.&lt;br /&gt;“Que livro maravilhoso é esse que desvia o teu olhar do sol a adormecer?” perguntou-me o homem que acabara de chegar. Sorria para mim e tinha um ar intrigado como se quisesse realmente uma resposta para aquela pergunta.&lt;br /&gt;“Estou à espera da Lua, que está quase a chegar” respondi eu muito séria.&lt;br /&gt;“Olha” disse ele a apontar para o céu, “Já chegou, está ali, vê”.&lt;br /&gt;Fechei o livro e sorri também. Falamos do Sol e da Lua, dos lugares por onde tínhamos passado, de coisas banais, de coisas que nos tinham acontecido, de tudo e de nada. Quando dei conta a Lua já estava alta, majestosa a iluminar o mar e o mundo à nossa volta. Ele tinha acabado de chegar àquele lugar. Vinha para trabalhar ali e quem sabe ficar, ou talvez voltar a partir. Durante muitos dias, muito tempo, continuamos a encontrar-nos. Perdíamos a noção das horas. Sentíamo-nos bem só por estarmos juntos e éramos felizes.&lt;br /&gt;Uma noite aproximei-me dele em silêncio. O luar iluminava-lhe o rosto afável e os olhos ternos. Parei. Olhei novamente, com mais atenção. Parecia-me diferente, algo nele deixara de me ser familiar. Observei atentamente o perfil do rosto, a estrutura óssea equilibrada, a curvatura dos ombros os gestos delicados com que acariciava os braços para se aquecer do frio que a noite trouxera. E de repente o meu coração explodiu, acelerou como se estivesse a falar muito depressa, a dizer muitas coisas ao mesmo tempo. As minhas pernas ficaram paralisadas, incapazes de andar e as ideias, dentro da minha cabeça giravam num turbilhão doentio. Usei de todas as minhas forças para me arrastar até àquele banco e sentar-me ao lado dele. Aproximei-me para o beijar e o meu corpo incendiou-se de sensações desconhecidas. Tentei cumprimenta-lo timidamente. Ele não me respondeu. Continuou a olhar o mar e a tentar em vão aquecer os braços. Toquei-lhe no ombro a tremer e ele não reagiu. Levantei-me, coloquei-me diante dele e ele continuava a olhar para o mar através de mim, como se eu fosse invisível.&lt;br /&gt;Voltei àquele lugar todos os dias. Tentei deixar de temer o amor que crescia dentro de mim. Amaldiçoei a Lua, o mar e a ilha. Entristeci. Voltei a todos os lugares onde nos encontrávamos até ele se conformar com a minha ausência e partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em noites como hoje, de Lua cheia, de magia, não consigo deixar de pensar nele. Estou abraçada às pernas com a cabeça pousada nos joelhos a relembrar os momentos felizes que vivemos juntos.&lt;br /&gt;“Luana anda comigo” disse uma gaivota que pousou na minha varanda.&lt;br /&gt;“Estou a ficar louca… estou a ouvir vozes…” pensei eu confusa, quando a luz da Lua iluminou a minha varanda de tal maneira que me obrigou a fechar os olhos.&lt;br /&gt;“Já nem te lembras de mim!” disse-me um rapazinho espevitado, muito seguro de si, parado à minha frente. “Sou eu, o teu Guardião, anda comigo”, insistiu.&lt;br /&gt;“Mas para onde me queres levar?” perguntei eu curiosa.&lt;br /&gt;“Vamos para casa, Luana, já não és feliz. Já viste o mundo, já aprendeste muito, já tiveste o que querias” respondeu o rapaz enquanto me puxava pela mão.&lt;br /&gt;“Não, Guardião, a única coisa que eu verdadeiramente quero é o amor dele e perdi-o porque tenho medo, porque sou uma cobarde” disse-lhe eu com lágrimas nos olhos e a alma dilacerada.&lt;br /&gt;“Não é verdade! Tu és como aquela montanha por trás do casario, por trás dos mastros dos barcos, por trás do mar. És poderosa e surpreendente mas também frágil e delicada como se estivesses à deriva no mar. E da mesma forma que tu sabes que a montanha está ali, mesmo quando a noite esconde a sua presença, também tu precisas que alguém consiga ver a tua alma para saber onde estás mesmo quando estás invisível”.&lt;br /&gt;“Mas eu quero deixar de ser invisível. Quero que ele me consiga ver. Não quero mais ninguém, não percebes?” gritei-lhe.&lt;br /&gt;“Ninguém pode ser o que não é! Tu és diferente e só vais ser feliz com um igual” insistiu o Guardião enquanto me agarrava com força a mão e me puxava.&lt;br /&gt;Fechei os olhos e vi a ilha, o meu mar tranquilo, as pessoas que me amam e comecei a sentir-me flutuar, a sentir-me mais leve até voltar a sentir terra firme debaixo dos pés. Abri os olhos e vi a minha praia, a minha casa e senti-me bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É um privilégio recebe-lo na nossa ilha – disse Solaris ao homem que ajudava a desembarcar.&lt;br /&gt;- O privilégio é meu. Há muito que queria aprender a vossa tecnologia de gestão de recursos hídricos. Pelo que sei, a ilha é energeticamente auto-suficiente recorrendo exclusivamente ao mar – disse o homem entusiasmado.&lt;br /&gt;- Já sabe que a nossa única condição é manter o mistério sobre a nossa existência. Ninguém pode saber as nossas coordenadas.&lt;br /&gt;- Eu sou um homem de palavra e vou cumprir o prometido – disse o homem com confiança.&lt;br /&gt;- Eu sei, garanto-lhe que sei. Não está em si agir de outra forma – respondeu Solaris a sorrir.&lt;br /&gt;- Mas vamos, depois trazemos as suas coisas, a minha casa é já ali ao fundo e você deve querer descansar um pouco.&lt;br /&gt;Avançaram pelo passeio junto ao mar, bordejado de árvores frondosas e flores coloridas e de repente Solaris viu um rapazinho com ar espevitado sair a correr do meio do casario e parar com ar traquina atrás de um banco de jardim onde uma mulher lia serenamente.&lt;br /&gt;“Um Guardião?! Que estranho… que andará aqui a fazer?” pensou ele intrigado. Entretanto continuou a conversar com o estrangeiro mas de repente este ficou para trás, parado no meio do passeio a olhar fixamente a mulher que lia. Solaris olhou para ele, para o Guardião, que o estrangeiro não via, novamente para ele e sorrindo começou a afastar-se ligeiramente.&lt;br /&gt;O homem aproximou-se silenciosamente e sentou-se junto a Luana. Atrás o Guardião dançava e rodopiava sem parar de rir, enquanto Solaris observava atentamente a cena.&lt;br /&gt;- Que livro maravilhoso é esse que desvia o teu olhar do sol a adormecer? - perguntou o homem que acabara de chegar.&lt;br /&gt;Luana pousa o livro nos joelhos com as mãos trémulas e olha devagar para ele, mas quando os olhares de ambos se cruzam ela desaparece. O homem fica perplexo a olhar o banco vazio sem saber o que pensar. Solaris aproxima-se coloca-lhe a mão no ombro, sentam-se e começam a conversar.&lt;br /&gt;- Meu amigo, há muitas coisas sobre a ilha que você desconhece… - começa ele.&lt;br /&gt;Atrás do banco o rapazinho com ar espevitado dá pulos de felicidade e não pára de dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5502107797311292114-7430985619140179767?l=historiasasolta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://historiasasolta.blogspot.com/feeds/7430985619140179767/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5502107797311292114&amp;postID=7430985619140179767' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7430985619140179767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5502107797311292114/posts/default/7430985619140179767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://historiasasolta.blogspot.com/2007/10/conto-de-fadas.html' title='Conto de Fadas'/><author><name>African Queen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01591889258477262290</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='26' src='http://1.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/SgAMkqcUHeI/AAAAAAAAAyg/Jl2Q2BnL0hM/S220/moi+003.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5502107797311292114.post-4135247031159305093</id><published>2007-10-02T17:24:00.000+01:00</published><updated>2008-12-09T12:17:36.720Z</updated><title type='text'>A árvore da vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/RwJyW4XqcWI/AAAAAAAAAWI/YVBrg5pfUeg/s1600-h/embondeiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5116777864060629346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_0Qz454czU8s/RwJyW4XqcWI/AAAAAAAAAWI/YVBrg5pfUeg/s320/embondeiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando o correio chegou, vivia-se uma manhã ordinária, sem grande agitação no hospital. Longe da azáfama e do caos dos hospitais públicos, aqui o ambiente era tranquilo, desinfectado e silencioso. Na recepção imponente coberta de mármore e obras de arte, o carteiro tinha por hábito não só entregar, mas também ajudar a recepcionista a separar a correspondência em pequenos montes que se espalhavam pelo balcão, na esperança de lhe conquistar um sorriso que funcionava como uma espécie de barómetro para prever o curso desse dia. Se, por acaso ela lhe sorria, ele iluminava-se e sentia-se o homem mais feliz do mundo. Acreditava que o dia só lhe poderia correr bem, cantava, espalhava o bom humor que lhe sobejava e à noite, quando deitava a cabeça na almofada fechava olhos e sonhava que a abraçava, que ela se encolhia nos seus braços e lhe devolvia um sorriso ainda mais doce. Habitualmente ela mal retirava os olhos da correspondência para olhar para ele e os seus gestos, mecânicos, na ânsia de organizar o balcão e alinhar os montes de correspondência a distribuir, raramente incluíam sorrisos. Um seco “Obrigada, Sr. Martins. Até amanhã.” colocava um ponto final naquela colaboração quotidiana e ele saía cabisbaixo depois de a ver desaparecer no corredor com dezenas de cartas nos braços, com a certeza de que ia ter um dia triste, azarado, solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia Sr. doutor, tem aqui a sua correspondência – disse ela e saiu do consultório irritada, como sempre, com a falta de cortesia do director, um homem mal-humorado, seco, que a ignorava diariamente e nem sequer a cumprimentava.&lt;br /&gt;Afonso Soares afastou-se da janela, pegou na sua chávena de café, já quase frio e sentou-se na secretária. Olhou surpreendido para o monte de cartas na sua frente, como se elas se tivessem materializado naquele momento e depois reparou numa caixa que estava mesmo ao lado. Abriu-a com curiosidade. Não tinha remetente, nem carimbo dos correios, parecia ter sido entregue pessoalmente. Lá dentro, um pequeno bonsai ansiava por luz e quando o colocou em cima da mesa, na sua frente, encostou-se lentamente na cadeira e ficou a mirá-lo. Era um imbondeiro, uma árvore extraordinária que quando adulta pode atingir os vinte metros de altura e dez de diâmetro, a árvore da vida, um dos símbolos de África. Vê-la em miniatura, ali na sua frente, tantos anos depois de ter olhado uma pela última vez, pareceu-lhe estranho, irreal. Voltou a pegar na caixa à procura de mais qualquer coisa que lhe explicasse aquela encomenda estranha. Encontrou um pequeno cartão, escrito à mão, com caligrafia delicada, onde podia ler-se apenas “Obrigada”. Intrigado, franziu a testa, voltou a remexer na caixa, virou o cartão mas não encontrou mais nenhuma pista.&lt;br /&gt;Entretanto entra repentinamente no consultório o seu sócio.&lt;br /&gt;- Afonso, aquele investimento que fizemos na nova ala… - começou ele a dizer exaltado.&lt;br /&gt;- Sabes que árvore é esta, Raul? – pergunta-lhe sem tirar os olhos do bonsai.&lt;br /&gt;- Mas... que raio…sei lá! Não é uma daquelas árvores japonesas!? Mas o que é que isso interessa? Afonso, estamos com problemas sérios para resolver, porque raio estás aí a olhar para um vaso?&lt;br /&gt;- É um imbondeiro Raul. Uma miniatura de um imbondeiro, a árvore da vida. Uma árvore sagrada em muitos lugares de África, que muitos acreditam facilitar a comunicação entre os vivos e os mortos. Ninguém sabe a idade dos imbondeiros. Ao contrário das outras árvores elas crescem ocas e não formam os anéis que nos permitem detectar a sua idade…&lt;br /&gt;- Muito bem! Eu aqui cheio de problemas para resolver e tu a dares aulas de botânica. Estou a perceber… fez-te recordar o grande aventureiro Afonso Soares. Olha, eu não sei como essa porcaria veio aqui parar, mas é bom que te lembres que o grande aventureiro perdeu um pé por causa de uma mina e quase ia perdendo a vida, passou dois anos em coma e quando finalmente acordou resolveu ser um tipo responsável, abriu este hospital comigo e deixou para trás o grande viajante, aventureiro, salvador do mundo. Bolas Afonso! Estamos cheios de dívidas. Preciso da tua ajuda para resolver uma série de coisas e tu nem me ouves!&lt;br /&gt;- Deixa-me sozinho alguns minutos. Só alguns minutos. Eu já vou ter contigo. Prometo – disse Afonso sem tirar os olhos do imbondeiro.&lt;br /&gt;Raul deu meia volta e saiu furioso do consultório batendo com a porta. Entretanto, o telefone começou a tocar.&lt;br /&gt;- Sr. doutor, é a sua esposa. Diz que não tem o telemóvel ligado e ela precisa fala urgentemente consigo – diz a recepcionista do outro lado da linha.&lt;br /&gt;- Diga-lhe que estou numa reunião. Não quero falar com ela agora – disse Afonso indiferente.&lt;br /&gt;- Mas… Sr. doutor, a sua esposa diz que é por causa do seu filho. Está muito aflita! – Insistiu ela mais uma vez.&lt;br /&gt;- Passe a chamada – retorquiu, seco.&lt;br /&gt;- Afonso, meu Deus, não consigo falar contigo e estou desesperada. O Filipe teve uma crise qualquer na escola, perdeu a cabeça, partiu tudo, partiu a sala de aula toda, agrediu colegas e professores e levaram-no para um hospital psiquiátrico porque estava incontrolável. Eu não sei o que fazer. Preciso de ti – disse ela desesperada, a chorar.&lt;br /&gt;- Controla-te que assim não resolves nada. Já vou ter contigo – respondeu enervado.&lt;br /&gt;Há dois dias que não ia a casa. Ia ficando pelo hospital e quando dava conta verificava que já era muito mais que um negócio, um trabalho, tinha-se transformado numa espécie de refúgio também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito longe dali, da cidade, do burburinho das pessoas, da poluição e dos carros, numa pequena praia do Indico, destaca-se na paisagem uma pequena casa caiada rodeada por um jardim de cortar a respiração. Um verdadeiro jardim do Éden, repleto de árvores, flores e todo o tipo de plantas. No alpendre, voltado para o mar, uma mulher dorme tranquilamente embalada por uma cama de rede. É jovem ainda, não terá mais de quarenta anos, mas tem um ar doente e macilento como se a vida estivesse aos poucos a despedir-se dela.&lt;br /&gt;- Isabel, acorde… vamos lá, que está na hora do remédio – disse suavemente uma mulher enquanto lhe tocava no ombro.&lt;br /&gt;- Tive um sonho bonito – respondeu ela a sorrir enquanto se espreguiçava. – Onde estão as crianças? Já voltaram da escola?&lt;br /&gt;- Sim senhora. Eu mesma fui buscá-los depois de arrumar a cozinha e agora a Dila foi com eles na praia – disse-lhe enquanto ajudava Isabel a erguer-se para tomar o medicamento.&lt;br /&gt;- E o meu amor, Dosinda? Na estufa, como é costume? – perguntou a sorrir entre duas colheres de xarope.&lt;br /&gt;- Sim e já veio espreitá-la várias vezes mas voltou. Está a fazer a poda dos bonsais.&lt;br /&gt;- Estás a ver. Está tudo perfeito para a minha partida, preciso só de falar com o Velho Tembe. Pedes-lhe para vir aqui, por favor?&lt;br /&gt;- Claro Isabel. Mas não gosto quando você fala assim. Você ainda vai curar. Tem de lutar pela vida – respondeu a mulher com lágrimas nos olhos.&lt;br /&gt;- Minha querida Dosinda, já falamos sobre isso. Eu tenho um tumor maligno incurável e não quero passar os dias que me restam enfiada num hospital a ser retalhada a cada nova cirurgia só para prolongar um pouco a vida, longe de tudo e todos que amo. Eu tive uma boa vida. Quero ter uma boa morte também. As ervas e xaropes do Velho Tembe ajudam-me a suportar a dor e a ter ânimo. Mas vai lá chamá-lo, por favor, preciso que ele me ajude a fazer só mais uma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso entrou no consultório ainda de madrugada. Não conseguia dormir e resolvera ir trabalhar. O filho já estava em casa, sob forte medicação e com um diagnóstico preocupante. Uma criança de dez anos, incapaz de controlar a agressividade e a raiva; incapaz de comunicar. Ele cruzou os braços sobre a secretária, pousou a cabeça e começou a chorar infeliz, impotente.&lt;br /&gt;De repente sentiu que algo lhe rodeava os tornozelos, as pernas e que o ia aprisionando. Abriu os olhos e aterrorizado viu na penumbra a sombra de um imbondeiro que se agigantava dentro daquela sala e cujas raízes o prendiam e invadiam. De repente sentiu-se arrancado à cadeira onde estava sentado e em pânico, enquanto se contorcia viu-se ser levantado no ar e atirado para dentro da árvore gigante. Caiu num chão de terra vermelha, sentiu um calor pesado e mal conseguia abrir os olhos com tanta luz. Ouvia um tiroteio intenso que se aproximava cada vez mais, sentia uma agitação brutal à volta dele, o pó a invadir-lhe os pulmões e quando se levantou e olhou em volta encarou um cenário terrível de gente já quase sem vida, esqueléticos, doentes, que corriam para se esconder no mato e fugir ao tiroteio que os perseguia. Afonso ficou parado, paralisado, a olhar. Já tinha estado ali. Já tinha vivido aquilo… tudo aquilo que ele queria esquecer. De repente viu soldados a aproximarem-se, a disparar e algumas pessoas a começar a cair por terra. Viu uma mãe ser atingida na cabeça e lutar por cair de joelhos e depois para a frente para não esmagar o filho que trazia nas costas, preso numa capulana e então viu um homem que saiu como um felino enfurecido do meio do mato e começou a correr contra a corrente, na direcção dos soldados até ficar ao alcance das balas que choviam à sua volta, só para soltar aquele bebé das costas da mãe e salvá-lo. Afonso continuou parado no meio daquele cenário aterrorizador, perplexo, a ver-se a si próprio, há quinze anos atrás, a reviver outra vida. Confuso e perturbado Afonso vê-se então a si próprio a correr como um louco com uma criança nos braços na sua direcção e quando este corre através de si como se ele não estivesse lá, como se não existisse, Afonso sente numa explosão sensorial todas as emoções daquele homem que corre com uma criança nos braços e tenta fechar os olhos e tapar os ouvidos para sair daquele lugar.&lt;br /&gt;Então deixa de ouvir o ruído das balas, as pessoas a correr, os gritos e abre lentamente os olhos. Está deitado sobre a secretária. O dia já nasceu e os primeiros raios de sol invadem o consultório. Afonso coloca as mãos na cabeça e encosta-se para trás na cadeira ainda com o coração acelerado. À sua frente está o pequeno imbondeiro com um cartão encostado ao tronco. Ele olha-o com estranheza. Jurava que o bonsai tinha vindo apenas com um cartão a dizer “obrigada”. E agora ali estava outro, com a mesma caligrafia, onde podia ler-se “coragem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isabel, você sabe que isto vai precisar de muita energia sua, que você não tem porque a vida está lhe abandonando – disse o Velho Tembe preocupado.&lt;br /&gt;- Preciso fazer isto antes de partir. Devo a um homem tudo aquilo que sou e tudo aquilo que tenho. Tudo aquilo que me permitiu ser feliz e despedir-me da vida sem ressentimentos eu ganhei de um homem com quem passei uma noite, uma única noite na vida e do qual me afastei sem sequer me despedir.&lt;br /&gt;- E não chega teres-lhe enviado um bonsai e um cartão a agradecer? – perguntou o homem que entretanto se aproximou deles.&lt;br /&gt;- Meu amor, estás com ciúmes – disse Isabel a sorrir. – Mas não devias. Eu sinto obrigação de fazer isto pelo tanto que ele me deu. Eu estava perdida quando o conheci, destroçada, no meio de uma guerra que eu já nem conseguia descrever.&lt;br /&gt;- Isabel, partilha com ele essa história, conta tudo para ele entender o que você quer fazer, minha filha e te ajudar também – disse o Velho Tembe, sábio como sempre.&lt;br /&gt;- Eu vou continuar nossas combinações e depois volto para te ver – despediu-se o Velho enquanto se afastava.&lt;br /&gt;- Queres ouvir, então? – perguntou-lhe Isabel enquanto lhe acariciava o rosto.&lt;br /&gt;- Claro, se é importante para ti, se queres voltar a esses lugares da tua memória… - respondeu ele.&lt;br /&gt;- Aqueles foram os piores tempos da guerra em Angola. Estávamos em 93 o Huambo foi cercado pela Unita durante 56 dias e ocupado em Março. Meses depois a cidade foi bombardeada pelas forças governamentais, que a conquistaram. Não é difícil imaginar o que foram esses meses. Toda a loucura da guerra, tudo o que de pior existe nos seres humanos à solta, descontrolado. Eu era uma miúda que queria ser jornalista, mas acho que tinha ido para lá porque queria morrer. Foi uma fase muito amarga para mim, muito dura. Fui para o epicentro da guerra como repórter free lancer. Vi tudo o que não se deve jamais ver. Um dia estava a caminho de um campo de refugiados quando o jipe que seguia à frente do meu foi atingido por uma mina. As viaturas ficaram destruídas e os que sobrevivemos tínhamos que seguir a pé até ao campo. Dois dias depois, esfomeados, feridos, desorientados começamos a ouvir tiros de metralhadora e percebemos que havia uma aldeia à frente que estava a ser atacada. Quando voltou o silêncio aproximamo-nos. Já não se viam soldados. De repente ouvi um choro de criança, olhei para o lado e vi uma mulher, que mais parecia um fantasma de si própria, pegar num bebé e coloca-lo ao peito para lhe dar de mamar. Lembro-me que me apeteceu muito chorar quando vi aquela cena mas depois… depois, saído do nada vejo um homem enlouquecido, que pegou na criança e a arrancou ao seio da mãe e que se atirou àquela mulher, agarrando-lhe os seios, subjugando-a com o peso do seu corpo. Julguei que ia assistir a mais uma de tantas violações da guerra. Olhei para a criança que no chão não parava de chorar, olhei para o soldado morto ao meu lado, retirei-lhe a arma da mão, aproximei-me deles e disparei sobre o homem com raiva. Quando o homem tombou percebi que lhe corria leite pelos cantos da boca. A mulher olhou para mim assustada, pegou na criança e fugiu a correr. Não tinha sido uma tentativa de violação, o homem estava esfomeado e do corpo daquela mulher tomou-lhe apenas o leite. Deixei cair a arma, gritei desesperada, cai de joelhos no chão e então começou a chover e eu fiquei ali, no meio da lama, não sei por quanto tempo, vazia.&lt;br /&gt;Foi então que conheci o Afonso. Era médico no campo de refugiados, que afinal era perto da aldeia atacada e tinham ouvido o ataque e vindo ver se havia sobreviventes que pudessem ajudar. Era contra todas as normas de segurança, mas ele não se importava. Encontrou-me no mesmo local onde cai no meio da lama. Não tinha mais do que uns arranhões no corpo e estava suja e encharcada mas tinha a alma ferida de morte. Quando anoiteceu, depois de ter tratado dos doentes mais graves, veio ver-me. Eu não falava. Aqueceu água, despiu-me, lavou-me, deu-me alguma roupa confortável e limpa, fez-me café, olhou bem dentro dos meus olhos, abraçou-me com ternura, deu-me a mão e arrastou-me para fora da tenda, para fora do campo. Lembro-me que estava uma noite escura e de repente surge na minha frente um imbondeiro enorme a assombrar a noite. O Afonso estendeu uma capulana no chão, sentou-se e disse-me muito sério que já sabia diagnosticar a minha doença. Segundo ele sofria de “Pesada Escuridão”, ou seja andava há tempo de mais a ver cenas de terror, infelicidade, tristeza, violência e precisava apenas de ver outras tantas coisas belas, alegres que me tocassem a alma. Lembro-me de olhar para ele e achar que era louco, que não havia ninguém saudável naquele lugar. Então ele disse-me que tinha a mesma doença que eu em estado crónico e que a única maneira de a tratar era estar atento à humanidade que florescia até nos momentos piores ou então ir até ao imbondeiro, deitar-se a olhar as estrelas. Aquele imbondeiro já tinha vivido tanto, tantas coisas boas e más que lhe dava uma sensação de conforto indescritível. Dava-lhe a certeza de tudo ser passageiro menos aquela árvore. E depois a visão das estrelas na escuridão reforçavam ainda mais aquele conforto… havia luz, algures, mesmo que ali se vivesse na escuridão mais profunda. A determinada altura dei-lhe a mão, acariciei-lhe o rosto e beijei-o. Abraçamo-nos com doçura e fizemos amor como quem quer dar vida ao outro. Quando acordei, nos braços dele ao amanhecer, sabia que não podia ficar ali. Estava frágil, era muito fácil ficar encantada por aquele homem terno. Sabia que tinha de encontrar o meu caminho sozinha. Sabia, a partir daquele dia, que há sempre luz até na noite mais escura e que mesmo no meio da loucura, da maior desumanidade é possível encontrar amor, ternura, beleza. Deixei-o enquanto dormia e chegada ao campo apanhei boleia de uma coluna humanitária da Cruz Vermelha que saia do Huambo.&lt;br /&gt;- E o que queres fazer, Isabel? Eu ajudo-te mas não quero que te prejudiques. Isso Não! – disse-lhe com carinho.&lt;br /&gt;- Meu amor, eu preciso apenas que sejas forte, que entendas o que está acontecer. Não lamentes ter menos tempo do que gostarias comigo. Pensa apenas, na enorme felicidade que foi termos tido a oportunidade de partilhar o mesmo tempo e o mesmo espaço neste universo imenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Sr. doutor, a sua correspondência – disse-lhe a recepcionista e ia já a sair do consultório sem esperar resposta quando Afonso a chamou.&lt;br /&gt;- Joana, leve-me este bonsai daqui para fora. Leve-o para a recepção, para sua casa, deite ao lixo mas não quero voltar a vê-lo – disse-lhe num tom decidido.&lt;br /&gt;- Está a falar desta plantinha na sua secretária? – perguntou ela apontando, a medo.&lt;br /&gt;- Vê aqui mais algum bonsai!? Tire-me isso da frente e desapareça também… já! – gritou.&lt;br /&gt;“Grosso! Mal educado!” pensou ela enquanto pegava na planta e saia quase a correr do consultório.&lt;br /&gt;Era uma planta esquisita, pensou a Joana, mas era pequenina e ali, naquela recepção enorme ia ficar desl
